55% dos trabalhadores não têm reserva para emergência de US$ 500

Levantamento da SecureSave ouviu 1.028 trabalhadores em junho e mostra que imprevistos pequenos desestabilizam orçamentos.

Por Marcos Guimarães22 ago 2026
55% dos trabalhadores não têm reserva para emergência de US$ 500

O que aconteceu

A pesquisa da SecureSave, empresa de contas de emergência no local de trabalho, entrevistou 1.028 trabalhadores em junho. Os resultados mostram que 55% não têm economias suficientes para cobrir uma despesa de US$ 500. Além disso, 41% dos entrevistados disseram que já pularam uma despesa necessária, como cuidados médicos, comida ou consertos de carro, por falta de reserva. A cofundadora da SecureSave, Suze Orman, afirmou: "Temos mais perigo do que antes, porque são trabalhadores que sabemos que têm emprego, recebem salário, e ainda assim não estão conseguindo." (Fonte: CNBC)

Contexto

Outros estudos reforçam a dificuldade. O relatório de 2025 do Federal Reserve sobre o bem-estar econômico das famílias americanas mostrou que 63% dos adultos conseguiriam cobrir uma emergência de US$ 400 com dinheiro, poupança ou cartão de crédito pago na próxima fatura. Esse percentual não mudou nos últimos três anos, após um pico de 68% em 2021. A pesquisa do Fed ouviu mais de 13.000 consumidores em outubro. A inflação anual estava em 3,4% em julho, acima da meta de 2% do Fed. O preço médio da gasolina passou de US$ 4 por galão, o maior nível já registrado para esta época do ano, segundo a GasBuddy.

Por que importa

A falta de reserva de emergência tem impacto direto na capacidade das famílias de poupar para objetivos de longo prazo, como a aposentadoria. Quando um imprevisto de US$ 500 já desestabiliza o orçamento, fica difícil priorizar investimentos maiores. Além disso, a dívida total das famílias americanas chegou a US$ 18,8 trilhões no segundo trimestre, um aumento de US$ 4,6 trilhões desde o fim de 2019, antes da recessão pandêmica, segundo o Federal Reserve Bank de Nova York. Os saldos de empréstimos de automóveis subiram para US$ 1,71 trilhão, e os de cartão de crédito para US$ 1,26 trilhão, perto do recorde de US$ 1,28 trilhão do quarto trimestre de 2025.

Impacto

O cenário pressiona as famílias que trabalham, mas não conseguem acumular poupança. A pesquisa da SecureSave mostra que 41% já sacrificaram despesas essenciais, o que pode levar a problemas de saúde, atrasos em consertos e insegurança alimentar. No curto prazo, isso tende a aumentar a dependência de crédito caro, como cartões de crédito, cujos juros são elevados. No médio prazo, a falta de reserva compromete a aposentadoria, já que imprevistos consomem o que seria destinado à poupança de longo prazo.

O que muda

A SecureSave, que oferece contas de emergência vinculadas ao trabalho, surge como uma alternativa para facilitar a poupança automática. A empresa, cofundada por Suze Orman, propõe que os empregadores ofereçam esse benefício aos funcionários, descontando um valor do salário diretamente para uma conta de emergência. A ideia é reduzir a fricção de poupar, já que o dinheiro é separado antes de chegar às mãos do trabalhador.

O que vem agora

Especialistas recomendam que os trabalhadores priorizem a construção de uma reserva de emergência antes de investir em outros objetivos. A meta comum é ter de três a seis meses de despesas guardados, mas começar com US$ 500 já é um passo. A pesquisa do Fed indica que a capacidade de cobrir US$ 400 não melhorou desde 2021, o que sugere que políticas públicas e empresariais precisam avançar. A SecureSave espera que mais empresas adotem contas de emergência como benefício, o que pode ampliar o acesso à poupança.