ABC, da Disney, processa FCC por campanha retaliatória

Emissora pede à Justiça que interrompa renovação antecipada de licenças de transmissão.

Por Marcos Guimarães18 ago 2026
ABC, da Disney, processa FCC por campanha retaliatória

A ABC, rede de televisão de propriedade da Disney, entrou com um processo judicial contra a Federal Communications Commission (FCC), órgão regulador de comunicações dos Estados Unidos, alegando que a agência conduz uma "campanha retaliatória" contra a emissora. A ação, protocolada na terça-feira (18) em um tribunal distrital de Washington, D.C., pede que a Justiça suspenda o processo de renovação antecipada das licenças de transmissão da ABC (CNBC).

O que aconteceu

A ABC moveu uma ação judicial contra a FCC invocando a Primeira Emenda da Constituição americana, que garante a liberdade de expressão. A emissora classifica a investigação do órgão regulador como uma "campanha retaliatória" motivada pelo conteúdo de sua programação, que tem sido crítica ao presidente Donald Trump. O processo pede que a FCC interrompa imediatamente os procedimentos de renovação antecipada das licenças de transmissão das estações da rede (CNBC).

Contexto

A ação chega meses depois de a FCC ter iniciado um processo de renovação antecipada das licenças de um conjunto de estações da ABC, citando preocupações com os esforços da empresa relacionados a diversidade, equidade e inclusão (DEI). Esse movimento regulatório ocorreu logo após uma nova onda de reação política contra a ABC, alimentada por comentários feitos pelo apresentador Jimmy Kimmel em seu programa noturno, exibido na emissora (CNBC). A sequência de eventos — comentários no ar, reação política e ação regulatória — é o cerne da alegação de retaliação feita pela rede.

Por que importa

O caso coloca em xeque o limite entre a regulação estatal e a liberdade de expressão de veículos de mídia nos Estados Unidos. Uma decisão favorável à ABC pode estabelecer precedente sobre o uso do poder regulatório contra empresas de comunicação com viés editorial crítico ao governo. Para o mercado, o processo expõe o risco político que grandes conglomerados de mídia enfrentam em um ambiente regulatório cada vez mais politizado. No Brasil, o caso serve de alerta para emissoras e plataformas sobre a importância de mecanismos legais robustos de proteção à liberdade editorial.

Impacto

No curto prazo, o processo contra a FCC pode gerar um efeito inibidor sobre a agência, que passará a atuar com mais cautela em casos envolvendo grandes redes. No médio prazo, se a ABC vencer, a decisão pode limitar a capacidade da FCC de usar critérios subjetivos — como políticas de DEI — em processos de renovação de licenças. Por outro lado, a briga judicial também pode intensificar o confronto entre o governo Trump e os grandes veículos de mídia, aprofundando a polarização no setor de comunicações americano.

O que vem agora

A FCC ainda não respondeu publicamente ao processo. A ação segue em tramitação na Justiça de Washington, e a expectativa é de que o caso avance nos próximos meses, com possíveis audiências para discutir o pedido de liminar da ABC. O desfecho dependerá da interpretação dos juízes sobre o alcance da Primeira Emenda e dos limites do poder regulatório da FCC sobre o conteúdo editorial das emissoras (CNBC).