África: o que explica o crescimento de 4% projetado pela ONU para 2026

Podcast Odd Lots, da Bloomberg, discute com Joe Studwell as causas do avanço econômico africano e a comparação com a Ásia.

Por Marcos Guimarães25 ago 2026
África: o que explica o crescimento de 4% projetado pela ONU para 2026

O que aconteceu

A ONU projeta crescimento de 4,0% para a economia africana em 2026, segundo o material divulgado pela Bloomberg. A projeção foi tema do episódio do podcast Odd Lots, publicado em 25 de agosto de 2026, no qual o jornalista Joe Weisenthal e a apresentadora Tracy Alloway conversaram com Joe Studwell, autor do livro 'How Africa Works: Success and Failure on the World's Last Developmental Frontier'. O crescimento de 4,0% é a meta central da discussão, e a projeção da ONU coloca a África em ritmo superior ao de várias economias emergentes no mesmo período, segundo os dados apresentados no programa.

Segundo a Bloomberg, o crescimento africano de 4,0% projetado pela ONU para 2026 foi o ponto de partida da conversa. O podcast Odd Lots, da Bloomberg, reuniu em seu estúdio Joe Studwell para explorar o que está por trás desses números. Studwell é conhecido por estudar a interseção entre política e desenvolvimento econômico em países de baixa renda, e seu livro analisa por que alguns países africanos avançam enquanto outros ficam para trás.

Contexto

Joe Studwell compara o atual momento africano com o que aconteceu na Ásia nas últimas décadas. O autor argumenta que o crescimento econômico africano tem características distintas do modelo asiático. Enquanto a Ásia cresceu apoiada em manufatura e exportação, a África depende mais de recursos naturais e de uma base agrícola ainda pouco produtiva. Essa diferença é central no livro e foi retomada no podcast: Studwell diz que a África ainda não construiu as chamadas "capacidades estatais" que permitiram aos países asiáticos sustentar décadas de expansão.

A pergunta central do episódio é se o crescimento africano é sustentável ou se repete o padrão de ciclos de commodities que já ocorreu no continente. O crescimento de 4,0% projetado pela ONU para 2026 é visto por Studwell como uma oportunidade, mas também como um teste. O autor, que já trabalhou como consultor na região, lembra que a África já teve boas fases no passado, impulsionadas por preços altos de petróleo e minérios, e que não conseguiu transformar essa renda em indústria ou em melhora na produtividade agrícola.

Por que importa

O crescimento de 4,0% da África em 2026, segundo a ONU, importa para empresas e investidores que olham o continente como destino de capital. A projeção indica um mercado consumidor em expansão, com uma população jovem e crescente. Para o Brasil, o dado também tem relevância: o país mantém relações comerciais com nações africanas, especialmente em agronegócio e construção civil, e a aceleração econômica pode ampliar essas trocas, embora a pauta ainda seja concentrada em poucos produtos.

Studwell, no podcast, aponta que a diferença entre a África e a Ásia não é de potencial, mas de política. Para ele, sem reformas na agricultura e sem transferência de tecnologia, o crescimento de 4,0% não será suficiente para reduzir a pobreza de forma estrutural. Essa visão contraria o otimismo de parte do mercado, que vê no crescimento apenas mais uma oportunidade de lucro com commodities.

Impacto

No curto prazo, a projeção de 4,0% de crescimento da África para 2026 pode atrair mais capital estrangeiro para países como Nigéria, Quênia e África do Sul. No médio prazo, o impacto dependerá de como cada governo usar a renda extra. O podcast destaca que a África tem exemplos recentes de sucesso, mas também casos de fracasso, e Studwell usa seu livro para explicar que a diferença está na capacidade de transformar recursos em desenvolvimento.

Um dos pontos concretos levantados é o papel da agricultura. Studwell argumenta que a produção agrícola africana é muito baixa comparada à asiática, e que sem um salto nesse setor, o crescimento de 4,0% projetado pela ONU para 2026 não se sustenta. Ele menciona que a Ásia, décadas atrás, fez reforma agrária e investiu pesado em pesquisa agrícola, enquanto a África segue com latifúndios de baixa produtividade.

O que muda

A discussão do Odd Lots muda a narrativa usual de que a África é apenas um exportador de recursos. A projeção da ONU para 2026, de 4,0% de crescimento, coloca o continente em posição de destaque nas discussões globais de investimento. O que muda na prática é que investidores institucionais, que antes viam a África como risco, agora precisam entender as diferenças internas do continente. Em vez de tratar a África como um bloco único, o podcast sugere que o crescimento de 4,0% esconde realidades distintas, com países acelerando a ritmos diferentes.

Para o leitor brasileiro, a comparação com a Ásia feita por Studwell é útil: o autor mostra que o crescimento do PIB, sozinho, não melhora a vida das pessoas se não for acompanhado de emprego e renda distribuída. O episódio do Odd Lots, ao trazer o crescimento de 4,0% da África em 2026, também reforça que qualquer análise sobre o continente precisa passar por dados e história, e não por clichês.

O que vem agora

O próximo passo é acompanhar como os países africanos vão usar a janela de crescimento. A ONU projeta 4,0% para 2026, e as eleições previstas em várias nações do continente podem mudar o rumo das políticas econômicas. Studwell, no podcast, sugeriu que os governos africanos deveriam mirar no modelo asiático de industrialização, mas reconhece que isso exige vontade política e investimento em educação e agricultura.

O episódio do Odd Lots termina sem previsões fechadas, mas aponta que os dados de 2026 serão um teste para a tese do livro de Studwell. A pergunta que fica, segundo o próprio autor, é se a África vai repetir o ciclo de crescimento sem desenvolvimento, ou se finalmente vai construir uma base parecida com a que a Ásia ergueu no século 20.