Agente de viagens espaciais: a profissão do futuro

Roman Chiporukha, ex-agente de luxo, agora vende experiências em órbita e na estratosfera

Por Marcos Guimarães14 ago 2026
Agente de viagens espaciais: a profissão do futuro

O que aconteceu

Roman Chiporukha, cofundador da empresa de lifestyle de luxo Roman & Erica, construiu uma carreira realizando desejos de ultrarricos. Em 2018, recebeu uma ligação da Axiom Space: a empresa buscava três exploradores civis dispostos a pagar US$ 50 milhões cada para participar da primeira missão totalmente privada à Estação Espacial Internacional (ISS), programada para abril de 2022. Chiporukha aceitou o desafio, assinou os astronautas privados e, em 2021, lançou a SpaceVIP, uma agência dedicada a experiências espaciais que combinam cultura, ciência e propósito (MIT Technology Review).

Contexto

Ao longo de duas décadas como cofundador da Roman & Erica, Chiporukha organizou desde a construção de um superiate até viagens nas Bahamas em locais tão privados que exigem acordo de confidencialidade. Essa experiência deu a ele "o ouvido", como ele diz, "do público de altíssimo patrimônio". Foi esse acesso que o levou ao telefone com a Axiom e o mostrou que o mercado de turismo espacial era real. Sem formação em engenharia aeroespacial, Chiporukha teve de acelerar o próprio aprendizado sobre voos espaciais comerciais para atender clientes exigentes.

Por que importa

A SpaceVIP atua como uma "Expedia do cosmos": em vez de lidar com a fragmentação do setor espacial, o cliente acessa um portal único para investigar voos suborbitais e itinerários longínquos com a mesma facilidade de um fim de semana. A agência recebe dezenas de consultas por mês, mas atende apenas um pequeno grupo seleto, desenhando aventuras sob medida conforme o orçamento e os limites físicos de cada viajante. Para Chiporukha, o agente ainda é essencial para garantir "os perks, os pedidos personalizados e os upgrades".

Impacto

A oferta de experiências vai de voos parabólicos de gravidade zero a uma viagem de seis horas num balão estratosférico a 24 quilômetros da Terra — esta última, nas palavras do agente, "relativamente acessível" para quem não se importa em gastar algumas centenas de milhares de dólares. Ele trabalha com operadores como Axiom para estadias de vários dias na ISS, e com Blue Origin, SpaceX e Virgin Galactic para outras excursões. O impacto imediato é a consolidação de um novo nicho de luxo, que antes dependia de contatos diretos com fabricantes de foguetes.

O que muda

Para tornar a viagem espacial mais disseminada, diz Chiporukha, não basta reduzir custos e melhorar a tecnologia — é preciso despertar o interesse de mais pessoas. O papel do agente de viagens espaciais, portanto, deixa de ser apenas o de intermediário comercial e passa a incluir uma missão educacional: inspirar uma nova geração a olhar para o espaço como destino possível, mesmo que ainda distante para a maioria.

O que vem agora

Chiporukha não detalhou os próximos lançamentos da SpaceVIP, mas a tendência é que a agência amplie seu catálogo à medida que novos veículos suborbitais entrarem em operação. A janela de oportunidades cresce conforme empresas como Blue Origin e Virgin Galactic intensificam seus voos, e a Axiom planeja novas missões à ISS. Para o agente, o céu deixou de ser o limite — virou apenas o começo do trajeto.

Fonte: MIT Technology Review