Apple lança iPhone Duo, seu primeiro celular dobrável

Aparelho foi apresentado em Cupertino e tem tela interna de 7,6 polegadas, sem Face ID

Por Marcos Guimarães9 set 2026
Apple lança iPhone Duo, seu primeiro celular dobrável

O que aconteceu

A Apple anunciou oficialmente o iPhone Duo, seu primeiro dispositivo dobrável, durante o evento “Surprise and Shine”, realizado em 9 de setembro de 2026 em Cupertino. O smartphone foi o primeiro grande lançamento sob o comando do novo CEO da empresa, John Ternus, que assumiu o cargo após a saída de Tim Cook.

O iPhone Duo tem tela interna de 7,6 polegadas quando aberto, a maior já usada em um iPhone, e tela externa de 5,4 polegadas, que mantém o aparelho com tamanho parecido com o de um passaporte quando fechado. A Apple afirmou que o design foi “inspirado na versatilidade do iPad” e mostrou o aparelho sendo usado na vertical com a tela aberta.

O celular não tem Face ID nem Dynamic Island. Em vez disso, usa apenas Touch ID, com possibilidade de desbloqueio por meio do Apple Watch. A estrutura é de titânio reforçado com fibras cerâmicas internas, três vezes mais resistentes que o titânio grau 5, segundo a empresa. O vidro traseiro é Ceramic Shield e o frontal, Ceramic Shield 2. O aparelho tem certificação IP68 e será vendido em duas cores: branco estrela e azul escuro chamado “night sky”.

Contexto

Rumores sobre um iPhone dobrável circulam desde 2017, quando chegou a ser noticiado que a produção começaria em 2020. Desde então, Samsung, Google, Huawei, Oppo, Honor e outras marcas lançaram diversos modelos Android dobráveis, incluindo os de formato livro, os flip e, mais recentemente, os trifold.

O mercado, porém, continua pequeno. Segundo a Counterpoint Research, os dobráveis representaram apenas 1,6% de todas as vendas de smartphones em 2025. Ainda assim, a expectativa em torno do lançamento da Apple levou Huawei, Samsung e Xiaomi a lançarem, neste ano, celulares dobráveis no mesmo formato largo e compacto do iPhone Duo, antecipando a influência da empresa de Cupertino.

Por que importa

O iPhone Duo é a primeira grande mudança visual do celular principal da Apple em anos. Com tela interna 50% maior que a do iPhone 18 Pro Max e 80% maior que a do iPhone Pro, o aparelho muda a forma como o usuário interage com o sistema.

iOS 27 foi adaptado para a tela dobrável. Controles essenciais, como Wi-Fi, foram movidos para a lateral, e o dock fica na vertical na tela inicial. O usuário pode usar dois aplicativos em tela dividida e também emparelhar apps. No uso vertical, é possível fixar um vídeo na parte de cima enquanto usa outros aplicativos na metade de baixo. O aparelho também pode ser usado meio dobrado ou apoiado sobre uma mesa.

Impacto

A chegada do iPhone Duo deve acelerar a adoção de celulares dobráveis. A Counterpoint estima que o dispositivo pode conquistar até 25% de participação no mercado de dobráveis até o fim de 2026, um salto para uma categoria que hoje representa menos de 2% dos embarques globais de smartphones.

Para concorrentes como Samsung e Xiaomi, que já lançaram seus dobráveis largos, o lançamento da Apple representa pressão adicional. A Samsung, que iniciou o segmento com o Galaxy Fold em 2019, terá de competir com o ecossistema iOS e com a base instalada de usuários da Apple.

O que muda

Quem comprar o iPhone Duo terá que se adaptar à ausência do Face ID, recurso presente desde 2017. O desbloqueio por digital exige o posicionamento do dedo no botão lateral, ou o uso do Apple Watch para autenticação. A câmera frontal fica no canto arredondado da tela externa, sem o recorte característico dos iPhones recentes.

O formato aberto, mais largo que os dobráveis tradicionais, melhora a proporção para assistir vídeos, segundo a Apple. A empresa destacou que o aparelho pode ser usado em modo vertical, horizontal ou semiaberto, ampliando as possibilidades de uso em relação a um celular comum.

O que vem agora

A Apple não divulgou preço nem data de disponibilidade do iPhone Duo no evento. A expectativa é que as vendas comecem ainda neste ano, com chegada gradual a mercados internacionais, incluindo o Brasil. Novos detalhes sobre configurações, capacidade de armazenamento e valores devem ser anunciados nas próximas semanas pela empresa de Cupertino, que também deve detalhar os planos de produção em escala para atender à demanda projetada pela Counterpoint.