Apple sobe preços de Apple TV e Apple One nos EUA

Aumento segue reajuste do Apple Music em julho e reflete investimento em conteúdo como F1 e Ted Lasso.

Por Marcos Guimarães28 ago 2026
Apple sobe preços de Apple TV e Apple One nos EUA

O que aconteceu

A Apple aumentou os preços do Apple TV e do Apple One nos Estados Unidos. O serviço de streaming Apple TV agora custa US$ 14,99 por mês, ou US$ 119 por ano. Antes, os valores eram US$ 12,99 mensais e US$ 99 anuais, conforme noticiou a CNBC. O Apple One, pacote que combina o Apple TV com iCloud, Apple Music e outros serviços, teve o preço individual elevado de US$ 19,95 para US$ 21,95 por mês.

Os reajustes foram anunciados na sexta-feira (28 de agosto) e já estão em vigor para novos assinantes nos EUA. A empresa não informou se os valores serão alterados em outros países. Esse aumento ocorre depois que a Apple elevou o preço do Apple Music em US$ 1 por mês em julho, citando custos de licenciamento de músicas.

Contexto

Quando o Apple TV+ foi lançado, em 2019, o serviço custava US$ 4,99 por mês, valor abaixo da maioria dos concorrentes. Agora, com o reajuste, o Apple TV se aproxima de rivais como Netflix e Disney+. A empresa justifica o aumento pelo acúmulo de conteúdo original, incluindo o filme "F1", um blockbuster de verão, e a quarta temporada de "Ted Lasso", que estreou no início de agosto.

O Apple One, criado para agrupar serviços da maçã em um único pagamento, também acompanhou a alta. O bundle reúne assinaturas que, separadas, custariam mais caro, mas o novo preço reduz parte da vantagem para novos clientes.

Por que importa

O reajuste mexe diretamente no bolso de quem usa os serviços da Apple. Para um assinante individual do Apple TV, o custo mensal subiu cerca de 15%, o que pode levar a cancelamentos em um mercado de streaming cada vez mais disputado. O Apple One, por sua vez, perde parte do apelo de "pacote econômico", já que o valor subiu de US$ 19,95 para US$ 21,95.

A decisão também reflete a estratégia da Apple de reforçar a receita de serviços, que foi destaque na gestão do CEO Tim Cook. No terceiro trimestre fiscal, a divisão de serviços reportou US$ 30,7 bilhões em receita, alta de 12% na comparação anual, embora a margem bruta tenha caído mais de 1 ponto percentual na base sequencial, segundo a empresa, por causa de uma mistura diferente de produtos e do efeito cambial.

Impacto

No curto prazo, a alta de preços pode reduzir o ritmo de novas assinaturas, mas o catálogo da Apple TV ganhou força com produções de alto orçamento. A quarta temporada de "Ted Lasso", uma das séries mais premiadas da plataforma, e o lançamento de "F1" nos cinemas e depois no streaming são apostas para reter usuários. O problema é que, com o preço mais alto, a comparação com Netflix (que cobra US$ 15,49 no plano padrão com anúncios e US$ 22,99 no premium) fica menos favorável para a Apple.

Para o acionista, o aumento pode compensar a pressão nas margens. A Apple mencionou em seu relatório que a queda da margem bruta de serviços se deveu à mix de produtos e ao câmbio, o que justifica a busca por maior receita por usuário. No médio prazo, a empresa deve monitorar o churn e o impacto na base de assinantes, especialmente nos EUA, onde a concorrência é intensa.

O que muda

Para quem já assina o Apple TV, o valor cobrado mensalmente passará a ser US$ 14,99, a menos que o cliente tenha contratado o plano anual. Quem assina o Apple One individual pagará US$ 21,95 por mês. A Apple não especificou se haverá ajuste em outros planos do bundle, como o familiar, que custa US$ 25,95 mensais.

A mudança vale para novos assinantes imediatamente. Os atuais assinantes verão o novo preço na próxima cobrança, conforme os termos do serviço. A empresa também pode ajustar o preço no Brasil e em outros mercados, mas não há anúncio oficial.

O que vem agora

Com o reajuste, a Apple segue sua política de aumentar preços para compensar custos de conteúdo e licenciamento. A empresa também se prepara para a transição de comando: Tim Cook deixará o cargo de CEO em 1º de setembro, e em seu comunicado de despedida, a Apple destacou que os serviços foram uma "área de foco principal" durante sua gestão. O novo CEO deverá manter a prioridade em serviços, mas ainda não há informações sobre novos aumentos ou planos de expansão internacional para os preços atualizados.