Archer compra a Wisk Aero, ex-rival em disputa por segredos
Boeing vende a fabricante de táxis aéreos autônomos e as subsidiárias SkyGrid e Insitu em troca de ações da Archer
O que aconteceu
A Archer Aviation agora é dona da Wisk Aero. O acordo foi revelado em documento regulatório divulgado na segunda-feira (10 de agosto de 2026) e reportado pelo TechCrunch.
A Boeing, que controlava a Wisk, concordou em vender a fabricante de táxis aéreos e outras duas subsidiárias — a SkyGrid, empresa de software de gestão digital de espaço aéreo e tráfego aéreo, e a Insitu, fabricante de drones — em troca de participação acionária na Archer. A Boeing receberá ações recém-emitidas equivalentes a 19,75% das ações em circulação da Archer antes do fechamento, o que deve resultar em cerca de 16,5% da companhia após o negócio, segundo o documento regulatório e uma pessoa familiarizada com o assunto.
Contexto
A aquisição encerra, na prática, uma relação que começou com uma briga judicial. Em abril de 2021, a Wisk processou a Archer por “roubo descarado” de informações confidenciais e propriedade intelectual. A disputa durou dois anos, até um acordo incomum que encerrou o processo original e também a ação reversa da Archer, que pedia US$ 1 bilhão em danos contra a Wisk, e deu início a uma colaboração entre as duas.
Pelo acordo que encerrou a disputa, a Archer tornou a Wisk fornecedora exclusiva de tecnologia autônoma e concedeu à Wisk a opção de comprar até 13.176.636 ações ordinárias a US$ 0,01 por ação.
A Wisk tem origem no programa Cora, um táxi voador autônomo para duas pessoas, criado dentro da Kittyhawk, startup de aviação elétrica liderada por Sebastian Thrun, cofundador da X, a moonshot factory da Alphabet, e apoiada por Larry Page, cofundador do Google. O Cora foi separado da Kittyhawk no fim de 2019 em uma joint venture com a Boeing, que foi renomeada Wisk. A Kittyhawk fechou em setembro de 2022. A Boeing investiu US$ 450 milhões na Wisk no início de 2022 e, em 2023, a Wisk já era subsidiária integral da Boeing.
A Archer, por sua vez, é uma startup fundada na Califórnia em 2018 que desenvolve eVTOL (veículos elétricos de decolagem e pouso vertical).
Por que importa
A compra junta duas empresas que disputavam diretamente o mercado de táxis aéreos elétricos nos Estados Unidos. Com a Wisk, a Archer incorpora a tecnologia de voo autônomo da ex-rival — que, desde o acordo anterior, já era sua fornecedora exclusiva nessa área. A operação também dá à Archer acesso à SkyGrid, no software de gestão de tráfego aéreo, e à Insitu, de drones.
Impacto
No curto prazo, a Boeing se torna acionista relevante da Archer, com cerca de 16,5% da empresa, o que alinha parte dos interesses da gigante aeroespacial ao desempenho da startup. A Archer elimina um concorrente direto e amplia seu portfólio para além dos eVTOL, incluindo software de espaço aéreo e drones. Para o mercado, o negócio reduz o número de desenvolvedores independentes de táxis aéreos autônomos.
O que muda
A Wisk deixa de ser subsidiária da Boeing e passa a integrar a Archer, junto com SkyGrid e Insitu. Ainda não há detalhes públicos sobre como a Archer vai combinar suas operações com a linha de táxis aéreos autônomos da Wisk, incluindo o programa Cora.
O que vem agora
O fechamento do negócio ainda está sujeito às condições previstas no documento regulatório. Depois disso, a Archer terá de integrar as três empresas e definir como a tecnologia autônoma da Wisk será usada em seus próprios eVTOL.
Fontes
- TechCrunch: Archer buys former rival Wisk Aero (https://techcrunch.com/2026/08/10/archer-buys-former-rival-wisk-aero/)
