Arm Mali G2-Ultra NX estreia no Xiaomi 18 Fold com IA

Tecnologia de upscaling por IA similar ao DLSS chega ao Android e deve alcançar tablets e Chromebooks

Por Marcos Guimarães8 set 2026
Arm Mali G2-Ultra NX estreia no Xiaomi 18 Fold com IA

O que aconteceu

A Xiaomi lançou o Xiaomi 18 Fold em 8 de setembro, na China continental. O aparelho é o primeiro a embarcar o Arm Mali G2-Ultra NX, processador gráfico da Arm integrado ao chip customizado Xring O3 da Xiaomi. O Mali G2-Ultra NX, da Arm, é o resultado de cinco anos de desenvolvimento e traz um acelerador de gráficos neurais dentro da GPU. O chip Xring O3, desenvolvido pela Xiaomi, é o primeiro a usar o novo processador gráfico da Arm.

Segundo a Arm, o Mali G2-Ultra NX tem desempenho 85% maior que a GPU usada pela Xiaomi na geração anterior e 14% acima do flagship anterior da Arm em jogos sem IA. A empresa afirma que as técnicas neurais combinadas podem entregar até quatro vezes a taxa de quadros.

A Arm chama o conjunto de recursos de "neural graphics" (gráficos neurais). São três técnicas principais: Neural Super Sampling, para upscaling por IA; Neural Frame Rate Upscaling, para geração de quadros; e Neural Denoising, para reconstrução de raios. A Nvidia faz algo parecido no DLSS 4.5 em GPUs de PC.

Contexto

A Arm é uma empresa britânica de semicondutores que licencia arquiteturas de chips para fabricantes do mundo todo. A China é o primeiro mercado a receber a tecnologia. O lançamento segue o roteiro da Nvidia, que popularizou o DLSS em computadores. A diferença é que a Nvidia usa o termo "neural graphics" para reimaginar luz e sombra em rostos e cenas. Na Arm, o foco é velocidade: mais quadros, resolução maior e menos consumo de energia.

Chris Bergey, vice-presidente executivo de Edge AI da Arm, disse ao The Verge que a novidade não ficará restrita a celulares chineses. "Você poderá comprar; você poderá ter em celulares no ano que vem, você poderá ter em outros tipos de dispositivos de tela maior, sejam tablets ou Chromebooks", afirmou.

Por que importa

Jogos mobile populares costumam rodar em resolução reduzida para manter a taxa de quadros aceitável. O upscaling por IA muda essa lógica. O celular renderiza uma imagem em resolução menor e a IA preenche os detalhes para entregar uma imagem em alta resolução. A geração de quadros cria quadros intermediários entre os reais, o que aumenta a fluidez sem exigir mais do hardware. Na prática, o usuário pode jogar com gráficos melhores e sem gastar mais bateria.

A imprensa especializada já chama a tecnologia de "DLSS para Android". Se a promessa se confirmar, celulares com chips Arm, que dominam o mercado, terão recursos antes exclusivos de PCs gamer. As bordas serrilhadas comuns em versões mobile de jogos podem começar a desaparecer.

Impacto

O impacto imediato é no mercado chinês, onde o Xiaomi 18 Fold começa a ser vendido hoje. A Arm, no entanto, planeja levar a tecnologia para o resto do mundo. Bergey afirmou que os chips, os dispositivos e os jogos compatíveis já estão a caminho. Ele não revelou quais outros aparelhos terão o Mali G2-Ultra NX, mas disse que alguns dos próximos "Googlebooks" do Google podem usar a tecnologia gráfica. Os Googlebooks, dispositivos do Google com telas maiores, podem ser um dos próximos destinos da GPU da Arm.

A promessa de até quatro vezes mais quadros por segundo pode pressionar concorrentes de GPU mobile, como Qualcomm e MediaTek, a acelerar suas próprias soluções de upscaling por IA. Isso tende a mudar o padrão de qualidade visual em jogos mobile, um mercado que depende de fluidez para reter jogadores.

O que muda

O Mali G2-Ultra NX, da Arm, chega primeiro ao Xiaomi 18 Fold, mas a Arm deixou claro que a tecnologia é para o mercado global. No ano que vem, celulares, tablets e Chromebooks com a nova GPU devem começar a aparecer. Os jogos também precisarão ser otimizados para as técnicas neurais. Quando isso acontecer, a diferença deve ser visível: jogos mais fluidos, com resolução maior e efeitos de iluminação avançados, sem aumento de consumo de energia.

O que vem agora

A Arm não divulgou a lista de dispositivos que usarão o Mali G2-Ultra NX. Chris Bergey, executivo da Arm, afirmou que a tecnologia estará disponível em celulares no ano que vem e em telas maiores, como tablets e Chromebooks. "Achamos que vai ser enorme", disse ao The Verge. A expectativa é que os próximos passos incluam anúncios de novos parceiros e a chegada de jogos compatíveis com os gráficos neurais.