Barret Zoph, cofundador da Thinking Machines, deixa a OpenAI e vai para o Google

Ex-CTO da startup de IA e veterano da OpenAI agora liderará pesquisa no Gemini, trazendo experiência em RL e pós-treinamento.

Por Marcos Guimarães28 ago 2026
Barret Zoph, cofundador da Thinking Machines, deixa a OpenAI e vai para o Google

O que aconteceu

Barret Zoph, cofundador da startup de IA Thinking Machines, foi contratado pelo Google como vice-presidente de pesquisa. A informação foi confirmada por um porta-voz do Google ao Wall Street Journal e repercutida pelo TechCrunch em 27 de agosto de 2026. Zoph, que também foi CTO da Thinking Machines, passou apenas cinco meses na OpenAI, onde liderava a área de vendas empresariais de IA, antes de sair em junho. Ele já havia trabalhado no Google anteriormente, e agora retorna para contribuir com o Gemini.

A OpenAI, por sua vez, não comentou oficialmente a saída de Zoph, mas o TechCrunch procurou tanto a empresa quanto o Google para obter mais detalhes. O movimento reforça a dança das cadeiras entre executivos de IA que marca o setor nos últimos anos.

Contexto

Zoph passou dois anos na OpenAI e saiu em outubro de 2024 para cofundar a Thinking Machines ao lado de Mira Murati, que havia deixado a OpenAI no mês anterior. Em janeiro de 2026, Zoph e outro cofundador da Thinking Machines, Luke Metz, deixaram dramaticamente a startup para retornar à OpenAI. Pouco depois, foi revelado que Zoph havia sido demitido da Thinking Machines. O retorno não durou: ele ficou apenas cinco meses na OpenAI, período em que foi encarregado de comandar as vendas empresariais de IA da empresa, e saiu em junho.

Agora, Zoph retorna ao Google, onde já trabalhou no passado. O porta-voz do Google disse ao Wall Street Journal: "We look forward to Barret returning to Google and bringing his RL and post-training expertise to Gemini." Ou seja, ele vai levar sua experiência em aprendizado por reforço (RL) e pós-treinamento para o modelo Gemini.

Por que importa

A contratação de Zoph pelo Google é significativa porque ele é um dos nomes mais experientes em pós-treinamento de modelos de IA, área crucial para o desempenho de sistemas como o Gemini. A saída dele da OpenAI também evidencia um problema maior: a alta rotatividade de executivos na empresa, que perdeu vários quadros críticos nos últimos oito meses, mesmo estando próxima de um IPO e sendo uma das presenças mais poderosas do mundo da tecnologia. O turno de lideranças, desde a saída do COO até a perda recente de um dos principais executivos de data center, tem deixado observadores perplexos.

Para o Google, trazer Zoph é um ganho direto de talento num momento em que a corrida por especialistas em IA é acirrada. Para a OpenAI, a saída de mais um executivo sênior questiona a estabilidade interna em um período pré-IPO.

Impacto

No curto prazo, a chegada de Zoph pode acelerar o desenvolvimento de técnicas de pós-treinamento no Gemini, tornando o modelo mais competitivo frente aos rivais. A experiência dele em RL é um diferencial que o Google busca para melhorar a capacidade de raciocínio dos seus sistemas. Já na OpenAI, a perda de Zoph soma-se a outras baixas recentes, o que pode afetar a confiança de investidores e funcionários, especialmente com o IPO no horizonte.

O movimento também reforça a tendência de executivos pulando entre as grandes empresas de IA, algo que se tornou comum no setor. A rotatividade não é exclusiva da OpenAI, mas tem sido especialmente alta lá.

O que muda

Zoph deixa de ser um nome associado à OpenAI e passa a ser peça-chave no Google, o que muda a dinâmica de competição entre as duas empresas. Para a Thinking Machines, a saída dele e de Metz em janeiro já havia sido um golpe, e agora a empresa perde completamente a ligação com um dos seus fundadores. Para o Google, a adição de Zoph ao time do Gemini pode significar avanços mais rápidos em áreas como agenciamento e raciocínio avançado, onde o pós-treinamento é essencial.

Para o mercado, a ida de Zoph ao Google é um sinal de que a guerra por talentos em IA está longe de terminar, e que as empresas estão dispostas a pagar caro por especialistas com histórico comprovado.

O que vem agora

Espera-se que Zoph comece a trabalhar no Google nos próximos meses, integrando a equipe de pesquisa do Gemini. Ele deve focar em melhorias de pós-treinamento e aprendizado por reforço, áreas em que demonstrou expertise durante sua passagem pela Thinking Machines e pela OpenAI. O Google não divulgou prazos específicos para entregas, mas a chegada de um VP de pesquisa dessa envergadura tende a acelerar projetos já em andamento. Enquanto isso, a OpenAI precisará encontrar substitutos para as lacunas deixadas pelas saídas recentes, em um momento crítico de preparação para o IPO.