Berkshire reforça posições em Delta e Alphabet no 2º trimestre
Movimento no segundo trimestre marca início da gestão de Greg Abel no comando dos investimentos da holding.
O que aconteceu
A Berkshire Hathaway Inc. ampliou suas holdings em Delta Air Lines Inc. e Alphabet Inc., controladora do Google, durante o segundo trimestre de 2026. A informação, divulgada pela Bloomberg em 14 de agosto, aponta que Greg Abel, vice-presidente e líder do braço não-seguros da holding, começou a colocar em prática o uso do enorme caixa acumulado pela companhia. A medida representa uma mudança em relação à postura conservadora que Warren Buffett manteve nos últimos anos, priorizando a reserva de liquidez.
Contexto
A Berkshire vem sendo observada de perto por investidores que questionam a estratégia de manter um caixa bilionário sem grandes movimentações. Greg Abel, designado como sucessor de Buffett no comando da holding, sempre sinalizou que pretende ser mais ativo na alocação de capital. A aposta em Delta Air Lines, do setor de aviação, e em Alphabet, gigante de tecnologia, sugere confiança tanto na recuperação do setor de viagens quanto no potencial de longo prazo das big techs, mesmo em um cenário de juros altos e incertezas macroeconômicas.
Por que importa
O movimento da Berkshire é relevante por dois motivos. Primeiro, indica que a gestão de Greg Abel pode ser mais agressiva do que a de Buffett, o que pode impulsionar outras aquisições ou aumentos de participação em empresas listadas. Segundo, a escolha de Delta e Alphabet mostra que Abel está disposto a investir em setores cíclicos e de crescimento, ao mesmo tempo em que diversifica o portfólio da holding. Para o mercado, a notícia é um sinal de que a Berkshire não vê bolhas iminentes nesses segmentos e que há oportunidades de valor percebidas pelo novo comando.
Impacto
No curto prazo, o anúncio deve gerar pressão de compra sobre as ações da Delta e da Alphabet, já que o mercado interpreta o movimento como um selo de confiança de um dos maiores investidores do mundo. No médio prazo, a postura mais ativa de Abel pode levar a Berkshire a reduzir sua posição em caixa, aumentando sua exposição a equities e, potencialmente, influenciando a liquidez e a volatilidade dessas ações. Para os acionistas da holding, a mudança pode ser vista como uma tentativa de melhorar o retorno sobre o capital, que ficou defasado em comparação a índices como o S&P 500 nos últimos anos.
O que muda
A principal mudança é a quebra de paradigma na gestão da Berkshire: a era do caixa excessivo está se encerrando sob a liderança de Greg Abel. A empresa, que historicamente preferia esperar por ativos com preços descontados, passa a agir de forma mais oportunista, aproveitando o momento de valuation atrativo em certos setores. Além disso, o reforço em Delta e Alphabet sinaliza que Abel não teme a exposição a ações com alta correlação com o ciclo econômico, o que pode indicar uma tese de investimento baseada em crescimento secular e não apenas em valor máximo.
O que vem agora
Os próximos passos incluem a divulgação do formulário 13F, que mostrará a composição detalhada do portfólio, e a expectativa de novos movimentos de Abel com o caixa da holding. Analistas acompanharão se a Berkshire continuará a aumentar participações em outras empresas ou se iniciará aquisições inteiras. O mercado também deve ficar atento a comentários de Abel em futuras assembleias ou entrevistas, que podem dar mais cor sobre a estratégia de alocação de capital para o restante do ano.
