Bessent ameaça parceiros do Irã, mas opções reais de sanção são limitadas
Secretário do Tesouro dos EUA promete mirar parceiros comerciais de Teerã, mas análise do Bloomberg aponta limites concretos
O que aconteceu
Em 21 de agosto de 2026, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, anunciou a intenção de intensificar a pressão econômica sobre o Irã, com foco nos países e empresas que mantêm relações comerciais com Teerã. "Você está conosco ou contra nós", disse Bessent em declaração que retoma um famoso discurso da era George W. Bush após o 11 de Setembro.
A estratégia, em tese, é simples: ao ameaçar quem faz negócio com o Irã, Washington busca sufocar ainda mais a economia iraniana, que já sofre com sanções americanas há anos. Porém, a análise do jornalista Stuart Livingstone-Wallace, publicada pelo Bloomberg no mesmo dia, aponta que as ferramentas disponíveis para Bessent são mais limitadas do que a narrativa oficial faz parecer.
Contexto
Os EUA mantêm um regime de sanções severas contra o Irã desde a saída do acordo nuclear (JCPOA) em 2018, durante o primeiro mandato de Donald Trump. Desde o retorno de Trump à Casa Branca em janeiro de 2025, a administração retomou a política de "pressão máxima" contra Teerã. Bessent, que ocupa o cargo de secretário do Tesouro desde o início deste segundo mandato, tem sido um dos porta-vozes dessa linha dura em matéria de política econômica externa.
OIrã, por sua vez, encontrou formas de contornar parte das sanções ao fortalecer vínculos comerciais com China, Rússia e outros países que não seguem o regime de sanções liderado por Washington. Essa realidade é justamente o que complica o trabalho de Bessent.
Por que importa
A declaração de Bessent tem impacto direto para empresas e governos que mantêm relações comerciais com o Irã. A ameaça de sanções secundárias — que penalizam terceiros por fazerem negócios com Teerã — já é uma ferramenta conhecida, mas ampliá-la enfrenta resistência política e econômica de aliados e parceiros que dependem do comércio com a região.
Para o mercado, o sinal é claro: a instabilidade no Golfo Pérsico segue como fator de risco para preços de petróleo e para a geopolítica energética global.
Impacto
No curto prazo, a escalada retórica pode elevar o risco-país percebido em operações ligadas ao Irã e aos seus parceiros comerciais diretos. Empresas com exposição no Oriente Médio podem rever contratos e cadeias de suprimento.
No médio prazo, se Bessent não conseguir alianças mais amplas para enforcement de sanções, a estratégia pode perder força — e Washington pode se ver forçado a escolher entre manter a pressão de forma seletiva ou admitir que a atual arquitetura de sanções atingiu seus limites.
O que vem agora
A aposta de Bessent é política: pressionar publicamente parceiros do Irã para que escolham o lado americano. Mas o resultado dependerá de fatores que estão fora do controle direto do Tesouro — como a disposição da China e de outros atores em desafiar abertamente as sanções dos EUA. A bola, agora, está com os países que fazem negócio com Teerã.
