BlackRock: juro de 30 anos nos EUA atinge maior nível em 25 anos
Estrategista da gestora discute riscos e oportunidades no meio da curva de Treasuries
O que aconteceu
O governo dos Estados Unidos concluiu uma venda de títulos de 30 anos com a maior taxa de juros em 25 anos, segundo dados da Bloomberg. O leilão reflete uma liquidação persistente no mercado de renda fixa, que já levou investidores a especular se o país vai deslocar parte do financiamento para vencimentos mais curtos. O assunto foi analisado por Gargi Chaudhuri, chief investment and portfolio strategist, Americas, da BlackRock, em entrevista a Emily Graffeo no programa Real Yield.
Contexto
A curva de juros americana vem sendo pressionada por fatores como a inflação acima da meta, a pausa do Federal Reserve no ciclo de cortes e o volume elevado de emissões do Tesouro. Quando os juros longos sobem mais do que os curtos, a curva fica mais inclinada, e o chamado "belly" — o trecho intermediário, entre 5 e 10 anos — passa a oferecer uma relação diferente entre risco e retorno. O título do vídeo da Bloomberg, "Stay In The Belly Of The Curve", indica que a mensagem central da estrategista é permanecer nesse trecho.
Por que importa
A taxa de 30 anos é referência para hipotecas, financiamentos corporativos e para a precificação de ativos de risco no mundo inteiro, inclusive no Brasil. Juros longos americanos mais altos tendem a fortalecer o dólar e a pressionar moedas emergentes, além de elevar o custo de rolagem da dívida de países e empresas. Para investidores locais, o movimento também afeta a curva de juros doméstica e a atratividade da renda fixa brasileira.
Impacto
No curto prazo, a especulação de que o Tesouro americano vai concentrar mais emissões em títulos de curta duração pode achatar a curva e reduzir a pressão sobre os vencimentos longos. No médio prazo, porém, o custo de financiamento do governo americano permanece alto, o que tende a encarecer crédito e a limitar o espaço de estímulo fiscal. Para os mercados emergentes, o efeito é dúbio: juros altos nos EUA atraem capital para a renda fixa americana, mas também elevam o prêmio de risco exigido de outros países.
O que muda
A leitura da BlackRock sugere que, em vez de abandonar a renda fixa, os investidores devem olhar com mais atenção para o meio da curva, onde a duration é menor e a sensibilidade à política monetária é diferente. Isso muda a alocação recomendada para carteiras globais e pode influenciar decisões de gestores brasileiros que aplicam no exterior.
O que vem agora
Os próximos leilões do Tesouro americano serão observados de perto para confirmar ou não a mudança na estratégia de financiamento. Também pesam as declarações de dirigentes do Federal Reserve sobre o ritmo da política monetária. A participação de Chaudhuri no Real Yield reforça o debate sobre o ponto de entrada na curva de juros dos EUA — e o "belly" aparece como a resposta da BlackRock.
