Boliden assume controle da Nexa em acordo de US$ 1,3 bilhão

Grupo sueco expande operações para Brasil e Peru ao adquirir participação de controle na produtora de zinco e prata

Por Marcos Guimarães27 ago 2026
Boliden assume controle da Nexa em acordo de US$ 1,3 bilhão

O que aconteceu

A Boliden AB, mineradora sueca focada em metais não ferrosos, anunciou na quinta-feira, 27 de agosto, um acordo para adquirir a fatia da Votorantim SA na Nexa Resources SA, produtora de zinco e prata listada em Nova York. O valor da operação é de US$ 1,3 bilhão, conforme noticiou a Bloomberg. Com a compra, a Boliden passa a ter controle acionário da Nexa e herda as operações da empresa no Brasil e no Peru, dois países com forte tradição mineral.

O negócio foi estruturado como compra direta da participação da Votorantim, o que elimina uma etapa de oferta pública. A Nexa Resources, que mantém sede no Luxemburgo e ações negociadas na Bolsa de Nova York, tinha a Votorantim como acionista de controle desde sua origem. A transação precisa ainda passar por aprovações regulatórias, incluindo órgãos antitruste do Brasil e do Peru.

Contexto

A Nexa Resources nasceu da divisão de metais da Votorantim, o conglomerado industrial brasileiro fundado em 1918. A empresa opera minas de zinco em Minas Gerais, no Brasil, e no Peru, além de refinarias e centros de reciclagem. A Votorantim vinha reduzindo sua exposição ao setor de metais básicos nos últimos anos, e a venda para a Boliden segue essa estratégia de desinvestimento.

A Boliden, por sua vez, é uma das maiores mineradoras da Europa, com operações na Suécia, Finlândia, Noruega e Irlanda. Sua produção é concentrada em zinco, cobre, chumbo, ouro e prata, com refinarias na Escandinávia. A empresa vinha buscando ativos fora da Europa para diversificar a base de recursos, e a Nexa oferece exatamente isso: reservas de classe mundial em duas geografias novas para o grupo, Brasil e Peru.

Por que importa

A aquisição muda o mapa da produção de zinco no continente americano. A Boliden, que até então operava quase exclusivamente no norte da Europa, passa a ter presença direta em países que respondem por uma fatia relevante da oferta global do metal. O Peru é um dos maiores produtores de zinco do mundo, e o Brasil concentra a maior parte das reservas da Nexa, incluindo a mina de Vazante, em Minas Gerais, considerada uma das maiores minas subterrâneas de zinco do planeta.

Para a Nexa, o novo controle sueco deve trazer maior integração com tecnologias de refino e práticas ambientais mais rígidas. A Boliden é conhecida por operar com altos padrões de sustentabilidade e por ter uma das maiores taxas de reciclagem de metais da Europa. A gestão pode acelerar projetos de expansão que estavam parados por falta de capital.

Impacto

No curto prazo, a transação deve injetar capital na Votoramim, que vinha vendendo ativos para reduzir dívida e focar em setores como cimento, energia e agronegócio. O valor de US$ 1,3 bilhão dá fôlego ao conglomerado para novos investimentos ou para recomprar participações.

Para o mercado de zinco, a consolidação é relevante porque a Boliden passa a controlar minas e refinarias em três continentes, ganhando escala para negociar melhor contratos de longo prazo com siderúrgicas e fabricantes de baterias. A prata, subproduto das minas da Nexa, também entra na carteira do grupo sueco, que já tem produção significativa desse metal.

No Brasil, a operação pode significar mais empregos e investimentos em infraestrutura mineral, embora o histórico da Boliden em países emergentes seja limitado. A empresa terá de lidar com questões ambientais e de relacionamento com comunidades locais, algo que a Nexa já vinha administrando em suas unidades.

O que muda

A gestão da Nexa deve trocar de mãos nos próximos meses, com a Boliden indicando novos executivos para o conselho e para as operações no Brasil e no Peru. A companhia, que mantém o status de listada em bolsa, pode passar por um processo de fechamento de capital, uma vez que o controle estará em um único acionista, mas isso não foi detalhado no anúncio.

A marca Nexa, conhecida no setor, tende a ser mantida, mas a governança será unificada com a Boliden. Isso pode levar a uma revisão de contratos de fornecimento, de logística e de parcerias locais, com potencial impacto na cadeia de suprimentos de zinco no Brasil.

O que vem agora

A Boliden deve submeter o acordo aos órgãos reguladores da concorrência no Brasil e no Peru, além de aguardar aval de autoridades do Luxemburgo, onde a Nexa tem sede. O fechamento da transação é esperado para o primeiro semestre de 2027, segundo fontes próximas ao negócio citadas pela Bloomberg.

No mercado, analistas já especulam que a Boliden pode usar a Nexa como plataforma para adquirir outros ativos na América do Sul, incluindo minas de cobre e lítio. A empresa não se pronunciou oficialmente sobre planos futuros, mas a compra da participação da Votorantim é o maior movimento da mineradora sueca fora da Europa em sua história.

As ações da Boliden subiram após o anúncio, enquanto os papéis da Nexa foram suspensos temporariamente na Bolsa de Nova York. A Votorantim, por sua vez, confirmou a venda por meio de comunicado interno, segundo a Bloomberg, sem detalhar o destino dos recursos.