Bootcamp de US$ 699 de Harvard usa avatares de IA para treinar empreendedores

Programa de oito semanas usa réplicas digitais de professores para dar feedback em pitches e reuniões de conselho.

Por Marcos Guimarães22 ago 2026
Bootcamp de US$ 699 de Harvard usa avatares de IA para treinar empreendedores

O que aconteceu

A Harvard Business School (HBS) lançou o HBS Foundry, um bootcamp de oito semanas para empreendedores, com mensalidade de US$ 699. O programa usa avatares de IA criados pela startup HeyGen para fornecer feedback individual durante simulações de pitches e reuniões de conselho. As sessões ao vivo com instrutores acontecem toda semana, mas são os avatares que avaliam os alunos nas práticas.

A jornalista do New York Times Sarah Kessler testou o sistema ao apresentar um pitch para um avatar de Jeff Bussgang, cofundador da Flybridge Capital. Segundo Kessler, tanto o Bussgang real quanto sua réplica digital não se impressionaram com a ideia de um "Uber para bananas", mas a versão virtual exibiu um sorriso congelado durante a apresentação.

A diretora do projeto, Katharina Rings, disse que inicialmente imaginou o componente de IA como algo próximo de um chatbot. No entanto, depois que a HBS lançou uma versão de teste, os alunos pediram uma experiência mais guiada, o que levou ao formato atual com avatares.

Contexto

A HBS busca expandir seu alcance usando tecnologia para oferecer mentoria personalizada em escala. O HBS Foundry é uma tentativa de democratizar o acesso a métodos da escola, que tradicionalmente cobra valores altos em seus programas executivos. O bootcamp de US$ 699 é um valor relativamente baixo para o padrão da instituição.

Embora alguns estudantes universitários tenham demonstrado rejeição ao uso de IA em educação, os participantes do Foundry disseram a Kessler que gostam dos avatares. Jeff Bussgang reconheceu que sua cópia digital é um pouco "assustadora", mas afirmou: "Meus alunos adoram". A reação positiva dos alunos contrasta com a resistência vista em outros ambientes acadêmicos.

Por que importa

O HBS Foundry representa um modelo novo de ensino executivo: feedback individualizado sem a presença física do professor. Para empreendedores que não podem pagar por mentoria cara, o programa oferece prática repetida em situações de alto risco, como apresentar a investidores ou conduzir reuniões de conselho. Os avatares permitem errar sem constrangimento, algo que nem sempre é possível em sessões ao vivo.

A escolha da HeyGen, uma startup especializada em vídeos com avatares, mostra que a HBS está apostando em tecnologia de ponta para escalar sua metodologia. O preço de US$ 699 por oito semanas equivale a cerca de R$ 3,8 mil, um valor acessível para muitos profissionais, mas ainda relevante para o mercado brasileiro.

Impacto

No curto prazo, os participantes do Foundry ganham mais oportunidades de prática e feedback do que teriam em um curso tradicional. A combinação de sessões ao vivo com avatares cria um ambiente híbrido que pode aumentar a retenção de conhecimento. No médio prazo, a HBS pode expandir o uso de avatares para outros cursos, como MBAs e programas de educação executiva.

Para a HeyGen, a parceria com Harvard é um selo de credibilidade que pode abrir portas no setor educacional. Outras instituições podem seguir o exemplo, adotando avatares para reduzir custos e ampliar o alcance. O modelo também levanta questões sobre o papel dos professores humanos, que continuam essenciais nas sessões ao vivo, mas dividem espaço com suas réplicas digitais.

O que vem agora

O HBS Foundry segue com sessões ao vivo semanais, e a HBS deve monitorar os resultados para decidir se expande o programa. A diretora Katharina Rings não descartou ajustes no formato, com base no feedback dos alunos. A HeyGen, por sua vez, pode buscar novas parcerias com escolas de negócios e universidades, aproveitando o case de Harvard.

O bootcamp de US$ 699 é um teste para a educação executiva baseada em IA. Se os resultados forem positivos, é provável que outras instituições adotem avatares semelhantes. Para os empreendedores, a oportunidade de treinar com réplicas digitais de professores de Harvard pode se tornar um padrão no setor.