Breakthrough Energy de Bill Gates aposta em 21 startups de energia

Coorte do programa Fellows inclui Borealis Fusion e StarWarden e mira eletrificação que deve multiplicar o consumo elétrico

Por Marcos Guimarães22 set 2026
Breakthrough Energy de Bill Gates aposta em 21 startups de energia

O que aconteceu

A Breakthrough Energy anunciou nesta terça-feira (22) a sexta turma de seu programa Fellows, formada por 21 startups que atuam em áreas como agricultura, fusão nuclear, robótica e eficiência energética em data centers. O TechCrunch teve acesso exclusivo à lista antes da divulgação pública.

É a primeira coorte divulgada desde a saída de Ashley Grosh, que liderava o programa Fellows e deixou o cargo para se tornar sócia da WovenEarth Ventures. No intervalo, o diretor sênior Benjamin Gaddy assumiu como diretor interino enquanto a organização define os próximos passos, segundo Eric Toone, managing partner da Breakthrough Energy Ventures.

Entre as apostas da nova turma está a Borealis Fusion, que persegue energia de fusão usando combustível de próton-boro. O material é amplamente disponível, mas difícil de aquecer até as temperaturas necessárias para ignitar reações de fusão. Outra aposta em fusão é a StarWarden, que trabalha em tecnologia de gestão de calor para futuros reatores. Já Bedrock Semiconductor, K1 Semiconductor e Vari Flux buscam extrair mais eficiência de componentes semicondutores.

Contexto

A nova coorte mantém a fórmula que definiu as edições anteriores do Fellows. A Breakthrough Energy financia empresas em estágio inicial e assume riscos altos na expectativa de retornos grandes. Foi essa lógica que trouxe para a turma a Borealis Fusion, cujo caminho tecnológico é considerado de alto risco.

"Você nunca vai financiar coisas bobas, mas o nome do jogo aqui é fazer grandes apostas e esperar grandes retornos", disse Eric Toone ao TechCrunch. O managing partner da Breakthrough Energy Ventures descreveu o combustível de próton-boro como um alvo ambicioso, mas com potencial de baratear bastante a energia caso funcione.

O pano de fundo é a eletrificação de setores inteiros da economia para reduzir emissões de carbono. Para Eric Toone, esse movimento fará a atual corrida por energia parecer pequena. "Eletrificar tudo implica um aumento de 3x na demanda por eletricidade", afirmou o managing partner da Breakthrough Energy Ventures.

Por que importa

O interesse da Breakthrough Energy nos data centers de IA não é o mesmo da maioria do mercado. Eric Toone descreve os data centers como um sinal de alerta, não como o problema em si. "Data centers são um aumento de 10% contra uma demanda basicamente estável de eletricidade nos últimos 30 anos. Parece um salto grande, mas os data centers são absolutamente o canário na mina de carvão", disse ele ao TechCrunch. "Você está perseguindo um aumento massivo e futuro na demanda por eletricidade."

Na prática, isso significa que a demanda atual puxada por IA é apenas o começo. A Breakthrough Energy aposta que a eletrificação de transportes, indústria e aquecimento vai elevar o consumo a um patamar que torna o debate atual sobre energia para data centers um problema secundário.

Impacto

Para o setor de tecnologia, a mensagem é que eficiência energética deixa de ser tema de sustentabilidade e passa a ser gargalo de infraestrutura. As três startups de semicondutores da coorte (Bedrock Semiconductor, K1 Semiconductor e Vari Flux) atacam exatamente esse ponto, buscando chips que consumam menos energia.

No caso da fusão, o impacto potencial é de longo prazo e de escala global. Benjamin Gaddy, diretor interino do programa Fellows, afirmou ao TechCrunch que, se a Borealis Fusion conseguir dominar o combustível de próton-boro, "você poderia chegar a um custo de energia muito mais baixo". A StarWarden, por sua vez, ataca um problema prático dos reatores de fusão: como gerenciar o calor gerado.

O que muda

O programa Fellows chega à sexta edição sem a liderança que o estruturou. A saída de Ashley Grosh para a WovenEarth Ventures abre uma transição que ainda não tem definição fechada. Benjamin Gaddy, diretor sênior, ocupa o cargo de diretor interino do programa enquanto a Breakthrough Energy decide o formato daqui em diante.

Para as 21 startups selecionadas, o apoio significa capital inicial e acesso à rede de investidores da Breakthrough Energy, organização fundada por Bill Gates. A Breakthrough Energy mantém a tese de que apostas tecnológicas de alto risco são necessárias para viabilizar a transição energética.

O que vem agora

As startups da sexta turma devem iniciar seus trabalhos com o suporte do programa Fellows nos próximos meses. A Borealis Fusion segue no caminho mais incerto, tentando provar que é possível ignitar fusão com próton-boro. A StarWarden vai testar sua tecnologia de gestão de calor para futuros reatores.

A Breakthrough Energy ainda não anunciou quem comandará o programa Fellows de forma definitiva. Benjamin Gaddy segue como diretor interino, e a organização não deu prazo para a decisão, segundo Eric Toone.

Fontes

TechCrunch, "Bill Gates' Breakthrough Energy bets these 21 startups will shape energy's future" (https://techcrunch.com/2026/09/22/bill-gates-breakthrough-energy-bets-these-21-startups-will-shape-energys-future/)