Call of Duty 2 sinalizou o fim do reinado de Halo, diz IGN
Em artigo para o 25º aniversário do Xbox, colunista da IGN revisita o FPS da Infinity Ward que marcou a virada em 2005.
O que aconteceu
A IGN publicou um artigo de opinião assinado por Ryan McCaffrey defendendo que Call of Duty 2 sinalizou o começo do fim do reinado de Halo como o rei dos shooters de console. O Call of Duty 2, jogo da desenvolvedora Infinity Ward, chegou ao mercado em 2005 como um dos títulos de lançamento do Xbox 360, o novo console da Microsoft. McCaffrey, que trabalhou na Official Xbox Magazine de 2002 a 2012 e segue na IGN como "o cara do Xbox", conta que jogou o Call of Duty original no PC, em 2003, e gostou do que viu. A expectativa para a sequência, porém, só aumentou depois da visita dele ao estúdio Infinity Ward no verão de 2005, quando ele foi fazer uma matéria de capa sobre o game. Em uma missão inicial da campanha, o que chamou atenção foi a fumaça volumétrica: com o poder extra do Xbox 360, as granadas de fumaça ganharam papel central no design das fases, pois serviam para esconder o jogador da visão dos inimigos e permitiam avanços mais ousados.
Contexto
O Xbox original, de 2001, teve Halo: Combat Evolved como seu aplicativo matador, mas quase nada além disso na estreia. O Xbox 360, por sua vez, chegou com uma lista de lançamento bem mais recheada, incluindo Project Gotham Racing 3, Condemned: Criminal Origins e o próprio Call of Duty 2. Ainda assim, nenhum desses jogos era tratado como um sucesso garantido no nível de Halo. Segundo o artigo da IGN, Call of Duty 2 não era o título mais aguardado do lançamento, apesar de o primeiro Call of Duty, lançado em 2003 para PC, ter sido bem recebido. A franquia Call of Duty, hoje uma das maiores do mundo dos games, era vista na época apenas como um ótimo FPS de Segunda Guerra Mundial. Para McCaffrey, a diferença entre as gerações ficou evidente na estreia: o primeiro Xbox dependia de um único jogo para justificar a compra, enquanto o novo console oferecia um leque mais variado, mesmo sem um campeão claro.
Por que importa
Call of Duty 2 mostrou o que o Xbox 360 era capaz de fazer, tanto no visual quanto no som. O jogo da Infinity Ward usou os efeitos de fumaça volumétrica e o áudio surround como parte da jogabilidade, e não como simples enfeite técnico. McCaffrey destaca que o Xbox original já tinha suporte a 5.1, mas o novo console levou isso a outro nível. Não por acaso, ele passou a esperar Call of Duty 2 mais do que qualquer outro jogo da linha de lançamento do Xbox 360. Para a série Halo, o impacto foi simbólico: ela deixou de ser o único padrão de referência para FPS nos videogames. A avaliação do colunista da IGN é de que Call of Duty 2 foi o jogo certo na hora certa, um título que servia de vitrine para o hardware e, ao mesmo tempo, funcionava muito bem como game independente da plataforma.
Impacto
A curto prazo, Call of Duty 2 estabeleceu um novo patamar técnico para os FPS de console, com fumaça volumétrica e som surround integrados ao design das missões. A médio prazo, a franquia Call of Duty, da Infinity Ward, cresceu até se tornar uma das maiores do setor, como o próprio McCaffrey lembra ao dizer que leitores mais jovens não imaginam uma época em que ela não era gigante. O artigo também traz um registro de como a imprensa de games funcionava em 2005: as revistas eram fechadas com semanas de antecedência, por causa do tempo de impressão e entrega aos assinantes, o que moldava o calendário de anúncios e expectativas da indústria. McCaffrey admite que Call of Duty 2 provavelmente não se sustentaria bem hoje, mas afirma que, para quem viveu a época, foi um baita momento na história do Xbox.
O que muda
Para quem jogou em 2005, Call of Duty 2 foi a prova mais concreta do salto geracional do Xbox 360. Para a Microsoft, o jogo reforçou a linha de lançamento do console, que era mais forte do que a do Xbox original, mas ainda sem um fenômeno imediato do porte de Halo. Na leitura do artigo da IGN, o jogo da Infinity Ward fez a ponte entre duas eras dos shooters de console, e o reinado de Halo começou a dar sinais de queda.
O que vem agora
O texto de Ryan McCaffrey faz parte da série de memórias que a IGN preparou para o 25º aniversário do Xbox, na qual ele promete revisitar outros momentos marcantes da plataforma. O artigo também funciona como registro histórico de uma época em que a Infinity Ward recebia a imprensa para apresentar seus jogos com exclusividade. Outros capítulos dessa retrospectiva devem ser publicados até a data oficial do aniversário, com novas lembranças do veterano que acompanhou a marca desde o início.
