Casal explora venda da Palmer Square, firma de crédito de US$ 37 bi

Chris e Angie Long comandam gestora que virou uma das maiores emissoras de CLOs do mercado

Por Marcos Guimarães9 set 2026
Casal explora venda da Palmer Square, firma de crédito de US$ 37 bi

O que aconteceu

Na terça-feira (9), a Bloomberg revelou no programa Bloomberg Deals que a Palmer Square Capital Management, administradora de US$ 37 bilhões em ativos de crédito, está sendo avaliada para venda. O casal Chris e Angie Long, sócios e principais executivos da gestora, decidiu explorar a saída do negócio. A informação foi trazida pelo repórter Matt Monks, que participou do programa com a apresentadora Scarlet Fu.

A Palmer Square, como é conhecida no mercado, concentra sua atuação em produtos de crédito estruturado, com destaque para CLOs (collateralized loan obligations), instrumentos que empacotam empréstimos a empresas e os revendem em tranches para investidores. Ao longo da gestão de Chris e Angie Long, a companhia cresceu até entrar no seleto grupo dos maiores emissores desse tipo de papel. A própria empresa, fundada pelo casal, passou de uma pequena gestora para uma plataforma de US$ 37 bilhões em ativos.

Contexto

CLOs são uma das principais alternativas de financiamento para empresas alavancadas desde a crise de 2008. Gestoras como a Palmer Square montam carteiras com esses empréstimos e estruturam títulos com diferentes graus de risco. Quanto maior o apetite do investidor por risco, maior o retorno oferecido.

Foi sob a liderança de Chris e Angie Long que a Palmer Square cresceu a ponto de se posicionar entre as maiores emissoras de CLOs. Não há no material informações sobre a data de fundação ou o histórico anterior dos Long, mas o fato de a empresa ser comandada por um casal chama atenção no mercado financeiro, onde a maioria das grandes gestoras é controlada por fundos ou executivos sem laços familiares.

Por que importa

Uma eventual troca de controle na Palmer Square mexe com uma peça relevante da indústria de crédito estruturado. O porte de US$ 37 bilhões em ativos significa que decisões de investimento e estratégia da gestora reverberam no mercado de CLOs como um todo. Fundadores com perfil de longo prazo, como Chris e Angie Long, podem ser substituídos por novos donos com metas diferentes de retorno e apetite a risco.

Para o setor de CLOs, a notícia sinaliza um possível movimento de consolidação. Uma das maiores emissoras do segmento, dona de um portfólio bilionário, passa a avaliar uma transação que pode alterar a dinâmica de oferta desses papéis. Além disso, o fato de ser uma empresa familiar, criada e tocada por um casal, adiciona uma camada de complexidade: a depender do comprador, a gestão pode mudar por completo.

Impacto

Em um cenário de crédito privado em expansão no mundo, a venda de uma plataforma como a Palmer Square deve atrair interessados de três frentes: grandes gestores globais de crédito, bancos e fundos de private equity. Compradores desse tipo de ativo buscam portfólio já consolidado e equipe experiente. A eventual saída de Chris e Angie Long, entretanto, pode retirar da mesa o principal ativo intangível da empresa: a reputação dos fundadores no relacionamento com investidores.

Além disso, a transação pode criar um precedente para outras gestoras familiares de crédito que avaliam saída do capital. O mercado observa, por exemplo, se os Long venderão a totalidade da firma ou manterão participação minoritária. Ainda não há detalhes sobre estrutura do negócio.

O que muda

Nada muda de imediato para os investidores em CLOs geridos pela Palmer Square. Os contratos e as carteiras seguem sob administração da gestora até que uma operação seja de fato assinada. A mudança concreta está na expectativa do mercado: players de crédito passam a monitorar eventuais anúncios de assessores contratados, demonstrativos financeiros e movimentações societárias.

O nome de outros fundos de crédito passou a ser cotado como potencial comprador, mas nenhuma parte confirmou conversas. A Bloomberg apenas informou que o casal explora a venda, sem citar valores, prazos ou possíveis interessados.

O que vem agora

A Bloomberg não informou prazos nem valores de uma eventual transação. O casal Chris e Angie Long ainda não se manifestou publicamente. O caminho mais comum nesse tipo de processo é a contratação de um banco de investimento para conduzir a sondagem de compradores. Como se trata de uma exploração inicial, não há garantia de que a venda se concretize. O mercado acompanha os próximos passos dos Long, que precisam equilibrar a continuidade do negócio com a possibilidade de uma saída bilionária.

FONTES: Bloomberg – https://www.bloomberg.com/news/videos/2026-09-09/husband-wife-explore-sale-of-37b-credit-firm-video