Cherry MX ULP: a tecnologia de teclado que o mercado abandonou

Teclado Corsair K100 Air mostrou em 2022 o potencial dos switches ultrabaixos, mas a indústria seguiu outro caminho.

Por Marcos Guimarães27 ago 2026
Cherry MX ULP: a tecnologia de teclado que o mercado abandonou

O que aconteceu

O Corsair K100 Air Wireless foi lançado em 2022 como um dos teclados mais caros que o jornalista da IGN já testou, e também um dos melhores. O destaque não era o RGB, o software iCUE ou a conexão sem fio, mas sim os switches Cherry MX Ultra Low Profile, conhecidos como Cherry MX ULP. A tecnologia usava um mecanismo diferente dos switches mecânicos tradicionais: metal "wings" que pivotam sobre o atuador, em vez de uma haste plástica pressionando contatos. Isso permitiu uma altura total de comutação de 3,5mm, um curso de tecla de apenas 1,8mm e um teclado com apenas 17mm de espessura no ponto mais grosso.

Os switches Cherry MX ULP, da Cherry, foram projetados para permitir essa redução extrema de perfil sem sacrificar a resposta tátil. A Cherry, fabricante alemã de switches, desenvolveu o mecanismo com as asas metálicas que substituem o sistema de haste tradicional. O resultado, segundo a análise da IGN, foi um teclado fino que não parecia um teclado de notebook, mas sim um mecânico de verdade, com um toque que muitos considerariam superior.

Contexto

A indústria de teclados mecânicos já tinha switches de perfil baixo antes do K100 Air. Produtos como o Corsair K60 RGB Pro Low Profile e o Logitech G915 X Lightspeed usavam switches reduzidos, mas ainda seguiam o mesmo mecanismo básico de um switch downsized. A diferença para o ULP, da Cherry, é estrutural: em vez de reduzir o tamanho de um design existente, a Cherry criou um mecanismo completamente novo. As asas metálicas pivotam sobre o atuador, o que permitiu a altura de 3,5mm, contra os cerca de 11mm de um Cherry MX tradicional.

O jornalista da IGN, que revisou o K100 Air em 2022, destaca que a indústria usa o termo "slim" para produtos que resolvem problemas diferentes. Um teclado de perfil baixo e um de ultrabaixo não são apenas uma diferença de grau, mas quase categorias distintas. O K100 Air Wireless, segundo a análise, continua sendo a melhor demonstração dessa tecnologia, e ainda assim é subestimado.

Por que importa

O abandono da tecnologia Cherry MX ULP tem impacto direto para quem busca teclados finos sem perder a experiência mecânica. O K100 Air Wireless mostrou que é possível ter um teclado mecânico de 17mm de espessura, com curso de 1,8mm, algo que até hoje pouquíssimos produtos oferecem. Para o consumidor, significa menos opções no mercado. Para a indústria, significa que uma inovação genuína, com potencial de mudar o formato dos teclados, foi deixada de lado sem explicação clara.

Os switches Cherry MX ULP, da Cherry, poderiam ter impulsionado uma nova geração de laptops e teclados ultrafinos com resposta mecânica. O fato de não terem sido adotados pela indústria representou uma perda para o desenvolvimento de produtos que unem portabilidade e qualidade de digitação. O mercado seguiu apostando em switches tradicionais ou em versões reduzidas, mas não no design revolucionário da Cherry.

Impacto

O impacto é sentido principalmente na variedade de produtos disponíveis. Se a tecnologia ULP tivesse se popularizado, seria possível encontrar mais teclados com menos de 20mm de espessura, ideais para quem viaja ou trabalha em espaços reduzidos. O K100 Air Wireless continua sendo uma raridade, e os consumidores interessados nesse perfil precisam recorrer a ele ou a poucos outros modelos que usam tecnologia similar, caso existam.

Para a Cherry, a falta de adoção da indústria pode ter desestimulado novos investimentos na plataforma. O mecanismo com asas metálicas, embora inteligente, exigia custo e complexidade de fabricação que talvez não tenham se justificado após a baixa demanda. O resultado é que a inovação ficou restrita a um único grande fabricante, a Corsair, que a incorporou no K100 Air Wireless, e não se expandiu para outras marcas ou para o mainstream.

O que muda

A médio prazo, a expectativa é que a Cherry e outras fabricantes reavaliem o potencial do ULP, especialmente com o crescimento de teclados para notebooks e híbridos. O custo de produção tende a cair com o tempo, e a demanda por dispositivos mais finos não mostrou sinais de diminuir. O K100 Air Wireless, apesar de caro, provou que é possível conciliar uma espessura de 17mm com a sensação de um mecânico.

Se um novo modelo com switches ULP for lançado, ele pode reacender o interesse dos entusiastas. A análise da IGN sugere que a tecnologia continua relevante e que a indústria deixou algo valioso para trás. O desafio é a Cherry encontrar um parceiro disposto a apostar novamente em uma plataforma que não teve a adoção que merecia.

O que vem agora

A Cherry não anunciou oficialmente novos planos para a linha MX ULP. O K100 Air Wireless continua sendo o principal produto com essa tecnologia, e a Corsair pode ou não atualizá-lo. Enquanto isso, o mercado segue com switches tradicionais, e os consumidores que experimentaram o ULP continuam lembrando da sensação única que ele proporcionava.

Para quem se interessa pelo assunto, o único caminho é buscar o K100 Air Wireless no mercado de usados ou esperar que a indústria, eventualmente, perceba o potencial do Cherry MX ULP e traga essa tecnologia de volta para os desktops. Até lá, ela permanece como uma das inovações mais interessantes da última década, mas ainda subutilizada.