Como funcionam os modelos de linguagem LLM: guia completo

Tokens, Transformers, pré-treinamento e inferência: o caminho completo do texto até a resposta

Por Marcos Guimarães11 set 2026
Como funcionam os modelos de linguagem LLM: guia completo

Um Large Language Model (LLM, ou grande modelo de linguagem) é um programa treinado para prever a próxima parte de um texto. Um grande modelo de linguagem funciona como um motor estatístico de previsão. Ele não 'entende' o mundo como um humano. Ele calcula, a cada passo, qual token tem maior probabilidade de vir em seguida, dado tudo o que veio antes.

O GPT-4, o Claude e o Gemini são LLMs. Todos seguem essa mesma lógica de base.

Tokens: a menor unidade que o modelo enxerga

LLMs não leem letras nem palavras. Eles leem tokens. Um token é um pedaço de texto, que pode ser uma palavra curta, parte de uma palavra ou um sinal de pontuação.

A frase 'modelos de linguagem' pode virar algo como ['model', 'os', ' de', ' lingu', 'agem']. Em média, 1 token equivale a cerca de 4 caracteres em inglês e um pouco menos em português, que tem palavras mais longas.

Esse detalhe tem consequência prática. Limites de contexto, preços de API e velocidade de resposta são medidos em tokens, não em palavras. Um prompt de 500 palavras pode consumir 700 tokens em PT-BR.

A arquitetura Transformer e o mecanismo de atenção

O salto que tornou os LLMs viáveis foi o Transformer, apresentado no artigo 'Attention Is All You Need', de 2017, por pesquisadores do Google. Antes dele, modelos liam texto em sequência, palavra por palavra, o que era lento e limitado.

O Transformer processa o texto inteiro em paralelo. O coração disso é a atenção (self-attention). A atenção permite que o modelo pese a relevância de cada token em relação a todos os outros.

Exemplo: na frase 'O banco estava fechado, então fui a outro banco', a atenção ajuda o modelo a ligar 'banco' a 'fechado' (instituição) e não a 'rio'. Esse cálculo de relevância acontece em várias camadas empilhadas, cada uma refinando a representação.

Treinamento em etapas

Um LLM não nasce pronto. Ele passa por fases distintas.

**1. Pré-treinamento.** O modelo lê volumes gigantescos de texto da internet, livros e código. Ele aprende a prever tokens mascarados ou a próxima palavra. Nessa fase surgem gramática, fatos e raciocínio básico, mas também vieses e erros.

**2. Ajuste fino supervisionado.** Aqui o modelo é treinado com exemplos de perguntas e respostas bem escritas. Ele aprende o formato de assistente: responder, não apenas continuar o texto.

**3. RLHF (Reinforcement Learning from Human Feedback).** Avaliadores humanos comparam respostas e dizem qual é melhor. O modelo ajusta seu comportamento para produzir saídas mais úteis, seguras e alinhadas. É o que faz um modelo bruto virar um assistente educado.

Como o modelo gera texto: inferência passo a passo

A geração (inferência) é um loop. Veja o que acontece quando você envia um prompt:

1. **Tokenização.** Seu texto é quebrado em tokens.

2. **Embeddings.** Cada token vira uma lista de números (vetor) que representa seu significado.

3. **Camadas de atenção.** Os vetores passam por dezenas de camadas, que misturam contexto e refinam o significado.

4. **Cálculo de probabilidades.** O modelo gera uma pontuação para cada token possível do vocabulário.

5. **Amostragem.** Um token é escolhido com base nessas probabilidades e na temperatura.

6. **Repetição.** O token escolhido volta ao início do processo, e o modelo gera o próximo. Isso se repete até atingir um marcador de fim.

Esse é o motivo pelo qual a resposta aparece 'digitando'. Cada palavra é uma passada completa pela rede.

Parâmetros, contexto e temperatura

Três números explicam quase todo o comportamento prático de um LLM.

  • **Parâmetros:** os pesos ajustáveis da rede. Um modelo com 70 bilhões de parâmetros tem 70 bilhões de valores calibrados no treino. Mais parâmetros, em geral, significa mais capacidade, mas também mais custo.
  • **Janela de contexto:** quantos tokens o modelo consegue 'ver' de uma vez. Se o histórico ultrapassa o limite, o começo é descartado.
  • **Temperatura:** controla o grau de aleatoriedade. Temperatura baixa gera respostas previsíveis e repetitivas. Temperatura alta gera variedade, mas aumenta o risco de erro.

Limites que você precisa conhecer

LLMs falham de formas específicas.

**Alucinação.** O modelo inventa fatos com confiança. Ele foi treinado para prever texto plausível, não para checar verdade.

**Corte de conhecimento.** O treinamento tem uma data limite. Eventos posteriores não estão no modelo, a menos que ele use busca externa.

**Contexto limitado.** Conversas longas perdem informação antiga quando estouram a janela.

**Custo e latência.** Cada token processado consome computação. Modelos grandes são caros de rodar em escala.

Onde LLMs são usados hoje

Grandes modelos de linguagem estão em assistentes de código como o GitHub Copilot, em chatbots de atendimento, em resumidores de documentos, em tradução e em busca semântica. Aplicações de LLM vão de geração de texto a classificação, extração de dados e agentes que executam tarefas em sequência.

Erros comuns de quem está começando

  • Tratar a resposta como verdade absoluta sem verificar fontes.
  • Ignorar o limite de contexto e enviar documentos enormes de uma vez.
  • Usar temperatura alta em tarefas que exigem precisão.
  • Achar que o modelo 'lembra' de conversas anteriores. Ele só vê o que está no contexto atual.

FAQ

Um LLM realmente entende o que escreve?

Não no sentido humano. Ele modela padrões estatísticos de linguagem. O resultado pode parecer compreensão, mas não há consciência nem intenção.

Qual a diferença entre LLM e IA generativa?

LLM é um tipo de modelo de linguagem. IA generativa é o guarda-chuva que inclui também modelos de imagem, áudio e vídeo.

Por que o modelo às vezes erra contas simples?

Porque ele prevê tokens, não executa aritmética de verdade. Ferramentas externas de cálculo resolvem isso.

Preciso saber programar para usar um LLM?

Não. Mas APIs e plataformas como OpenAI, Anthropic e Google Cloud oferecem controle fino para quem quer integrar modelos a sistemas próprios.

O que é fine-tuning?

É o ajuste fino de um modelo já treinado com dados específicos do seu domínio, para melhorar desempenho em tarefas particulares.