Confiança no dólar está enfraquecida, diz Jane Foley, do Rabobank
Chefe de estratégia cambial do Rabobank analisa reação do dólar aos dados de emprego nos EUA e aposta no CPI como próximo teste
O que aconteceu
Jane Foley, responsável pela estratégia de câmbio (FX) do Rabobank, declarou nesta segunda-feira (7 de setembro de 2026) que a confiança no dólar está "enfraquecida". A avaliação foi feita em entrevista à Bloomberg Television, no mesmo dia em que o mercado digeria dados de criação de vagas nos Estados Unidos (payrolls) acima do esperado.
A leitura de Foley sobre a confiança enfraquecida no dólar ganhou destaque justamente porque veio em um cenário de dados de emprego fortes, situação que normalmente sustentaria a moeda americana. A estrategista do Rabobank também comentou o que o próximo dado de inflação ao consumidor, o CPI, pode significar para o câmbio.
"Se esse número vier no lado mais forte das expectativas, ainda teremos um pequeno impulso para o dólar", disse Foley à Bloomberg Television.
Contexto
O dólar reage de forma imediata aos principais indicadores econômicos dos Estados Unidos. Dados de payrolls acima do consenso tendem a reforçar a percepção de economia aquecida e, por consequência, a sustentar a moeda americana, porque aumentam as apostas em juros mais altos por mais tempo no Federal Reserve.
O comentário de Foley mostra que essa mecânica vem funcionando de forma mais fraca do que o habitual. Segundo a análise da chefe de estratégia cambial do Rabobank, mesmo com payrolls surpreendendo para cima, o ganho do dólar foi limitado, o que reforça a tese de confiança enfraquecida na moeda.
O próximo ponto de atenção apontado por Foley é o CPI, o índice de preços ao consumidor americano. A inflação é hoje um dos dados mais monitorados pelo mercado cambial, porque influencia diretamente a trajetória de juros do Fed e, com isso, o fluxo de capitais para o dólar.
Por que importa
Para investidores e empresas com exposição ao câmbio, a leitura do Rabobank indica que o dólar pode não responder com a mesma força a notícias positivas da economia americana. Isso muda a gestão de risco de fundos, exportadores e importadores que usam o dólar como referência.
Para o Brasil, o sinal é relevante. A confiança enfraquecida no dólar, descrita por Foley, tende a aliviar a pressão sobre moedas emergentes, incluindo o real, e pode reduzir o custo de proteção cambial para empresas brasileiras com dívida ou compras em moeda estrangeira.
Impacto
No curto prazo, o mercado deve tratar cada dado americano como um teste da tese de Foley. Se o próximo CPI vier acima das expectativas, a própria estrategista do Rabobank projeta um "pequeno impulso" para o dólar. Se vier em linha ou abaixo, a narrativa de confiança enfraquecida tende a se fortalecer e a pressionar a moeda.
No médio prazo, um dólar menos responsivo a dados fortes abre espaço para valorização de ativos em moedas emergentes e reduz o custo de financiamento externo para economias como a brasileira. O risco é a reversão: um CPI consistentemente acima do esperado pode devolver ao dólar o papel de refúgio.
O que muda
A principal mudança é de leitura de mercado. A análise de Jane Foley sugere que o ciclo de força automática do dólar frente a bons dados americanos perdeu parte da eficácia. Gestores de câmbio precisam considerar que payrolls fortes, isoladamente, podem não ser suficientes para sustentar a moeda americana.
O que vem agora
O próximo dado de CPI dos Estados Unidos é o gatilho imediato. O mercado vai observar se a inflação vem no "lado mais forte das expectativas", na expressão de Foley, ou se confirma a leitura de confiança enfraquecida no dólar. Até lá, a estratégia cambial do Rabobank deve seguir como referência para investidores que acompanham o par euro-dólar e o câmbio das economias emergentes.
