Consumo segue forte apesar da alta do petróleo, diz CEO do Bank of America
Brian Moynihan afirma que dados do banco mostram crédito e gastos saudáveis, mas juros altos pesam em pequenas empresas
O que aconteceu
O CEO do Bank of America, Brian Moynihan, disse nesta quarta-feira que os dados do banco mostram que o consumidor americano continua gastando e pagando suas contas apesar da alta dos preços da gasolina. A declaração foi dada no programa "Mad Money", da CNBC.
"Os consumidores gastaram em agosto cerca de 4% mais do que gastaram em agosto do ano passado", afirmou Moynihan. "No último trimestre foi 5%, então está andando bem. Isso é consistente com uma economia forte e em crescimento."
O executivo resumiu o quadro em uma frase: "Tudo o que vemos está bem". Segundo ele, as estatísticas de crédito do Bank of America "são as melhores dos últimos anos".
Contexto
As declarações chegam em um momento de tensão no mercado de energia. Os preços subiram ao longo de agosto e de setembro em meio ao agravamento das tensões entre os Estados Unidos e o Irã. O barril do Brent chegou a superar US$ 100 nesta quarta-feira.
A alta do petróleo acendeu o temor de que a gasolina mais cara comprima o orçamento das famílias e reduza o consumo, motor principal da economia americana. É nesse cenário que o diagnóstico do Bank of America ganha peso.
Investidores acompanham executivos de grandes bancos como Moynihan porque eles oferecem uma leitura quase em tempo real da economia. Os milhões de clientes do Bank of America dão ao banco visibilidade sobre gastos, salários e crédito que complementa os relatórios oficiais do governo.
Por que importa
Se o consumidor realmente aguentar a alta da energia, a tese de recessão perde força e o mercado ajusta expectativas de juros. Se não aguentar, o impacto chega rápido ao varejo e ao emprego. Os números citados por Moynihan sugerem o primeiro cenário, pelo menos até agora.
O CEO também rejeitou a preocupação com os saldos recorde de cartão de crédito. "Você ouve falar em saldos recorde de cartões, mas a economia é 40% maior", disse. "Então o que se vê é uma recuperação de volta à tendência."
Impacto
O ponto fraco apontado por Moynihan está nas empresas, não nas famílias. Os juros altos encareceram o crédito, sobretudo para pequenas e médias empresas que dependem de linhas de curto prazo. "É o grande lugar" onde as taxas fazem efeito, admitiu o executivo.
Ainda assim, o quadro empresarial segue positivo segundo o Bank of America. As companhias continuam a tomar empréstimos, investir e usar suas linhas de crédito. "Elas estão tomando crédito. Estão usando as linhas. A qualidade do crédito é boa", disse Moynihan.
O que muda
Para o leitor comum, a mensagem é que a gasolina mais cara ainda não derrubou o consumo nem piorou a inadimplência. Para investidores, os dados do Bank of America funcionam como um termômetro antecipado antes dos relatórios oficiais de varejo e crédito.
O que vem agora
O foco passa a ser acompanhar se o Brent se mantém acima de US$ 100 e se a tensão entre Estados Unidos e Irã segue elevando os preços de energia. Os próximos dados mensais de gastos do consumidor, medidos pelo próprio Bank of America, devem mostrar se o ritmo de 4% a 5% se sustenta ou se a gasolina finalmente pesa no bolso das famílias.
