Cramer adia recomendação de Apple apesar de upgrade a US$ 400

Rothschild eleva preço-alvo, mas Cramer prefere aguardar transição de comando na Apple; Micron e Intel sobem com sinais de demanda e confiança interna

Por Marcos Guimarães17 ago 2026
Cramer adia recomendação de Apple apesar de upgrade a US$ 400

O que aconteceu

Na reunião matinal do CNBC Investing Club, realizada às 10h20 (horário de NY) desta segunda-feira, Jim Cramer apontou que o S&P 500 caiu, pressionado por declarações do presidente Donald Trump sobre o Oriente Médio e por ameaças de um alto funcionário iraniano de escalar o conflito caso a diplomacia falhe. Além disso, o mercado ainda digere os dados fracos de vendas no varejo da semana passada e o avanço dos rendimentos dos títulos. “Essa é uma receita para vender”, afirmou Cramer.

Apesar do tom negativo, duas ações do portfólio do clube subiram forte: Micron avançou 6% e Intel 3%. O movimento reflete dois fatores. Para a Micron, o secretário de Comércio Howard Lutnick disse que o governo Trump não apoiaria a Apple na compra de chips de memória da China, o que reforça a demanda interna por produtos da empresa. Já a Intel subiu depois da revelação de que seu CEO, Lip-Bu Tan, comprou mais ações da companhia — um sinal de confiança interna.

Cramer foi direto: “Se você sente que não tem uma tecnologia ligada a data centers, seria a Intel. Se você precisa estar em memória, seria a Micron. São as minhas duas, e não vou recuar.”

Contexto

O upgrade que agitou o mercado veio da Rothschild: a casa elevou a recomendação da Apple de manutenção para compra e subiu o preço-alvo de US$ 260 para US$ 400. Os analistas citaram o potencial de um iPhone dobrável premium que ainda não teria sido totalmente precificado. A nota também sugeriu que a Apple deveria explorar uma parceria com a Nvidia para reduzir a dependência do Gemini, do Google.

Esse movimento ocorre em um momento delicado para a empresa: o CEO Tim Cook deixará o cargo em 1º de setembro. Cramer, por sua vez, discorda do entusiasmo imediato.

Por que importa

A orientação de Cramer contraria o consenso de alta de um analista respeitado. Para investidores que seguem o clube, a mensagem é clara: não é hora de comprar Apple, mesmo com um preço-alvo mais alto e um produto inovador potencial. A saída de Cook é um evento de risco que pode levar rebaixamentos, e Cramer prefere esperar essa transição.

Já para quem busca exposição a semicondutores, a preferência por Micron e Intel sinaliza uma leitura específica: ambas estão ligadas a demandas estruturais de data centers e memória, que ganham relevância diante do cenário geopolítico e da política comercial americana.

Impacto

No curto prazo, o upgrade da Rothschild pode sustentar a ação da Apple, mas a cautela de Cramer adiciona hesitação. A saída de Cook em setembro pode provocar volatilidade, e analistas podem revisar suas recomendações para baixo — exatamente o momento em que Cramer diz que “atacaria”.

No caso de Micron e Intel, os ganhos refletem confiança renovada, mas dependem de desdobramentos comerciais e de decisões internas. A compra de ações pelo CEO da Intel é um sinal positivo, enquanto a posição do governo sobre chips chineses pode beneficiar a Micron.

O que muda

A dinâmica de investimento em Apple muda: o investidor não deve comprar no nível atual, mas observar a janela pós-1º de setembro. Para os semis, a visão de Cramer é de manutenção, sem recuo.

O que vem agora

O mercado acompanhará de perto a transição de comando na Apple e qualquer movimento dos analistas. Cramer já disse que “não é ainda” o momento de comprar, mas que essa decisão pode mudar quando Cook sair. Para Micron e Intel, o foco estará em novas notícias sobre demanda e políticas comerciais.

Fontes