Dívida de cartão de crédito nos EUA atinge US$ 1,26 trilhão

Alta de US$ 21 bi no 2º trimestre expõe inadimplência em 12,8% e economia em formato de K, aponta Fed de Nova York

Por Redação Mapa Paper11 ago 2026
Dívida de cartão de crédito nos EUA atinge US$ 1,26 trilhão

O que aconteceu

O Federal Reserve de Nova York divulgou na terça-feira (11) seu relatório trimestral sobre a dívida das famílias americanas. Os saldos dos cartões de crédito subiram US$ 21 bilhões no segundo trimestre, para US$ 1,26 trilhão, alta de 1,7% ante o trimestre anterior. O valor se aproxima do recorde histórico de US$ 1,28 trilhão registrado no ano passado (CNBC).

A inadimplência em estágio avançado — atrasos superiores a 90 dias — saltou para 12,8% no segundo trimestre, ante 7,6% no trimestre anterior. Os pesquisadores do Fed de Nova York, porém, classificaram o indicador como defasado, refletindo dívidas já baixadas que permanecem nos relatórios de crédito. Já as novas inadimplências seguem estáveis, mas em patamar elevado: 6,97% dos saldos entraram em atraso no último ano.

Contexto

O relatório mostra que cerca de 175 milhões de americanos têm cartão de crédito. Desses, aproximadamente 60% carregam dívida rotativa, o que os deixa mais vulneráveis. Para os pesquisadores, o cenário reflete uma "economia em formato de K": enquanto parte da população prospera, outra vive de salário em salário.

A alta do endividamento não se restringe aos cartões. Segundo Matt Schulz, analista-chefe de crédito da LendingTree, o crescimento em cartões, linhas de crédito com garantia em imóvel (HELOC) e empréstimos pessoais mostra que as pessoas buscam formas de estender o orçamento diante da inflação persistente.

Por que importa

O endividamento crescente tem efeito direto na saúde financeira das famílias. Levantamento da empresa de gestão de dívidas Achieve aponta que 55% dos consumidores usam o cartão de crédito para cobrir despesas essenciais. Na pesquisa de junho, com 2 mil consumidores, 56% dos devedores afirmaram que precisariam de seis meses ou mais para quitar todas as dívidas do cartão (CNBC).

Para o leitor brasileiro, o caso americano serve de alerta: o crédito rotativo como solução temporária para lacunas no orçamento pode virar uma bola de neve, especialmente com juros compostos e custo de vida elevado.

Impacto

No curto prazo, o avanço da inadimplência pode levar os bancos a endurecer a concessão de crédito nos EUA. No médio prazo, o consumo das famílias mais endividadas tende a cair, pressionando a atividade econômica. O Fed de Nova York afirmou que continuará monitorando a evolução das novas inadimplências, que permanecem em nível elevado.

O que muda

A leitura do relatório reforça que a recuperação econômica americana é desigual. Enquanto indicadores de emprego e renda seguem fortes para parte da população, um contingente significativo de famílias depende do crédito para sobreviver. Isso pode influenciar as decisões de política monetária do Federal Reserve, que precisa equilibrar o combate à inflação com o risco de aprofundar o sofrimento dos mais vulneráveis.

O que vem agora

O Fed de Nova York deve divulgar novos dados no próximo trimestre, e o mercado acompanhará se a inadimplência continuará subindo. Também vale observar se os bancos vão elevar as exigências para aprovação de cartões e linhas de crédito. Brad Stroh, cofundador da Achieve, alertou que dívidas de curto prazo, quando viram rotina, criam pressão sustentada sobre os orçamentos domésticos.