Diesel atinge máxima de quatro meses com aperto na oferta
Combustível sobe após novos ataques a refinarias agravarem aperto já causado por guerras no Oriente Médio e Ucrânia
O que aconteceu
O diesel atingiu a máxima de quatro meses nesta terça-feira, 1º de setembro de 2026. O combustível subiu para o maior valor em mais de quatro meses, segundo dados da Bloomberg. O salto foi impulsionado por novos ataques a refinarias, que apertaram ainda mais um mercado já prejudicado pela queda na oferta provocada pelas guerras no Oriente Médio e na Ucrânia. A cotação do contrato futuro do diesel avançou de forma expressiva, mas a Bloomberg não divulgou o valor exato fechado.
Contexto
O mercado de diesel já vinha enfrentando uma redução significativa de oferta antes dos novos ataques. Os conflitos no Oriente Médio, especialmente no Mar Vermelho, interromperam rotas de navegação, enquanto a guerra na Ucrânia levou a sanções e ataques diretos a refinarias russas, diminuindo a capacidade de processamento. O aperto na oferta se intensificou nos últimos dias com os novos ataques a refinarias, cuja localização não foi especificada no relatório da Bloomberg. Esses ataques frescos agravaram a escassez, elevando os preços do diesel ao nível mais alto desde o final de abril.
Por que importa
O diesel é um combustível essencial para o transporte rodoviário, ferroviário, maquinário agrícola e industrial. A alta do diesel impacta diretamente o custo de frete e logística, podendo se propagar por toda a cadeia de suprimentos. No Brasil, o diesel representa cerca de 40% do consumo de derivados de petróleo, e o aumento do preço internacional tende a pressionar a inflação de custos no país. Empresas de transporte e agricultura são as mais afetadas, pois dependem do diesel para operar.
Impacto
No curto prazo, a alta do diesel deve elevar os custos de frete no Brasil e no mundo. Associações de transportadores já sinalizam que o repasse aos preços finais é inevitável. O aperto na oferta também pode aumentar a demanda por alternativas, como biodiesel e gás natural, caso a diferença de preço se torne atrativa. A médio prazo, a continuidade dos conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia pode manter os preços do diesel elevados por meses, pressionando as margens de lucro de setores intensivos em transporte.
O que muda
O cenário de aperto na oferta de diesel representa uma mudança significativa para o mercado global de combustíveis. Até pouco tempo, a expectativa era de que a produção aumentasse com a entrada de novas refinarias em vários países. Agora, com os ataques e as guerras, a oferta se contrai, e governos precisam reconsiderar políticas de estoques estratégicos e de incentivo a biocombustíveis. A alta do diesel também pode acelerar a transição para veículos elétricos no transporte de cargas, embora essa substituição ainda seja lenta no curto prazo.
O que vem agora
Analistas acompanham os próximos movimentos da Opep e dos países produtores. Uma reunião extraordinária pode ser convocada para discutir a situação da oferta de diesel. Além disso, novos ataques a refinarias podem elevar ainda mais os preços. O governo brasileiro, por sua vez, monitora o impacto nos preços internos e pode adotar medidas para aliviar o custo para o consumidor, como redução de impostos ou subsídios temporários. A continuidade dos conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia será determinante para a trajetória do diesel nos próximos meses.
