DLSS 5 vaza e jogadores testam IA da Nvidia em Skyrim e GTA

Tecnologia de upscaling que ainda não foi lançada aparece em build de NBA 2K27 e vira febre; rostos ficam 'oleosos' e CJ praticamente irreconhecível

Por Marcos Guimarães28 ago 2026
DLSS 5 vaza e jogadores testam IA da Nvidia em Skyrim e GTA

O que aconteceu

A Nvidia desenvolveu o DLSS 5, um sistema de upscaling por IA que ainda não foi liberado oficialmente para as GPUs RTX 50. Mas arquivos do DLSS 5 apareceram em uma build de acesso antecipado de NBA 2K27, e a comunidade de PC não perdeu tempo. O DLSS 5, da Nvidia, é uma evolução da tecnologia anterior, que os jogadores apelidaram de "yassificador" por alterar os pixels de forma exagerada. Nesta nova versão, os jogadores notaram melhorias em cenários como florestas de The Last of Us Part 2, que ficaram mais nítidas e vibrantes, como mostrou um comparativo do usuário DVESF.

Em The Elder Scrolls 5: Skyrim, porém, o resultado foi outro. O DLSS 5 deixou os rostos dos personagens com aparência oleosa, como quem esqueceu de desligar o Beauty Mode do TikTok. O personagem CJ, de GTA: San Andreas, ganhou mais realismo de textura, mas ficou quase irreconhecível, como se fosse outro protagonista. Jogadores também testaram em Final Fantasy 7 Rebirth, sem muito destaque.

Contexto

A polêmica começou meses antes do vazamento. Em demonstrações curadas pela Nvidia, jogos como Resident Evil Requiem apareciam com o DLSS 5 ativo. A empresa afirmou que a tecnologia apenas melhorava a iluminação, mas fãs acusaram a Nvidia de alterar os designs dos personagens para torná-los convencionalmente atraentes. A Nvidia respondeu que tinha o apoio dos estúdios, que aprovavam o uso da IA por capturar a intenção artística. A resposta não convenceu. Alguns estúdios que costumam rejeitar IA revelaram que nunca foram consultados sobre o plano. O CEO da Nvidia então chamou os críticos de "completamente errados", o que só piorou a situação.

Com o vazamento, a Nvidia perdeu o controle da narrativa. Não há mais vídeos selecionados pela empresa, e sim testes feitos por qualquer jogador com uma RTX 50.

Por que importa

Para quem joga no PC, o DLSS 5 é um risco potencial: a tecnologia pode popularizar um padrão de aparência forçado nos jogos. Em vez de fidelidade ao que os desenvolvedores criaram, o filtro de IA tende a "padronizar" rostos com pele lisa e iluminação artificial, o que afeta diretamente a imersão e a identidade visual de cada título. Para estúdios, o risco é perder o controle sobre como seus personagens são apresentados ao público.

Impacto

A comunidade já se manifestou. Em um vídeo do modder PureDark sobre Skyrim, um usuário do YouTube comentou: "Se o treinamento não fosse feito com fotos HDR editadas profissionalmente, e sim com imagens naturais, ficaria menos estranho e artificial. Eles sempre parecem tão contrastados, com o céu azul falso e uma luz muito intensa." A crítica aponta diretamente para a origem do problema: o modelo foi treinado com imagens de alta faixa dinâmica, o que explica o excesso de contraste e a pele "elástica".

Em The Last of Us Part 2, o DLSS 5 melhora a vegetação e a luz natural dos ambientes externos, mas as cenas com personagens humanos ainda caem no chamado vale da estranheza. O fenômeno afasta o jogador em vez de aproximá-lo da narrativa.

O que muda

O vazamento altera a estratégia de lançamento da Nvidia. Antes, a empresa podia mostrar apenas o melhor ângulo do DLSS 5. Agora, qualquer pessoa pode reproduzir os efeitos colaterais e expor os defeitos do modelo. Isso pressiona a Nvidia a corrigir o sistema antes de lançá-lo oficialmente para a linha RTX 50, que já está no mercado sem suporte a esse recurso.

O que vem agora

A Nvidia ainda não se pronunciou publicamente sobre o vazamento. Especialistas esperam uma resposta em duas frentes: atualizações do modelo de IA para reduzir o efeito "oleoso" e uma campanha de comunicação para minimizar a má impressão. Enquanto isso, a comunidade de PC deve continuar testando o DLSS 5 em outros jogos, o que pode gerar novos achados, tanto positivos quanto negativos. O próximo passo da Nvidia, de acordo com o histórico da empresa, será tentar controlar a narrativa com uma versão mais polida ou com uma demonstração oficial que mostre o recurso em condições ideais.