DOJ exige mais dados sobre compra da Roku pela Fox por US$ 22 bilhões

Departamento de Justiça dos EUA pede informações adicionais para analisar acordo

Por Marcos Guimarães9 set 2026
DOJ exige mais dados sobre compra da Roku pela Fox por US$ 22 bilhões

O que aconteceu

Na terça-feira, 8 de setembro de 2026, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) enviou à Fox e à Roku uma "segunda solicitação" de informações, exigindo que as empresas entreguem mais dados e documentos sobre o acordo de US$ 22 bilhões pelo qual a Fox planeja comprar a Roku (TechCrunch). O passo é padrão em revisões antitruste de grande porte, mas indica que o DOJ não conseguiu esclarecer todas as dúvidas com os documentos iniciais apresentados pelas companhias.

Semafor foi o primeiro veículo a noticiar a investigação, segundo o TechCrunch. A Fox foi procurada para comentar, mas não se manifestou até a publicação. A segunda solicitação não significa que o DOJ vá bloquear o negócio, porém sinaliza que os reguladores querem analisar com profundidade como a fusão pode afetar a concorrência e os consumidores.

Contexto

O acordo, anunciado ainda em 2026, tem características que vão além de uma aquisição típica de mídia. A Fox controla um vasto portfólio de conteúdo de notícias, esportes e entretenimento, além do Tubi, seu serviço de streaming gratuito com anúncios. A Roku, por sua vez, opera uma das maiores plataformas que funcionam como intermediárias entre o público e esse conteúdo. O sistema operacional da Roku está embutido em milhões de aparelhos de TV e dispositivos de streaming, o que dá à empresa influência relevante sobre como os usuários descobrem e assistem aos serviços de streaming.

Essa combinação levanta preocupações entre concorrentes da Roku. Eles querem saber se uma Roku controlada pela Fox daria aos serviços da própria Fox uma posição de destaque, se a Fox usaria os dados de audiência da Roku para fortalecer seu negócio de publicidade e se serviços rivais seriam empurrados para baixo na tela inicial ou receberiam tratamento menos favorável.

Lachlan Murdoch, executivo-chefe da Fox, tentou acalmar os ânimos ao afirmar que espera que os dois negócios operem de forma separada (TechCrunch).

Por que importa

A revisão do DOJ ocorre em um momento em que a agência enfrenta críticas sobre como trata grandes fusões, incluindo acusações de influência política. O caso da aquisição da Paramount pela Warner Bros. Discovery, por exemplo, gerou questionamentos porque o CEO da Paramount, David Ellison, é filho do bilionário Larry Ellison, cofundador da Oracle, que tem laços próximos com o presidente Donald Trump. Críticos argumentam que a aprovação do negócio levantou suspeitas de favorecimento político.

Nesse cenário, a análise rigorosa do acordo entre a Fox e a Roku pode funcionar como um teste para o DOJ demonstrar que não dá tratamento privilegiado a empresas com conexões políticas. Isso ganha relevância porque a família Murdoch, dona da Fox, também tem vínculos com Trump, conforme destacou o TechCrunch. O desfecho da investigação poderá indicar como o DOJ lida com fusões sensíveis do ponto de vista político.

Impacto

No curto prazo, a segunda solicitação adia a conclusão do negócio, que era esperada para 2026. Investidores e analistas acompanham o caso para avaliar se o DOJ exigirá mudanças estruturais, como a venda de ativos ou a imposição de condições para aprovar a operação. Para os usuários da Roku, o impacto pode vir na forma de mudanças na interface, na oferta de canais e na publicidade, dependendo das condições impostas pelos reguladores.

Além disso, a decisão influencia diretamente o mercado de streaming, que já é dominado por gigantes como Netflix, Disney e Amazon. Uma Roku sob controle da Fox poderia alterar o equilíbrio de forças na distribuição de conteúdo, afetando desde pequenos serviços até grandes estúdios.

O que muda

Se a fusão for aprovada sem restrições, a Fox passará a controlar uma plataforma com alcance massivo nos lares americanos, o que pode aumentar sua capacidade de monetizar conteúdo e dados. Por outro lado, se o DOJ impuser condições, os concorrentes podem ganhar proteções sobre como seus serviços são listados e recomendados na plataforma da Roku. A separação operacional prometida por Murdoch, se implementada na prática, pode minimizar os riscos de favorecimento, mas exigirá monitoramento constante.

O que vem agora

O DOJ deve analisar o material adicional e decidir, nos próximos meses, se aprova a fusão com ou sem restrições, ou se propõe um bloqueio. A Fox e a Roku terão de cumprir os prazos estabelecidos pela agência para entregar os documentos. Como ainda não há decisão final, o mercado segue atento aos próximos passos. O TechCrunch lembra que o fechamento do negócio está previsto para acontecer em algum momento, mas não há data confirmada após a nova exigência.