DOJ investiga Andreessen Horowitz por assentos em conselhos de concorrentes

Procuradoria dos EUA apura se participação em boards de empresas rivais viola lei antitruste de 1914

Por Marcos Guimarães18 ago 2026
DOJ investiga Andreessen Horowitz por assentos em conselhos de concorrentes

O que aconteceu

O Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) abriu uma investigação sobre a Andreessen Horowitz (a16z) por seus sócios ocuparem assentos em conselhos de empresas concorrentes, conforme noticiou a Bloomberg. A apuração, que já dura quase um ano, foca especificamente nos assentos da firma na Databricks, avaliada em US$ 190 bilhões, e na Fivetran, que se fundiu com a dbt Labs em junho. O cofundador da a16z, Ben Horowitz, integra o conselho da Databricks, enquanto o sócio Martin Casado ocupa assento no board da Fivetran.

Vários investidores de venture capital ouvidos pelo TechCrunch disseram estar surpresos com a notícia. Segundo um investidor da Databricks, que falou sob condição de anonimato, as duas empresas não eram rivais quando a a16z investiu nas startups. A Databricks é conhecida por seus produtos de armazenamento em nuvem, mas, com o produto Lakeflow, expandiu-se para pipelines de dados de IA e conectores de aplicativos — exatamente o negócio principal da Fivetran.

Contexto

A a16z investiu em centenas de empresas, e é quase inevitável que algumas startups pivotem ou se expandam para os mesmos mercados, tornando-se concorrentes. Embora apoiar rivais diretos tenha se tornado mais aceitável recentemente — como visto nos vários VCs que financiaram tanto a Anthropic quanto a OpenAI —, ocupar um assento no conselho de startups concorrentes cria um conflito de interesses muito maior. Diretores têm acesso a informações estratégicas muito mais sensíveis do que investidores que não participam do board.

Por que importa

A investigação invoca a Seção 8 do Clayton Act, uma lei de 112 anos que proíbe que um indivíduo ou entidade ocupe assentos em conselhos de empresas concorrentes. Como reguladores raramente usaram essa regra contra o setor de venture capital, a indústria observa de perto o desenrolar do caso. Se a a16z for forçada a abrir mão de um assento, fundadores podem passar a valorizar menos os compromissos de board de VCs de primeira linha, já que esses investidores podem ser obrigados a renunciar se uma sobreposição de portfólio criar conflito futuro.

Impacto

No curto prazo, a investigação pode levar a a16z a implementar uma "muralha da China" entre Horowitz e Casado, impedindo que os dois sócios compartilhem informações confidenciais sobre as duas empresas. No médio prazo, se o DOJ exigir a renúncia de um dos assentos, isso pode estabelecer um precedente para outras grandes gestoras de VC que possuem participações em conselhos de concorrentes.

O que muda

A a16z não comentou o assunto, nem a Bloomberg nem o TechCrunch obtiveram resposta. Databricks e DOJ também não se pronunciaram. O caso pode redefinir as práticas de governança em conselhos de startups, especialmente em um momento em que empresas de tecnologia expandem seus mercados de atuação rapidamente.

O que vem agora

A investigação está em andamento, e não há prazo para conclusão. O setor de VC acompanha os desdobramentos, e uma eventual ação do DOJ pode impactar não apenas a a16z, mas todo o ecossistema de startups que depende de investidores com assentos em conselhos.