EasySwitch une mouse, teclado e segunda tela entre computadores

Ferramenta lançada no Product Hunt combina KVM por software e extensão de tela, com criptografia gratuita e suporte a Wayland

Por Marcos Guimarães26 ago 2026
EasySwitch une mouse, teclado e segunda tela entre computadores

O que aconteceu

O EasySwitch foi lançado nesta quarta-feira, 26 de agosto de 2026, no Product Hunt, com score 71. A ferramenta combina duas funções que hoje vivem em aplicativos separados: o compartilhamento de mouse e teclado entre computadores (KVM por software) e a extensão da área de trabalho para uma segunda tela. Com o EasySwitch, o usuário desliza o cursor de uma máquina para outra, digita e cola conteúdo em qualquer uma, arrasta arquivos entre elas e ainda estende o desktop para o computador ao lado. Segundo a descrição no Product Hunt, o software faz tudo isso em um único processo, sem necessidade de dois aplicativos.

O EasySwitch, lançado nesta quarta-feira no Product Hunt, traz criptografia gratuita para todos, sem venda como recurso extra. O suporte a Wayland, protocolo de exibição do Linux, está incluído. O aplicativo é escrito em Rust nativo, sem Electron, e ocupa apenas 19 MB de RAM em idle, segundo informações da página do produto.

Contexto

O problema que o EasySwitch ataca é antigo. Quem trabalha com mais de um computador, seja um notebook pessoal e um desktop corporativo, precisa de uma forma de controlar todos com um único teclado e mouse. A solução clássica são os KVMs por software, como Synergy, Deskflow e Mouse Without Borders, da Microsoft. Esses aplicativos permitem compartilhar entrada, mas não transportam vídeo. Ou seja, o usuário controla o segundo computador, mas não vê a tela dele no monitor principal.

Do outro lado, existem aplicativos de segunda tela, como Duet, spacedesk e Luna. Eles transformam um computador ou tablet em um monitor adicional, transmitindo a imagem via rede. Mas não compartilham o mouse e o teclado de forma integrada. Na prática, o usuário precisa de dois aplicativos rodando simultaneamente, um para controlar e outro para ver a tela, o que gera conflito e consumo extra de recursos.

O EasySwitch nasce para eliminar essa bifurcação. Ao combinar as duas funções em um único processo, ele reduz a complexidade para o usuário final e usa menos memória do que as soluções tradicionais, graças à implementação em Rust, que evita o overhead de frameworks como Electron, usado por muitos aplicativos modernos.

Por que importa

Para profissionais que lidam com múltiplas máquinas, o EasySwitch pode simplificar o fluxo de trabalho. Um editor de vídeo que usa um computador para renderizar e outro para editar, ou um desenvolvedor que mantém um servidor de teste ao lado do notebook, encontram nele uma forma de controlar tudo com um único conjunto de periféricos. A economia de memória de 19 MB em idle é relevante em máquinas com pouca RAM, especialmente em notebooks mais antigos.

A decisão de tornar a criptografia gratuita também é um diferencial. Em ferramentas como Synergy, a criptografia é um recurso pago em algumas versões. O EasySwitch oferece esse recurso sem custo, o que pode atrair usuários preocupados com segurança em redes locais e ambientes corporativos.

O suporte a Wayland é outro ponto importante. O Wayland é o protocolo de exibição padrão em distribuições Linux modernas, mas muitos aplicativos de compartilhamento de tela ainda não o suportam, limitando o uso em sistemas como Fedora e Ubuntu com GNOME. Ao oferecer suporte, o EasySwitch cobre uma fatia de usuários que frequentemente ficam de fora dessas ferramentas.

Impacto

No curto prazo, o EasySwitch entra em um mercado já povoado, com alternativas consolidadas como Synergy e Duet. A vantagem competitiva está na integração das duas funções e no uso eficiente de recursos. Se a qualidade da transmissão for boa, o produto pode conquistar usuários que hoje alternam entre dois aplicativos, gerando economia de configuração e menos latência.

No médio prazo, a ferramenta pode pressionar as soluções existentes a evoluir. Synergy e outros KVMs já tentam adicionar suporte a vídeo, mas historicamente fazem isso de forma limitada. O EasySwitch, ao nascer com as duas funções nativas, tem a chance de definir um novo padrão para o segmento. Também abre espaço para outros desenvolvedores explorarem soluções em Rust e Wayland, que ainda são raras no ecossistema de produtividade.

Para o usuário brasileiro, o contexto é de adoção crescente de trabalho híbrido e equipamentos secundários. Muitos profissionais usam um notebook corporativo e um desktop pessoal, e precisam alternar entre eles. Ferramentas como o EasySwitch podem reduzir a necessidade de comprar um switch KVM físico, que custa caro e ocupa espaço na mesa.

O que muda

Antes do EasySwitch, o usuário que queria unificar periféricos e telas precisava instalar e configurar dois programas, um de cada categoria, e ainda lidar com possíveis incompatibilidades de rede e protocolos. Com o EasySwitch, essa barreira cai. A ferramenta também muda a relação entre custo e funcionalidade: a criptografia gratuita é um argumento direto contra os planos pagos de concorrentes.

Outra mudança é técnica. O uso de Rust nativo, sem Electron, significa menos consumo de RAM e maior responsividade. Em uma máquina com 8 GB de RAM, cada megabyte conta, e 19 MB de idle é uma marca impressionante para um aplicativo que faz streaming de vídeo. Isso coloca o EasySwitch em um patamar diferente de ferramentas baseadas em JavaScript, que costumam usar 100 MB ou mais.

O que vem agora

O EasySwitch está em fase de lançamento, e ainda não há informações públicas sobre versão estável, preço ou planos de assinatura. A página do Product Hunt indica que a ferramenta está disponível para uso, mas não detalha o modelo de negócio. O próximo passo provável é a coleta de feedback da comunidade, com ajustes de bugs e melhorias de compatibilidade com diferentes sistemas operacionais.

O fato de ter suporte a Wayland e criptografia gratuita sugere que o desenvolvedor quer atingir o público Linux e usuários preocupados com segurança. Se o projeto ganhar tração, é possível que apareçam versões para mobile ou integrações com serviços na nuvem. Mas, por enquanto, o foco está em provar que a proposta de unificar KVM e segunda tela funciona na prática, com a promessa de fazer isso em um aplicativo leve e aberto.