Empregadores abandonam seguro de grupo diante de maior alta em 15 anos
Crise de preços leva empregadores a adotar Health Reimbursement Arrangements (HRA) em vez de planos coletivos, mostra Bloomberg
O que aconteceu
Segundo a Bloomberg, que publicou a reportagem em 28 de agosto de 2026, os empregadores dos Estados Unidos se preparam para os maiores reajustes de preços em planos de saúde de funcionários em 15 anos. Diante dessa escalada, um número crescente de empresas está optando por abandonar o seguro de grupo. Em vez de oferecer cobertura médica diretamente, mais de 20 mil companhias entraram em Health Reimbursement Arrangements (HRA) em 2026, de acordo com a análise da Bloomberg. A jornalista Taylor Nicole Rogers discutiu o tema no programa "Bloomberg Money", apresentado por Scarlet Fu.
Os HRAs, adotados por mais de 20 mil empresas em 2026, são um tipo de benefício de reembolso. No modelo, o empregador contribui com um valor fixo para o funcionário, que usa esse dinheiro para custear seu próprio plano de saúde ou despesas médicas. A Bloomberg documentou a migração como resposta direta ao encarecimento dos planos coletivos.
Contexto
O seguro de saúde de grupo é o pilar tradicional do sistema americano, no qual o empregador contrata uma única apólice para todos os funcionários. Esse modelo nasceu durante a Segunda Guerra Mundial, quando o governo congelou salários e as empresas passaram a disputar talentos com benefícios. Décadas depois, o custo disparou. O aumento previsto para 2026 é o maior em 15 anos, segundo a Bloomberg. Isso tornou a conta inviável para muitas companhias, especialmente pequenas e médias.
Os Health Reimbursement Arrangements surgiram como alternativa legal. No HRA, a empresa define um aporte anual por funcionário, e o trabalhador escolhe um plano no mercado individual. A empresa mantém previsibilidade de gastos, mas perde o poder de barganha de um contrato coletivo. Para o funcionário, a cobertura pode ser mais restrita ou mais cara, dependendo do valor do reembolso.
Por que importa
A decisão das empresas americanas tem impacto direto no bolso dos trabalhadores. Ao migrar para HRAs, o empregador transfere para o funcionário a tarefa de buscar um plano individual, que em muitos casos exige maior dedutível e coparticipação. Para as empresas, o benefício é o controle de custos: o aporte fixo evita surpresas com reajustes anuais. Já para o mercado de seguros, a migração pode reduzir a carteira de planos coletivos e aumentar a pressão sobre os planos individuais, que tendem a ficar mais caros com menos gente nos grupos.
Impacto
No curto prazo, empresas em dificuldade podem evitar demissões ao reduzir gastos com saúde, usando HRAs para manter algum benefício. No médio prazo, seguradoras que dependem de contratos corporativos veem sua receita encolher, o que pode levar a reajustes ainda maiores no mercado individual. Os funcionários, por sua vez, podem enfrentar dedutíveis mais altos e menos benefícios, como cobertura odontológica ou oftalmológica incluída. Um efeito colateral é a maior complexidade administrativa: o trabalhador precisa comparar planos no mercado aberto, algo que muitas vezes exige consultoria especializada.
O que vem agora
A tendência deve se acelerar se os preços continuarem subindo. Analistas, incluindo os ouvidos pela Bloomberg, esperam que mais empresas sigam o caminho dos HRAs nos próximos anos. A pressão pode levar o governo federal a revisar regras de planos de saúde, para garantir que trabalhadores sem seguro de grupo não fiquem desamparados. Não há cronograma oficial para mudanças regulatórias, mas o movimento das mais de 20 mil empresas em 2026 já mostra uma reestruturação do mercado de saúde americano.
