Esper alerta para perda de liderança no Pentágono após teste de polígrafo

Ex-secretário de Defesa dos EUA vê risco institucional maior do que prontidão militar imediata

Por Marcos Guimarães5 set 2026
Esper alerta para perda de liderança no Pentágono após teste de polígrafo

O que aconteceu

O ex-secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper, disse no programa Bloomberg This Weekend, exibido em 5 de setembro de 2026, que o Pentágono aplicou testes de polígrafo em aproximadamente 50 integrantes do Estado-Maior Conjunto. A medida, segundo Esper, não tem precedentes em escala e ocorre no âmbito de investigações sobre vazamentos relacionados aos estoques de munição das Forças Armadas americanas. Os testes foram revelados em entrevista concedida aos apresentadores Christina Ruffini e Jeff Mason.

A declaração de Esper foi feita depois que a Bloomberg divulgou, no mesmo dia, o vídeo da entrevista com o título "Esper Raises Concern Over Pentagon Leadership Loss". Na conversa, o ex-secretário afirmou que está menos preocupado com a prontidão de combate imediata do que com o impacto institucional da rotatividade de lideranças no Pentágono. Para ele, o processo pode afetar a tradição de um corpo de oficiais apolítico nas Forças Armadas.

Contexto

Mark Esper comandou o Departamento de Defesa dos EUA entre 2019 e 2020, durante o governo de Donald Trump. Sua gestão foi marcada por tensões com o então presidente, inclusive pela resistência de Esper em usar tropas federais para reprimir protestos após a morte de George Floyd. Ele foi demitido por Trump em novembro de 2020, em um período de alta rotatividade de cargos no alto escalão do governo americano.

A preocupação atual de Esper se insere em um cenário de sucessivos afastamentos e substituições no topo do Pentágono. Nos meses anteriores à entrevista, o governo americano promoveu mudanças em cargos civis e militares, incluindo a saída de oficiais de longa carreira. A tradição apolítica do corpo de oficiais, um pilar da democracia americana, é vista por Esper como um ativo em erosão.

Por que importa

A aplicação de polígrafo em 50 membros do Estado-Maior Conjunto, medida que o ex-secretário Mark Esper classifica como sem precedentes em escala, sinaliza um ambiente de desconfiança no topo da hierarquia militar dos EUA. O Estado-Maior Conjunto é o órgão que assessora diretamente o presidente e o secretário de Defesa em questões estratégicas. Submeter dezenas desses oficiais a testes de mentira, ainda que em investigação de vazamento, muda a dinâmica interna do órgão.

Para oficiais em serviço ativo, o efeito prático é um clima de suspeição que pode inibir o compartilhamento franco de informações. Para o governo, a consequência é o risco de decisões tomadas com base em um fluxo de inteligência mais cauteloso e menos transparente. Para os EUA, a instabilidade no comando militar ocorre em um momento de pressões globais sobre estoques de munição, tema central da investigação que motivou os testes.

Impacto

O impacto imediato da investigação sobre vazamentos e dos testes de polígrafo é a paralisia parcial na circulação de informação sensível dentro do Pentágono. Oficiais que passam pelo polígrafo podem ser afastados temporariamente de suas funções, o que reduz a capacidade operacional do Estado-Maior Conjunto em um momento em que os EUA avaliam a reposição de arsenais usados em conflitos recentes.

No médio prazo, a rotatividade de lideranças mencionada por Esper pode levar à saída de quadros experientes. A tradição apolítica do corpo de oficiais, que garante a continuidade das Forças Armadas mesmo com a troca de governos, depende da estabilidade no topo. Quando generais e almirantes passam a ser vistos como alvos políticos, o custo de permanecer no serviço ativo aumenta.

O que muda

A mudança central é a normalização do uso de polígrafo em larga escala contra oficiais de alta patente. O Pentágono já usava a ferramenta em processos de credenciamento de segurança, mas aplicá-la a cerca de 50 membros do Estado-Maior Conjunto, simultaneamente, transforma um instrumento individual em uma medida coletiva de investigação.

Outra mudança é a relação entre o escalão político e o militar. Mark Esper, ex-secretário de Defesa, alerta que a perda de lideranças no Pentágono pode romper o equilíbrio que mantém as Forças Armadas subordinadas ao poder civil. A declaração do ex-secretário de Defesa dos EUA reforça o temor de que a próxima geração de oficiais evite posições de comando para não se expor a constrangimentos políticos.

O que vem agora

A investigação sobre os vazamentos de informações sobre estoques de munição deve continuar nas próximas semanas, com a possibilidade de novos testes de polígrafo ou de afastamentos de outros integrantes do Estado-Maior Conjunto. O Pentágono não anunciou oficialmente a conclusão da apuração nem a punição de responsáveis.

Esper, por sua vez, indicou que pretende seguir vocalizando suas preocupações sobre a estabilidade institucional do Departamento de Defesa. O ex-secretário de Defesa, que atualmente integra conselhos e escreve sobre segurança nacional, deve voltar ao tema em palestras e artigos. A Bloomberg informou que a entrevista completa segue disponível em sua plataforma de vídeos, intitulada "Esper Raises Concern Over Pentagon Leadership Loss".