ETFs de Small-Cap: Por Que Podem Dar o Bote em 2026?

Avaliações historicamente baixas e a ineficiência de mercado em ações pequenas podem ser o combustível.

Por Marcos Guimarães21 ago 2026
ETFs de Small-Cap: Por Que Podem Dar o Bote em 2026?

O que aconteceu

Em 21 de agosto de 2026, o CEO da Bridgeway Capital, John Montgomery, participou do programa Bloomberg Open Interest. Durante a entrevista, ele apresentou uma tese contrarian para o mercado. Montgomery argumentou que ETFs (Fundos Negociados em Bolsa) focados em ações de small-caps de valor (empresas de menor capitalização de mercado e com fundamentos subvalorizados) podem estar prontos para uma forte valorização. O executivo destacou que, após anos de retornos inferiores em comparação com as gigantes de mercado (large-caps), as avaliações das small-caps atingiram níveis que considera historicamente baixos e atraentes.

Contexto

A dominância das large-caps (como as gigantes de tecnologia dos EUA) tem sido a narrativa central dos mercados globais por vários anos. Esse período prolongado levou a um esquecimento relativo do segmento de small-caps, que enfrentou dificuldades de desempenho. Um ponto crucial levantado por Montgomery é a diferença na estrutura de mercado: muitos ETFs passivos e de baixo custo, que replicam índices de small-caps, podem enfrentar problemas de liquidez e eficiência. Isso ocorre porque, ao precisarem comprar ou vender ações de empresas pequenas e menos negociadas, esses fundos podem mover o preço contra si mesmos, deteriorando a experiência para o investidor final.

Por que importa

A tese tem implicações práticas para diferentes tipos de investidores. Primeiro, ela sugere uma potencial reversão de ciclo, onde o dinheiro poderia começar a fluir das ações superestimadas para as subestimadas. Segundo, Montgomery destaca a vantagem que os **ETFs ativos** podem ter nesse nicho. Um gestor ativo pode navegar a baixa liquidez com mais habilidade do que um fundo puramente passivo, selecionando ações com fundamentos sólidos e evitando aquelas com problemas. Para o investidor, isso reforça a importância de olhar além do custo baixo e considerar a estrutura do produto. Por fim, o executivo faz um alerta importante: a promessa de alfa (ganho extraordinário) vinda da IA ainda não está comprovada de forma consistente, especialmente em mercados menos eficientes como o das small-caps, onde o julgamento humano pode ainda desempenhar um papel crucial.

Impacto

No curto prazo, a tese de Montgomery pode catalisar uma maior atenção de analistas e investidores institucionais para o setor de small-caps value. Se a narrativa ganhar tração, pode haver um aumento nos fluxos de capital para ETFs ativos nessa categoria, em detrimento dos passivos. No médio prazo, um desempenho superior das small-caps em relação às large-caps poderia sinalizar uma mudança significativa no ciclo de mercado. Isso forçaria uma revisão das alocação de portfólios que, nos últimos anos, estiveram concentradas nas gigantes do S&P 500. A pressão sobre as gestoras de ETFs passivos de small-caps poderia aumentar, exigindo delas soluções mais criativas para lidar com a questão da liquidez.

O que vem agora

Os mercados irão monitorar de perto os dados de fluxo de caixa dos ETFs de small-caps, tanto ativos quanto passivos, nos próximos meses para verificar se a tese está se materializando. A performance comparativa entre small-caps value e as large-caps será um termômetro fundamental. Além disso, a comunidade de investidores analisará os relatórios trimestrais das empresas de small-caps para confirmar se os fundamentals (lucros, dívida, crescimento) justificam realmente as evaluations mais baixas. O discurso de outros gestores de fundos de renome será observado para ver se há um consim形成do em torno da oportunidade identificada por Montgomery.