Fed deve manter taxas de juros, diz especialista da BNY

Ella Gude, da BNY Investments, afirma que o Fed não deve mexer nas taxas no curto prazo, em entrevista à Bloomberg.

Por Marcos Guimarães17 ago 2026
Fed deve manter taxas de juros, diz especialista da BNY

O que aconteceu

Ella Gude, head de renda fixa e co-head de real return da BNY Investments Newton, disse que o Federal Reserve (Fed) deve manter as taxas de juros nos níveis atuais no curto prazo. A declaração foi feita em entrevista a Vonnie Quinn, no programa “Bloomberg Brief”, da Bloomberg, na segunda-feira (17/08/2026). Segundo Gude, a autoridade monetária não deve promover alterações na taxa básica, sinalizando um período de observação do cenário econômico.

Contexto

A expectativa de estabilidade ocorre em meio a um ambiente de inflação sob controle nos Estados Unidos, mas ainda acima da meta de 2% do Fed. Nos últimos ciclos, o banco central americano promoveu uma série de aumentos para conter a alta de preços, mas nos encontros mais recentes passou a adotar um tom mais cauteloso. A fala de Gude reforça a leitura de que o comitê prefere avaliar os próximos dados de emprego e consumo antes de qualquer movimento, evitando surpresas para os mercados.

Por que importa

A manutenção das taxas no curto prazo tem impacto direto em ativos como o dólar, os títulos do Tesouro americano e as bolsas globais. Para investidores brasileiros, a decisão do Fed influencia o fluxo de capital para mercados emergentes, incluindo o Brasil. Com os juros americanos estáveis, o real pode encontrar espaço para se fortalecer, além de reduzir a pressão sobre a renda variável local. A declaração de uma especialista de uma das maiores gestoras do mundo também é vista como um termômetro do que parte do mercado espera para as próximas reuniões.

Impacto

No curto prazo, a projeção de estabilidade deve manter os rendimentos dos títulos americanos em patamares atuais, sem grandes oscilações. Isso reduz a volatilidade nos mercados de câmbio e commodities. No médio prazo, a postura do Fed dependerá da evolução da inflação e do mercado de trabalho. Se os dados continuarem mostrando desaceleração, a manutenção pode ser estendida; caso contrário, o banco central pode retomar o ajuste. Para as empresas, a previsibilidade das taxas ajuda no planejamento financeiro, especialmente aquelas com dívidas atreladas ao dólar.

O que muda

Na prática, a fala de Gude indica que investidores devem se posicionar para um cenário de juros estáveis nos EUA pelo menos até o final deste ano. Isso sugere que a estratégia de renda fixa americana segue atrativa, mas sem espaço para ganhos expressivos com queda de juros. No Brasil, a diferença entre a taxa local e a americana deve continuar beneficiando o carry trade, mas com atenção à questão fiscal doméstica.

O que vem agora

Os próximos passos do Fed serão definidos com base na inflação e nos dados de emprego dos EUA. A divulgação do CPI e do relatório de empregos de setembro, em outubro, são os eventos que podem alterar as expectativas. A própria Gude deve ampliar sua análise nos próximos dias, mas a projeção inicial é de que o comitê adote uma postura wait-and-see, aguardando sinais mais claros da economia antes de qualquer mudança.

Fontes