Form Energy capta US$ 750 mi para ampliar baterias de 100 horas

Aporte financia expansão da fábrica na Virgínia Ocidental; Google e Crusoe estão entre os clientes.

Por Redação Mapa Paper12 ago 2026
Form Energy capta US$ 750 mi para ampliar baterias de 100 horas

O que aconteceu

A rodada Série G foi liderada pela T. Rowe Price, com participação de Sequoia Capital, Janus Henderson, Franklin Templeton, PEAK6 Investments, Prelude Ventures, Engine Ventures e TPG Rise Climate. O dinheiro será usado para ampliar a capacidade de manufatura da empresa em West Virginia, segundo o TechCrunch.

A empresa carrega um backlog de projetos comerciais de cerca de 80 GWh de armazenamento, quatro vezes mais do que no início do ano, de acordo com o Wall Street Journal. Para dimensionar o mercado: os EUA instalaram 9,7 GWh de baterias no primeiro trimestre deste ano, alta de 32% na comparação com o mesmo período de 2025.

Contexto

A tecnologia da Form usa química de ferro-ar: durante a descarga, o ferro é oxidado — vira ferrugem — e, ao carregar, o processo se inverte. O desenho dispensa lítio, cobalto e níquel e reduz o custo para armazenar grandes volumes de eletricidade. A maioria das baterias do mercado descarrega em poucas horas; a da Form sustenta até 100 horas, o que cobre períodos sem sol ou vento. Isso importa porque fontes renováveis devem responder por mais de 90% da nova capacidade de geração dos EUA neste ano.

Os contratos já assinados ajudam a explicar o aporte. A Google constrói um data center em Minnesota parcialmente alimentado por uma bateria de 30 GWh da Form, num projeto de cerca de US$ 1 bilhão. A Crusoe anunciou em março a compra de 12 GWh. As utilities Xcel Energy e FuturEnergy Ireland também estão na lista de clientes.

Por que importa

Os data centers são o principal motor da nova demanda de eletricidade americana: devem quadruplicar o consumo de energia nos EUA até 2035, respondendo por cerca de 20% de toda a eletricidade gerada no país. Redes abastecidas por renováveis precisam de armazenamento que vá além das poucas horas das baterias de lítio — exatamente o nicho da Form.

A empresa também joga a favor de um contexto político e industrial: cerca de 80% dos materiais vêm dos EUA, e o restante vem da Europa e da Ásia — sem participação da China, que domina a cadeia global de baterias. As administrações Biden e Trump buscaram reduzir essa dependência, o que torna a cadeia doméstica da Form um atrativo comercial.

Impacto

No curto prazo, os US$ 750 milhões precisam virar capacidade industrial para que o backlog de 80 GWh saia do papel. A presença de Google e Crusoe — dois nomes da infraestrutura de IA — indica que energia virou variável central para a computação de grande escala. No médio prazo, baterias de 100 horas produzidas em volume podem competir com usinas de pico e pressionar concorrentes a acelerar produtos de longa duração.

O que muda

A Form Energy sai da fase de projetos-piloto e entra na de industrialização, com capital, clientes de peso e uma cadeia de suprimentos desenhada para evitar a China. O caso reforça que o armazenamento de longa duração deixou de ser aposta marginal e virou infraestrutura crítica para a eletrificação da economia americana.

O que vem agora

Os próximos passos conhecidos são a expansão da fábrica em West Virginia e a entrega dos contratos com a Google, em Minnesota, e a Crusoe. Novos clientes ou rodadas não foram anunciados até o momento. O mercado acompanha se outras utilities seguirão o caminho de Xcel Energy e FuturEnergy Ireland à medida que o custo desse tipo de bateria cair.

Fontes

  • TechCrunch: "Form Energy raises $750M to build more 100-hour batteries for the grid" (https://techcrunch.com/2026/08/12/form-energy-raises-750m-to-build-more-100-hour-batteries-for-the-grid/)