Fundos privados listados: por que Ann Berry alerta para riscos

Fundadora da Threadneedle Ventures diz que acesso facilitado a ativos privados não significa transparência para o investidor comum.

Por Redação Mapa Paper13 ago 2026
Fundos privados listados: por que Ann Berry alerta para riscos

O que aconteceu

Ann Berry, fundadora da Threadneedle Ventures, participou do programa Bloomberg Open Interest em 13 de agosto de 2026 para discutir a expansão dos fundos de mercados privados (Bloomberg). Segundo ela, o investimento em empresas fechadas está cada vez mais acessível, mas acessibilidade não é o mesmo que transparência. Berry argumenta que avaliar uma empresa privada exige expertise especializada e que o investidor comum tem dificuldade real para analisar os negócios por trás desses fundos.

Contexto

A observação de Berry acontece em um momento em que gestoras passaram a listar em bolsa produtos que dão acesso a mercados privados, antes restritos a grandes investidores. A promessa de democratizar essa classe de ativos ampliou o público, mas também mudou a natureza da relação entre gestor e cotista. Diferente de ações negociadas publicamente, empresas privadas não têm cotação diária nem divulgação obrigatória de resultados no mesmo padrão. O valor do ativo, na prática, é estimado pelo próprio gestor — o que torna a confiança na administração um componente central do investimento.

Por que importa

Para o investidor comum, a diferença entre acessibilidade e transparência tem efeito direto: a decisão de comprar ou vender um fundo privado listado depende de informações que o cotista não consegue verificar sozinho. A avaliação de ativos ilíquidos envolve premissas complexas, e erros ou conflitos de interesse do gestor afetam o resultado sem que o investidor perceba. O alerta de Berry vale também para mercados como o brasileiro, onde produtos alternativos listados em bolsa têm ganhado espaço entre investidores de varejo.

Impacto

No curto prazo, a tendência é que mais fundos com exposição privada cheguem ao público, empurrados pela demanda por retornos diferentes dos mercados tradicionais. No médio prazo, porém, a qualidade da governança e a transparência da avaliação serão testadas em cenários de estresse — quando a diferença entre o valor contábil e o valor de mercado desses ativos costuma aparecer. Fundos que não conseguirem demonstrar clareza na gestão podem enfrentar desconfiança e descontos na negociação.

O que muda

A discussão desloca o foco do acesso para a prestação de contas. Gestores que quiserem atrair o investidor comum precisarão explicar melhor como avaliam seus ativos, quais são os critérios de valuation e como lidam com conflitos de interesse. Para o cotista, a recomendação prática é tratar esses produtos com o mesmo rigor de qualquer investimento: entender a tese, as taxas e, principalmente, quem está do outro lado da gestão.

O que vem agora

Berry não aponta para um fim da oferta de fundos privados, mas para a necessidade de mais educação e exigência por parte dos investidores. A trajetória desses produtos dependerá da capacidade das gestoras de demonstrar transparência na prática — e da regulação de acompanhar o movimento. Até lá, a recomendação implícita da fundadora da Threadneedle Ventures é clara: acesso fácil não reduz a responsabilidade de quem decide alocar capital.

Fontes

  • Bloomberg — Why Private Funds Make Ann Berry Nervous (https://www.bloomberg.com/news/videos/2026-08-13/why-private-funds-make-ann-berry-nervous-video)
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