Fuzzy Logic e IEEE Key Gas Method no diagnóstico de transformadores

Modelo combina lógica fuzzy com IEEE Key Gas Method para identificar falhas incipientes com mais precisão

Por Marcos Guimarães20 ago 2026
Fuzzy Logic e IEEE Key Gas Method no diagnóstico de transformadores

O que aconteceu

Pesquisadores da área de inteligência artificial aplicada a sistemas de energia publicaram no arXiv (identificador 2608.18133) um modelo chamado FL-KGM, que integra lógica fuzzy ao IEEE Key Gas Method para diagnóstico de falhas em transformadores de potência. O método usa análise de gases dissolvidos no óleo isolante (DGA), técnica consagrada para detectar falhas incipientes. Segundo o resumo do estudo, o FL-KGM introduz funções de pertinência refinadas, conjuntos de regras fuzzy otimizados e uma separação inédita de CO e CO2 para eliminar inconsistências de diagnóstico. Em validação com conjuntos de dados reais, o modelo alcançou até 98,6% de acurácia, superando o KGM e outras abordagens baseadas em lógica fuzzy.

Contexto

O IEEE Key Gas Method é um dos métodos mais usados em DGA. Ele relaciona a presença e a concentração de gases como hidrogênio, metano, etano, etileno e acetileno a tipos específicos de falhas, como descargas parciais, superaquecimento e arcos elétricos. Na prática, porém, os dados de campo nem sempre são claros: limites de concentração podem se sobrepor e um mesmo padrão de gases pode sugerir mais de uma falha. É nesse ponto que entra a lógica fuzzy, que permite modelar incertezas e graus de pertinência em vez de classificações binárias. O FL-KGM combina essa capacidade com a estrutura consolidada do KGM, tentando manter a interpretabilidade do método padrão e ganhar precisão.

Por que importa

Falhas em transformadores de potência estão entre as causas mais críticas de interrupções em subestações e sistemas elétricos. Um diagnóstico mais preciso permite que equipes de manutenção atuem antes que uma falha evolua para uma avaria severa, reduzindo custos com reparos emergenciais e indisponibilidade. Para concessionárias, indústrias e operadores de infraestrutura, inclusive no Brasil, a evolução de técnicas de DGA tem impacto direto em planos de manutenção preditiva e na confiabilidade do fornecimento de energia.

Impacto

No curto prazo, o FL-KGM pode melhorar a análise de dados de DGA em laboratórios e sistemas de monitoramento on-line, especialmente em casos considerados ambíguos. A separação de CO e CO2, citada no estudo, tende a reduzir confusões entre falhas térmicas e descargas, um problema conhecido em interpretações manuais. No médio prazo, a abordagem pode ser incorporada a plataformas de monitoramento de ativos, alimentando algoritmos de manutenção preditiva com classificações mais confiáveis.

O que muda

Para quem trabalha com diagnóstico de transformadores, o modelo oferece uma alternativa ao KGM tradicional sem abandonar sua base conceitual. Em vez de depender apenas de limites fixos, o FL-KGM usa regras fuzzy otimizadas e análise multidimensional de razões de gases, o que pode reduzir falsos positivos e diagnósticos inconclusivos. O estudo, no entanto, é uma validação acadêmica; a adoção em campo depende de testes em mais bases de dados e da integração com sistemas existentes.

O que vem agora

Os próximos passos naturais incluem a validação do FL-KGM em frotas maiores de transformadores, a comparação com outros métodos de DGA em condições operacionais diversas e o desenvolvimento de ferramentas práticas para engenheiros de manutenção. Também é esperado que o modelo seja avaliado em cenários de monitoramento contínuo, onde a velocidade e a confiabilidade da classificação são essenciais.

Fontes

  • arXiv: Optimized Fuzzy Logic Approach with the IEEE Key Gas Method for Diagnosing Power Transformer Faults Using Dissolved Gas Analysis (https://arxiv.org/abs/2608.18133)