Gilbert + Tobin governa e escala IA com OpenAI

A estratégia da gigante australiana combina liderança do CEO e rigorosidade no uso do ChatGPT Enterprise e do Codex

Por Marcos Guimarães2 set 2026
Gilbert + Tobin governa e escala IA com OpenAI

O que aconteceu

A Gilbert + Tobin, um dos principais escritórios de advocacia da Austrália, adotou oficialmente as ferramentas de IA generativa da OpenAI em sua operação. A implementação abrange dois produtos: o ChatGPT Enterprise, para análise de dados e automação de tarefas de pesquisa jurídica, e o Codex, para auxílio no desenvolvimento de software e código interno. A decisão foi liderada diretamente pelo CEO da firma, que assumiu o compromisso de governar o processo de adoção.

O processo de escala não foi técnico, mas de governança. A firma combinou o compromisso de alta direção com um framework rigoroso de uso responsável, onde o advogado mantém a responsabilidade final sobre qualquer conteúdo gerado por IA. Isso inclui auditorias, treinamento específico e políticas claras de uso que evitam alucinações e garantem a verificação humana constante.

Contexto

O setor jurídico é historicamente conservador e avesso a riscos, especialmente quanto a informações confidenciais de clientes. A adoção de IA generativa por firmas de advocacia vinha sendo lenta e cautelosa. A abordagem da Gilbert + Tobin destaca-se por não ser um projeto-piloto isolado. A empresa buscou uma integração ampla e governada desde o início, reconhecendo que a ferramenta precisa de supervisão humana rigorosa para ser segura e útil em um ambiente regulatório complexo.

Por que importa

O caso da Gilbert + Tobin serve como um modelo concreto de como empresas de serviços profissionais e conhecimento podem adotar IA generativa sem delegar a responsabilidade final. A combinação de liderança C-level (no caso, o CEO) com regras operacionais claras é uma resposta ao principal medo corporativo: erros da IA que geram riscos legais, financeiros ou reputacionais. Para outras empresas, especialmente no setor jurídico e financeiro, a experiência mostra que a escala do uso de IA depende mais da cultura e da governança do que da tecnologia em si.

Impacto

O impacto direto para a Gilbert + Tobin é uma potencial transformação na eficiência da firma. A automação de pesquisa jurídica e a assistência em código podem acelerar a entrega de serviços e reduzir custos operacionais. Para o mercado, a validação por uma firma de prestígio como a G+T normaliza o uso de ferramentas como ChatGPT Enterprise no setor jurídico. A OpenAI, por sua vez, ganha um caso de uso robusto e público em um setor tradicional e de alto valor, que pode servir de referência para a venda de soluções corporativas de IA em todo o mundo.

O que muda

A mudança principal é a demonstração de que a governança humana pode permitir a escala da IA. O modelo da G+T pressupõe que a tecnologia é uma ferramenta a serviço do profissional, não sua substituta. A responsabilidade humana permanece como a camada final de segurança. Essa abordagem pode influenciar políticas de outras grandes corporações, mostrando um caminho entre a proibição total e a adoção irresponsável das novas tecnologias.

O que vem agora

A próxima fase para a Gilbert + Tobin será provavelmente a expansão do uso do Codex e do ChatGPT Enterprise para novas áreas de prática da firma. Para a OpenAI, o sucesso nesta implementação serve como prova de conceito para outras empresas de serviços profissionais. O modelo de governança liderado pela alta gestão pode se tornar um padrão de mercado para a adoção segura de IA em ambientes corporativos sensíveis.