Governadora de NY responde a criador de arma 3D: 'Vou ficar à frente dele'

Kathy Hochul defende proibição de armas 3D e responde à ferramenta 'Hochulization' de Cody Wilson

Por Marcos Guimarães31 ago 2026
Governadora de NY responde a criador de arma 3D: 'Vou ficar à frente dele'

O que aconteceu

Na semana passada, Cody Wilson anunciou a "Hochulization", uma ferramenta que altera os hashes de arquivos de design de armas para que eles não sejam identificados como armas por sistemas de detecção. Wilson é o criador da primeira arma de fogo impressa em 3D, a Liberator, e fundador da empresa Defense Distributed. Ele disse que planeja aplicar a técnica ao repositório da empresa, que reúne mais de 200 mil arquivos de designs e componentes de armas, e que pretende abrir o código da ferramenta.

A resposta veio no episódio desta semana do podcast Decoder, da The Verge. A governadora Kathy Hochul disse: "Você pode dizer a Cody que vou ficar à frente dele". Ela afirmou que não vai permitir que a ferramenta derrote os esforços do estado. "Não posso estar sempre na vanguarda quando vejo alguém desafiando uma lei de propósito", completou.

Hochul defendeu a lei de Nova York que proíbe armas 3D. "É a lei que você não pode ter armas impressas em 3D no estado de Nova York", disse. Ela citou riscos como pessoas com problemas de saúde mental fabricando armas fantasmas na cozinha ou criando uma fábrica de munição sem regulamentação, sem verificação de antecedentes.

Contexto

Cody Wilson ganhou notoriedade em 2013, quando publicou os arquivos da Liberator, a primeira arma de fogo totalmente impressa em 3D. Desde então, ele se tornou uma figura central no debate sobre armas e código aberto. A lei de Nova York é uma das respostas a esse movimento, proibindo a fabricação de armas por impressão 3D no estado.

A "Hochulization" ataca um ponto específico: sistemas de detecção de arquivos de armas, que alguns governos querem obrigar fabricantes de impressoras 3D a adotar. Ao alterar os hashes dos arquivos, a ferramenta faz com que eles não sejam sinalizados como armas, sem mudar a função do produto final.

Wilson não é o único a contestar esse tipo de vigilância. A Electronic Frontier Foundation (EFF) já manifestou preocupação com a vigilância digital e com a imposição do que chama de "censorware" em impressoras 3D. No início deste ano, um criador no Kentucky destacou as zonas cinzentas das leis ao produzir uma capa de e-reader que parece uma arma, mas não é funcional.

Por que importa

A disputa entre Hochul e Wilson expõe um problema prático: como regular arquivos digitais que podem ser transformados em objetos físicos? Se Wilson abrir o código da "Hochulization", qualquer pessoa poderá usar a ferramenta para burlar sistemas de detecção. Isso pode tornar a lei de Nova York difícil de aplicar na prática.

Hochul reconheceu a dificuldade. Quando perguntada sobre designs como a capa de e-reader que parecem armas, ela disse: "Quero garantir que estamos alcançando o objetivo que procuro, e vou descobrir". Ela admitiu que "existem outras restrições que ocorrem", mas manteve a defesa da proibição: "Não é o ideal, mas também não achei que fosse uma ideia inteligente".

Impacto

A ferramenta de Wilson pode ter efeito imediato sobre os sistemas de detecção de arquivos de armas. Se os hashes forem alterados, softwares que deveriam bloquear o download ou a impressão desses arquivos podem não reconhecê-los. Isso coloca a responsabilidade de volta nos estados, que precisarão de novas formas de fiscalização.

A posição da EFF indica que o problema não é isolado. A organização teme que a exigência de "censorware" em impressoras 3D crie um precedente de vigilância digital. O caso do criador no Kentucky mostra que mesmo objetos que apenas parecem armas podem cair em zonas cinzentas legais.

O que muda

A briga agora é técnica e jurídica ao mesmo tempo. De um lado, uma governadora que promete endurecer a aplicação da lei. Do outro, um ativista que trata arquivos de armas como código livre. Hochul disse que não pode estar sempre na vanguarda, mas avisou: "Vou ficar à frente dele". A declaração sugere que o estado deve buscar novos mecanismos para barrar a ferramenta.

O que vem agora

Wilson afirmou que pretende aplicar a "Hochulization" ao repositório da Defense Distributed e abrir o código da ferramenta. Hochul disse que vai "descobrir" como lidar com os casos ambíguos. Não há prazos divulgados para nenhum dos dois lados.