Guerras no Irã e na Ucrânia elevam pressão sobre energia global

Retomada dos confrontos entre EUA e Irã no Estreito de Ormuz e ataques da Ucrânia a refinarias russas apertam oferta

Por Marcos Guimarães5 set 2026
Guerras no Irã e na Ucrânia elevam pressão sobre energia global

O que aconteceu

A Reuters informou que EUA e Irã voltaram a se enfrentar militarmente, renovando a instabilidade no Oriente Médio em setembro de 2026. A ameaça de minas navais no Estreito de Ormuz, por onde passa grande parte do petróleo mundial, continua afastando parte do tráfego marítimo da região.

O Estreito de Ormuz, canal entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, é uma das rotas mais sensíveis do planeta. A Bloomberg noticiou que a renovação do conflito entre EUA e Irã reduziu a previsibilidade das operações de navios-tanque e seguradoras na área.

Contexto

As tensões entre Washington e Teerã não são novas. Nos últimos anos, o setor energético já havia enfrentado ondas de apreensão sempre que os dois países chegaram perto de um confronto direto. O diferencial agora é a combinação de dois focos de guerra simultâneos.

Enquanto o Irã trava a navegação no Golfo, a Ucrânia intensificou os ataques contra refinarias da Rússia. Os bombardeios ucranianos atingem unidades de processamento de petróleo no território russo, reduzindo a capacidade local de refino.

Na prática, o mercado perde produto refinado em duas frentes: menos diesel saindo do Oriente Médio e menos diesel saindo da Rússia. A Bloomberg ouvira o repórter de produtos petrolíferos Will Kubzansky, que descreveu o momento como uma crise de destilados. Abeer Abu Omar, correspondente da Bloomberg no Oriente Médio, também participou da cobertura.

Kubzansky, da Bloomberg News, afirmou que o mercado caminha para uma crise de destilados justamente na entrada da temporada de pico de demanda. A categoria de destilados inclui o diesel, combustível crítico para transporte de cargas, máquinas agrícolas e geração de energia em vários países.

Por que importa

A crise de destilados afeta diretamente o custo do transporte de mercadorias. Caminhões, trens e embarcações dependem de diesel, e qualquer aperto de oferta tende a aparecer no preço do frete e, depois, no preço dos produtos nas prateleiras.

O Brasil é grande importador de diesel, o que torna o país sensível ao cenário internacional. Quando refinarias na Rússia saem de operação e o Estreito de Ormuz fica arriscado, a disputa por cargas de diesel no mercado global aumenta. Isso pode pressionar a política de preços da Petrobras e a inflação doméstica.

Impacto

No curto prazo, o risco mais visível é a alta do petróleo e dos combustíveis. A ameaça de minas no Estreito de Ormuz não impede totalmente a navegação, mas encarece o seguro de casco e carga. Navios que seguem operando repassam esse custo.

No médio prazo, a destruição de capacidade de refino na Rússia pode ter efeito prolongado. Refinarias são instalações caras e demoradas de reconstruir. Cada ataque ucraniano que atinge uma unidade relevante retira do mercado por semanas ou meses uma quantidade expressiva de diesel e outros derivados.

A crise de destilados, como definiu Will Kubzansky, da Bloomberg, tende a se aprofundar se a temporada de pico de demanda, que ocorre no inverno do hemisfério norte, começar com estoques baixos.

O que muda

A principal mudança é a percepção de risco dos agentes do setor. Há algumas semanas, o mercado ainda precificava uma possível distensão no Oriente Médio. A renovação dos combates entre EUA e Irã derrubou essa aposta.

Empresas de navegação e trading passam a evitar contratos de longo prazo para carga no Golfo Pérsico, segundo a reportagem da Bloomberg sobre o tema. A alternativa é buscar suprimento em outras regiões, o que pressiona outras rotas e eleva o prêmio de frete global.

O que vem agora

O mercado observa duas variáveis nos próximos meses: a duração dos confrontos entre os EUA e o Irã e a capacidade da Rússia de proteger suas refinarias dos ataques da Ucrânia. Cada nova escolha militar de ambos os lados terá efeito imediato nos preços internacionais.

A Bloomberg, que acompanha o caso com os repórteres Will Kubzansky e Abeer Abu Omar, indica que a temporada de pico de demanda por destilados deve começar com estoques apertados no hemisfério norte. O risco de racionamento ou picos de preço é real, e o monitoramento da navegação no Estreito de Ormuz segue como o principal termômetro do setor energético global.