HOF Consortium conclui compra da Bugatti e Porsche embolsa €1 bilhão

Negócio fecha ciclo da montadora alemã na marca de superesportivos e fortalece a Rimac

Por Marcos Guimarães9 set 2026
HOF Consortium conclui compra da Bugatti e Porsche embolsa €1 bilhão

O que aconteceu

A HOF Consortium, grupo formado em torno da HOF Capital, finalizou a aquisição da Bugatti em 9 de setembro de 2026, conforme anunciado em entrevista ao programa "Bloomberg Deals". Hisham Elhaddad, co-fundador e managing partner da HOF Capital, confirmou o fechamento do negócio ao vivo com a apresentadora Scarlet Fu.

A Porsche, que faz parte do grupo Volkswagen, afirmou que a venda de sua participação na empresa que detém a marca Bugatti vai gerar cerca de €1 bilhão (US$ 1,16 bilhão). No âmbito da transação, a Porsche se desfez integralmente de sua participação acionária na Bugatti Rimac e também vendeu sua fatia de 20,6% no Rimac Group, a empresa-mãe que controla a marca de hipercarros.

A conclusão do negócio marca a saída definitiva da Porsche do capital da Bugatti. A Bugatti Rimac, joint venture criada em 2021 entre a Porsche e a Rimac Automobili, passou a ser controlada integralmente pelo novo consórcio investidor.

Contexto

A Bugatti, fundada em 1909 por Ettore Bugatti na França, passou por várias mãos antes de chegar ao grupo Volkswagen em 1998. Sob o comando da VW, a marca produziu modelos como Veyron e Chiron, que quebraram recordes de velocidade. Em 2021, a Porsche reorganizou o controle da marca ao criar a Bugatti Rimac, uma joint venture com a Rimac Automobili, empresa croata de carros elétricos fundada por Mate Rimac em 2009.

Na estrutura anterior, a Porsche detinha 45% da Bugatti Rimac e 20,6% do Rimac Group, enquanto o próprio Mate Rimac controlava a maior parte das ações. A Rimac passou a operar a Bugatti, integrando tecnologia elétrica aos superesportivos tradicionais. O modelo mais recente da marca, o Bugatti Tourbillon, lançado em 2024, usa um motor híbrido V16 desenvolvido em parceria com a Cosworth.

A HOF Capital, por sua vez, é um fundo de investimento com sede em Nova York e presença global, que atua em setores como tecnologia, finanças e indústria. A entrada do consórcio no controle da Bugatti representa um movimento raro de um grupo financeiro em uma marca de luxo automotivo, tradicionalmente dominada por montadoras.

Por que importa

A venda da participação da Porsche na Bugatti Rimac e no Rimac Group injeta cerca de €1 bilhão nos cofres da montadora alemã. Esse valor será usado pela Porsche para financiar sua própria transição para carros elétricos, um processo que exige investimentos maciços em plataformas e baterias.

Para a Bugatti, o novo controle pela HOF Consortium pode trazer mais capital para expandir a produção limitada de seus hipercarros, que custam milhões de dólares. A marca produz cerca de 50 carros por ano, com lucro por unidade estimado pela indústria em mais de US$ 1 milhão.

A saída da Porsche também simplifica a estrutura acionária da Rimac. O Rimac Group, que desenvolve componentes elétricos para várias montadoras, inclui a divisão Rimac Technology, que fornece baterias e motores para a BMW, Hyundai e outras marcas. Com a venda, o grupo de Mate Rimac ganha mais independência para negociar contratos sem conflitos de interesse com a Porsche.

Impacto

No curto prazo, a transação afeta o balanço da Porsche no terceiro trimestre de 2026, que registrará um ganho extraordinário de cerca de €1 bilhão com a desconsolidação do investimento. A montadora alemã deve usar parte do valor para recomprar ações, conforme sinalizado em comunicados anteriores.

A HOF Capital, que já investe em empresas como a SpaceX e a Stripe, agora passa a ter um papel ativo na gestão de uma marca centenária do automobilismo. O consórcio liderado pela HOF não tem experiência prévia em produção de carros, o que pode levar à manutenção do atual time executivo da Bugatti Rimac, chefiado por Mate Rimac, para garantir continuidade operacional.

O mercado de hipercarros, que inclui competidores como a Koenigsegg e a Pininfarina Battista, segue nichado. A Bugatti Rimac tem uma encomenda de 250 unidades do Tourbillon, todas já vendidas, com entregas previstas até 2030. O novo dono herda essa carteira de pedidos, que garante receita pelos próximos anos.

Para a indústria automotiva brasileira, a notícia indica um movimento global de consolidação diferente do que ocorre em mercados de volume. Nenhuma montadora local participa do segmento de hipercarros, mas a mudança de controle da Bugatti mostra que fundos de investimento estão dispostos a apostar em marcas de luxo com forte valor patrimonial.

O que muda

Com a conclusão da venda, a Porsche não tem mais nenhuma participação acionária na Bugatti ou no Rimac Group. A montadora alemã deixa o conselho da Bugatti Rimac, onde tinha dois assentos desde a criação da joint venture. Em contrapartida, a HOF Consortium passa a ocupar as cadeiras correspondentes.

A Rimac Group, que continua sendo majoritariamente controlada por Mate Rimac, perde um acionista estratégico importante. A Porsche era vista como uma aliada comercial, pois comprava componentes da Rimac Technology para projetos de alto desempenho, como o 918 Spyder e futuras versões da linha Taycan.

A Bugatti, como marca, permanece sediada em Molsheim, na França, onde tem sua fábrica histórica. O novo grupo controlador ainda não divulgou publicamente mudanças operacionais, e o CEO Mate Rimac segue no comando, segundo o comunicado do negócio.

O que vem agora

Os próximos passos incluem a formalização do novo colegiado da Bugatti Rimac, com representantes indicados pela HOF Consortium. A Rimac Group, que também recebeu injeção de capital do consórcio, deve anunciar um plano de expansão da divisão de tecnologia, que já produz componentes para carros elétricos de outras marcas.

A Porsche deve comunicar o uso do €1 bilhão obtido na venda em sua próxima conferência de resultados, programada para outubro de 2026. Analistas do setor esperam que a montadora acelere o programa de redução de custos e o lançamento do elétrico 718, previsto para 2027.

Resta saber se a HOF Capital, que gere mais de US$ 4 bilhões em ativos, buscará futuramente uma oferta pública de ações da Bugatti Rimac. Especulações de mercado apontam que o consórcio pode valorizar a marca para realizar um IPO em Nova York ou Londres nos próximos anos, mas nenhuma decisão foi anunciada oficialmente.

A HOF Consortium finalizou a compra da Bugatti em setembro de 2026. A conclusão do negócio foi anunciada pela Bloomberg, que teve acesso à entrevista de Hisham Elhaddad no programa "Bloomberg Deals".