In Praise of Pip, de The Twilight Zone, completa 63 anos

Rod Serling escreveu o capítulo que abriu a última temporada da série, em 1963, e Jack Klugman entregou a atuação mais dolorosa da antologia

Por Marcos Guimarães27 set 2026
In Praise of Pip, de The Twilight Zone, completa 63 anos

O que aconteceu

O primeiro episódio da quinta e última temporada de The Twilight Zone foi ao ar em 1963 com o título "In Praise of Pip". O roteiro é de Rod Serling, criador e apresentador da série, e o texto do Polygon que revisitou o capítulo 63 anos depois o coloca como o mais emocional de toda a antologia.

Na trama, Jack Klugman interpreta Max Phillips, um bookmaker de pequeno porte e alcoolista. O filho dele, Pip, está lutando na Guerra do Vietnã, conflito que na época ainda era jovem. Max decide perdoar a dívida de um garoto, decisão que o chefe, Mr. Moran, papel de S. John Launer, não aceita. A discussão envolve os três e só termina quando Max recebe um telefonema: o filho foi ferido no Vietnã e está morrendo.

Já tomado de arrependimento pela vida que levou, Max dobra a aposta na boa ação e manda o garoto fugir. O capanga de Moran atira nele. Max cambaleia até a rua e entra em um parque de diversões vazio depois do horário de funcionamento, lugar onde costumava levar o filho quando ele era criança.

Dentro do parque, Max vê o filho, vivido por Billy Mumy, magicamente com 10 anos de novo. As luzes do parque se acendem e os dois aproveitam brinquedos, lanches e jogos à vontade. A diversão acaba quando o menino para de sorrir, parece assustado e corre. Max vai atrás. O Polygon não revela o desfecho.

Contexto

A imagem que o público costuma guardar de The Twilight Zone vem das criaturas. O texto cita os alienígenas minúsculos de "The Invaders", da segunda temporada, os alienígenas maiores e mais famintos de "To Serve Man", a boneca assassina de "Living Doll" e os manequins de "After Hours".

"In Praise of Pip" segue o caminho oposto. O único elemento sobrenatural é Max ver o filho criança, e a explicação mais simples está na própria trama: uma alucinação depois de levar um tiro. O resto é drama doméstico, culpa e um pai que nunca cumpriu o que prometeu.

Por que importa

Sem monstros para carregar a história, o episódio se apoia quase inteiramente na atuação. Klugman constrói um homem consumido pelo arrependimento de ter vivido de uma profissão desonrosa, bebido demais e falhado como pai. É esse desempenho que sustenta o capítulo e explica por que ele é lembrado como o mais doloroso da série.

O Polygon destaca ainda a economia da história. A trama é básica, o que dá espaço para que o peso emocional venha do comportamento dos personagens e não de reviravoltas sobrenaturais.

Impacto

Passados 63 anos, "In Praise of Pip" funciona como contraponto ao rótulo de série de ficção científica com que The Twilight Zone ficou marcada. O episódio mostra que Rod Serling escrevia sobre pessoas antes de escrever sobre o inexplicável, e que a antologia podia ser mais terreno do que o público recorda.

Para quem só conhece o programa pelas criaturas, o capítulo de abertura da temporada final é o argumento mais forte de que a força da série estava no roteiro e na interpretação. Klugman, Moran e o menino de Billy Mumy formam um trio sem efeitos especiais e sem vilões cósmicos.

O que muda

A leitura do episódio muda conforme o contexto da Guerra do Vietnã. Em 1963, o conflito ainda estava no começo, e a série levou para a TV aberta americana um pai que perde o filho em uma guerra em andamento. O telefonema que informa o ferimento é o gatilho de tudo o que vem depois no parque.

O capítulo também desloca o eixo do que se espera de um final de antologia. Não há lição moral sobre tecnologia nem punição por arrogância. Há um homem tentando consertar, tarde demais, uma vida inteira de promessas quebradas.

O que vem agora

O texto do Polygon sobre o 63º aniversário do episódio está publicado e disponível para leitura. A reportagem evita entregar o desfecho de "In Praise of Pip", o que mantém intacta a experiência de quem nunca viu o capítulo.

Quem quiser saber o que acontece com Max Phillips e o filho precisa assistir ao episódio. A produção integra a quinta e última temporada de The Twilight Zone, a mesma que Rod Serling escreveu e apresentou até o encerramento da série.

Fontes

  • Polygon: 63 Years Later, 'The Twilight Zone's Most Emotional Episode is Still a Bold Masterpiece (https://www.polygon.com/the-twilight-zone-in-praise-of-pip/)