Índice do NAR mapeia onde a demanda por imóveis comerciais será maior nos EUA

Nova ferramenta da Associação Nacional de Corretores usa dados econômicos para prever demanda futura nos setores de escritório, industrial, varejo e multifamiliar

Por Marcos Guimarães20 ago 2026
Índice do NAR mapeia onde a demanda por imóveis comerciais será maior nos EUA

O que aconteceu

South Carolina ocupa a primeira posição entre todos os estados americanos no potencial de demanda futura por imóveis comerciais, segundo o novo índice divulgado pela NAR em 2002. A classificação é baseada em dados governamentais do Bureau of Labor Statistics e do Census Bureau.

O índice avalia mais de 300 mercados metropolitanos com medidas separadas para quatro setores: office, industrial, retail e multifamily. Cada setor utiliza indicadores específicos de crescimento econômico regional.

No setor de escritórios, o índice mede o crescimento do emprego em serviços profissionais e de negócios. No industrial, acompanha manufatura, transporte e armazenagem. No varejo, avalia comércio varejista e lazer/hospitalidade. No multifamiliar, incorpora crescimento populacional e migração líquida, tanto doméstica quanto internacional.

St. George, Utah, lidera como o mercado metropolitano mais forte do índice, impulsionado pelo maior crescimento de emprego em escritórios do país, além de forte crescimento populacional e migração interna. "O setor industrial também está acima da média", disse Nadia Evangelou, economista-chefe e diretora de pesquisa imobiliária da NAR.

O índice também compara mercados atuais com 2022, ano do pico da migração pandêmica. Raleigh, North Carolina, é o único grande mercado americano que se encontra em posição mais forte hoje do que naquele período. Ex-mercados superaquecidos como Austin, Miami e Naples (Flórida) registraram declínio acentuado desde então.

"Não diz 'vá lá e compre propriedade', mas aponta onde os dados mostram que o momentum está se formando, que a demanda está se construindo", explicou Evangelou.

Contexto

O lançamento do índice acontece em momento de reconfiguração do mercado imobiliário comercial americano. O setor de escritórios enfrenta pressão pelo trabalho remoto, enquanto industrial e multifamiliar seguiram em expansão pós-pandemia. Dados da NAR mostram que a migração interna acelerou durante a pandemia, com estados do sul e oeste ganhando população à custa de grandes centros.

Austin, por exemplo, foi considerado um dos mercados mais quentes do país entre 2020 e 2022, mas enfrentou correção com a desaceleração do setor de tecnologia e excesso de oferta. Miami, apesar doboom de luxo, também perdeu terreno no índice geral.

Por que importa

A ferramenta oferece investidores, fundos institucionais e desenvolvedores um mapa de referência para alocação de capital. Diferente de índices que focam apenas nos maiores centros urbanos, a NAR destaca mercados menores com momentum real — como St. George, cidade de aproximadamente 100 mil habitantes no sul de Utah.

Para o mercado brasileiro, o modelo pode servir de referência para analistas que acompanham fundos de investimento imobiliário com exposição ao mercado americano (FIIs internacionais e REITs).

Impacto

Mercados com classificação elevada tendem a atrair mais capital nos próximos 12 a 24 meses. Investidores que usam indicadores avançados de demanda podem antecipar movimentos de locatários e desenvolvedores. Por outro lado, mercados em declínio — mesmo que antes populares — podem enfrentar vacância crescente e pressão sobre aluguéis.

O que muda

O índice cria um novo padrão analítico ao combinar dados trabalhistas, demográficos e de migração em uma única métrica comparável entre setores e mercados. A abordagem pode influenciar decisões de crédito e valuation em imóveis comerciais.

O que vem agora

A NAR promete atualizações regulares do índice, que deve se tornar referência para decisões de investimento. Evangelou afirmou que a análise de mercados menores será aprofundada, já que muitos deles apresentam dinâmicas diferentes dos grandes centros, mas geram oportunidades reais para investidores que acompanharem os dados.