Irã condiciona reabertura do Estreito de Ormuz ao fim das guerras
Secretário do Conselho de Segurança do Irã exige fim de operações em Gaza, Líbano e Síria; Trump descarta acordo de junho
O que aconteceu
O Irã condicionou a reabertura do Estreito de Ormuz ao fim das guerras na região. Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, afirmou à TV libanesa Al Manar que qualquer entendimento sobre o estreito com os Estados Unidos incluirá o fim das guerras e operações militares no Líbano, na Faixa de Gaza e na Síria. Rezaei disse que o conflito em Gaza precisa terminar, que Israel deve se retirar do Líbano e interromper os ataques contra a Síria. Ele também afirmou que o Estreito de Ormuz não pode ser separado do conflito regional mais amplo, e que os EUA precisam "provar sua seriedade" antes de qualquer nova confiança ser estabelecida.
A reabertura do Estreito de Ormuz, porém, está condicionada pelo Irã a compromissos americanos que ainda não saíram do papel. Enquanto isso, a volta à diplomacia não parece iminente. O Wall Street Journal reportou na quinta-feira que a administração Trump não tem interesse em retomar os termos do memorando de entendimento que alcançou com o Irã em junho. O acordo de junho, entre Estados Unidos e Irã, foi descartado pela administração Trump, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. O presidente americano prefere esperar para ver se a estratégia de pressão econômica contra Teerã vai funcionar. Na segunda-feira, os EUA anunciaram uma campanha de "Dia D econômico" contra o Irã, ameaçando países que fizerem negócios com a República Islâmica.
Contexto
O Estreito de Ormuz é uma das rotas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo. Antes da guerra que começou em fevereiro, cerca de 130 navios passavam pelo estreito todos os dias. Os dados mais recentes da Kpler mostram que apenas cinco navios cruzaram o canal na terça-feira, uma queda drástica em relação ao fluxo normal. O Comando Central dos EUA (Centcom) afirma que ajudou a facilitar o trânsito de aproximadamente 1.500 embarcações comerciais e 750 milhões de barris de petróleo bruto nos últimos meses. O almirante Brad Cooper, comandante do Centcom, publicou um vídeo no X na quinta-feira creditando as forças americanas pela desminagem do estreito. "Hoje, as rotas marítimas internacionais estão abertas e o momento está aumentando", disse Cooper.
Por que importa
A condição imposta pelo Irã transforma o Estreito de Ormuz em moeda de troca política. Ao ligar a reabertura do estreito ao fim das guerras em Gaza, no Líbano e na Síria, Teerã centraliza em si a decisão sobre o fluxo de petróleo global. Com apenas cinco travessias por dia, o mercado continua vulnerável a picos de preço. A decisão de Trump de rejeitar o acordo de junho e apostar no "Dia D econômico" amplia a incerteza: os EUA tentam sufocar financeiramente o Irã enquanto o estreito segue como ponto de pressão iraniano.
Impacto
O Irã permite, por ora, um corredor "temporário e limitado" para a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz. O futuro do tráfego marítimo dependerá da evolução dos entendimentos com Washington, afirmou Rezaei. Mais cedo nesta semana, Omã e o Irã discutiram uma proposta para criar uma rota marítima conjunta temporária e uma missão para limpar minas do corredor de exportação de petróleo. O vídeo de Brad Cooper, no entanto, atribui aos EUA a desminagem. Na prática, há duas narrativas em disputa: a diplomacia regional tenta montar uma solução própria, enquanto o Centcom diz que as rotas já estão abertas.
O que muda
A posição do Irã impõe um risco permanente para companhias de navegação e para o mercado de commodities. O corredor temporário não elimina a possibilidade de fechamento total do estreito. O "Dia D econômico" americano adiciona outro risco, ao punir países que mantenham negócios com o Irã. Navios que dependem da rota precisam de garantias concretas, mas a condição iraniana está ligada a um cessar-fogo que ainda não aconteceu. Sem um acordo para Gaza, Líbano e Síria, o tráfego deve continuar restrito.
O que vem agora
A administração Trump deve observar se a pressão econômica contra o Irã dará resultado. Não há sinal de novas negociações. Rezaei disse que o futuro do tráfego marítimo depende dos entendimentos com Washington, o que indica que qualquer avanço exige gestos americanos. A proposta de Omã de uma rota temporária pode ser o caminho mais viável, mas depende da adesão de Irã e EUA. Os dados de monitoramento, como os da Kpler, serão essenciais para verificar se o número de travessias volta a crescer ou se o estreito segue como campo de batalha econômico.
