Irã anuncia entrada no banco do Brics em meio à guerra com os EUA
Novo Banco de Desenvolvimento não confirma; Teerã busca financiamento e cooperação monetária com sócios do bloco.
O que aconteceu
O presidente do Banco Central do Irã, Abdolnasser Hemmati, anunciou nesta quinta-feira (13 de agosto de 2026) que o país vai aderir ao Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) do Brics. A informação foi divulgada pela agência estatal iraniana Tasnim, que acompanha Hemmati na Índia, onde ele está para os preparativos da cúpula do Brics no próximo mês. “Buscamos estabelecer cooperação monetária bilateral e trilateral com os países membros”, disse Hemmati, segundo a Tasnim (CNBC).
O NDB não confirmou a movimentação. Um porta-voz afirmou à CNBC que a adesão é aberta a países membros da ONU e que o Irã precisaria passar pelo processo de admissão do banco antes de se tornar membro oficial. O Uzbequistão foi o 10º país a entrar no NDB, em 5 de junho de 2026 (CNBC).
Contexto
O Brics foi criado em 2006 por Brasil, Rússia, Índia e China, com a África do Sul entrando em 2010. O grupo se expandiu e hoje inclui Irã, Egito, Etiópia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Indonésia, com Belarus, Cuba e Nigéria na condição de países parceiros. O NDB foi fundado pelos cinco membros originais do bloco para mobilizar recursos para projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável em mercados emergentes (CNBC).
As sanções de longa data impostas ao Irã restringem fortemente o acesso do país a capital internacional, especialmente vindo de instituições financeiras ocidentais. A guerra com os EUA e Israel, que dura quase seis meses, intensificou a pressão sobre a economia iraniana: inflação em alta, crescimento em queda e moeda em queda livre (CNBC).
Por que importa
Como membro do NDB, o Irã passaria a ser elegível para financiamento em áreas como transporte, saneamento, infraestrutura digital e desenvolvimento urbano. Seria um canal paralelo aos mercados ocidentais, justamente no momento em que o presidente dos EUA, Donald Trump — que já classificou as políticas do Brics de “antiamericanas” — ameaça aplicar tarifas de 25% sobre produtos importados de qualquer país que compre bens ou serviços do Irã, direta ou indiretamente (CNBC).
Impacto
No curto prazo, o anúncio tem peso político: o NDB afirma que não pode confirmar a adesão, e o processo de admissão não tem prazo definido. No médio prazo, se o ingresso se concretizar, o Irã amplia sua rede de financiamento fora do sistema ocidental, aprofunda a cooperação econômica com os demais sócios do Brics e eleva a tensão com Washington, que vem tratando o bloco como adversário comercial (CNBC).
O que muda
O Irã seria o 11º membro do NDB, que hoje tem dez países após a entrada do Uzbequistão. Para Teerã, mudam as opções de financiamento e a possibilidade de cooperação monetária bilateral e trilateral com os sócios do bloco. Para o banco, a adesão de um país sob sanções coloca a instituição no centro de uma disputa geopolítica com os EUA.
O que vem agora
O Irã precisa percorrer o processo de adesão do NDB, o mesmo que mantém Uruguai, Colômbia, Etiópia, Angola e Zimbábue na lista de países candidatos (CNBC). Hemmati segue na Índia, e a cúpula do Brics, marcada para o próximo mês, deve ser o principal palco das negociações. O banco não deu prazo para o caso, e a Casa Branca não respondeu ao pedido de comentário da CNBC.
Fontes
- CNBC Technology — “Iran looks to ramp up economic alliance with BRICS nations as war with U.S. drags on” (https://www.cnbc.com/2026/08/13/iran-war-brics-bank.html)
