Economia dos EUA vive momento 'estranho', diz Christopher Smart
Ex-assessor de Obama vê dados sólidos ao lado de crescimento mais fraco e riscos geopolíticos
O que aconteceu
Em entrevista à Bloomberg publicada em 12 de agosto de 2026, Christopher Smart, managing partner da Arbroath Group e ex-assistente especial do presidente no Conselho Econômico Nacional (NEC) sob Barack Obama, classificou como 'estranho' o momento da economia dos Estados Unidos. Segundo ele, os indicadores econômicos seguem mostrando números sólidos, mas o crescimento perde força e fatores geopolíticos criam incerteza sobre o rumo do país.
Smart também comentou os investimentos em infraestrutura digital. Ele disse que os EUA certamente precisarão de data centers e do aporte em inteligência artificial, mas demonstrou preocupação com o fato de o lucro desses projetos estar sendo empurrado cada vez mais para frente — ou seja, o retorno financeiro demora mais a aparecer.
Contexto
A fala vem de quem acompanhou de perto a formulação de política econômica: Smart integrou o NEC durante o governo Obama, órgão que assessora o presidente em questões econômicas. A avaliação dele surge em um momento em que a economia americana exibe um quadro misto — dados de atividade ainda razoáveis convivem com sinais de desaceleração e um ambiente externo mais volátil, marcado por tensões geopolíticas. Enquanto isso, o ciclo de investimento em IA segue em ritmo acelerado, com empresas e governos apostando pesado em capacidade computacional.
Por que importa
A leitura de quem circulou pelo núcleo de decisão econômica dos EUA ajuda a dimensionar o debate sobre os próximos passos da maior economia do mundo. Se o crescimento desacelera em um contexto de dados ainda sólidos, o espaço para erros de política monetária e fiscal diminui. Para investidores, a combinação de incerteza geopolítica e retorno adiado de grandes projetos de IA muda o cálculo de risco de setores inteiros — de tecnologia a infraestrutura.
Impacto
A preocupação de Smart com a rentabilidade dos data centers não é um detalhe. O ritmo de construção dessas estruturas já consome bilhões e depende da expectativa de demanda futura; se o lucro desses ativos fica cada vez mais distante, cresce o risco de empresas precisarem revisar projetos e capital alocado. No curto prazo, isso pode pesar sobre balanços de companhias de tecnologia e sobre fornecedores de energia e equipamentos para infraestrutura digital. No médio prazo, a fala reforça o alerta de que o entusiasmo com IA precisa conviver com uma avaliação mais realista do prazo de retorno.
O que muda
A declaração coloca luz sobre uma pergunta que o mercado tenta responder: os investimentos em IA vão gerar lucro no ritmo esperado? A visão de um ex-integrante do NEC indica que a resposta pode demorar. Isso tende a tornar investidores mais seletivos com projetos de infraestrutura digital e mais atentos a indicadores econômicos americanos que possam confirmar ou afastar o cenário de desaceleração.
O que vem agora
Não há anúncios oficiais ligados à fala de Smart. O desdobramento natural é a continuidade do monitoramento de dados econômicos americanos — emprego, consumo e inflação —, além da forma como as grandes empresas de tecnologia comunicam prazos de retorno de seus projetos de IA. No Brasil, o tema ecoa: o país vive um ciclo de expansão de data centers, e a discussão sobre rentabilidade e demanda desses ativos também interessa a investidores locais.
Fontes
- Bloomberg — "It's A 'Weird Time' For The US Economy, Says Christopher Smart" (https://www.bloomberg.com/news/videos/2026-08-12/it-s-a-weird-time-for-the-us-economy-says-smart-video)
