Jaguar Land Rover vai cortar até 4.000 vagas em plano de US$ 2,3 bilhões
Montadora de luxo britânica enfrenta concorrência chinesa, ataque cibernético e tarifas de Trump
O que aconteceu
A Jaguar Land Rover (JLR) informou nesta segunda-feira (7) que abriu um programa de demissões voluntárias para funcionários assalariados e de gestão. Segundo reportagem do jornal The Times, a montadora planeja cortar até 4.000 vagas nos próximos dois anos.
Um porta-voz da JLR não confirmou a dimensão dos cortes quando questionado pela CNBC, mas reconheceu que a empresa comunicou funcionários e sindicatos sobre a abertura do programa. A meta é economizar cerca de £1,7 bilhão (US$ 2,3 bilhões) em dois anos e reduzir o ponto de equilíbrio para 300.000 veículos. "Para alcançar isso, precisamos simplificar ainda mais nossa organização, melhorar a eficiência e construir maior resiliência", disse o porta-voz.
As ações da Tata Motors, controladora indiana da JLR listada em Mumbai, caíram 0,7% na segunda-feira. No ano, o papel acumula alta de cerca de 9,5%.
Contexto
A Jaguar Land Rover enfrenta três pressões simultâneas: a concorrência de rivais chinesas mais baratas, um ataque cibernético e as tarifas do presidente dos EUA, Donald Trump. A empresa é controlada pela Tata Motors, grupo automotivo indiano que assumiu as marcas britânicas em 2008.
O corte na JLR chega depois de anúncios semelhantes em outras montadoras de luxo britânicas, como Aston Martin e Bentley, nos últimos meses. O problema não é exclusivo do Reino Unido: a alemã Volkswagen anunciou no fim da semana passada planos de cortar mais 50.000 vagas em um plano de transformação histórica, também citando tarifas e a concorrência das marcas chinesas.
Por que importa
O anúncio se tornou um teste para o primeiro-ministro britânico Andy Burnham. O ministro de Negócios e Comércio do Reino Unido, Jonathan Reynolds, descartou no fim de semana um resgate financeiro à JLR e deve se reunir com executivos da montadora ainda no início desta semana para discutir as demissões.
Em nota à CNBC, o governo britânico afirmou: "Entendemos que este será um momento de incerteza e preocupação para os trabalhadores afetados, suas famílias e as comunidades". O executivo citou ações de apoio ao setor, como redução das contas de energia para fabricantes, £4 bilhões em capital e verba de P&D para veículos de emissão zero e um Electric Car Grant de £2 bilhões para incentivar a compra de carros elétricos.
Impacto
Para os trabalhadores, o programa é voluntário, o que reduz demissões compulsórias, mas ainda deve retirar milhares de postos das regiões onde a JLR opera no Reino Unido. Para o setor automotivo europeu, o caso reforça o padrão já visto na Volkswagen: fabricantes tradicionais cortam estruturas para competir com carros chineses mais baratos e absorver o custo das tarifas americanas.
A meta operacional da JLR mostra o tamanho do ajuste. A empresa precisa baixar seu ponto de equilíbrio para 300.000 veículos, o que significa operar com lucro mesmo vendendo menos carros.
O que muda
A Jaguar Land Rover passa a operar com uma estrutura mais enxuta nos próximos dois anos, com foco declarado em simplificação organizacional e resiliência. O governo britânico, sem dispor de um resgate na mesa, aposta em incentivos setoriais para sustentar empregos e a transição para veículos elétricos.
O que vem agora
O ministro Jonathan Reynolds deve se reunir com executivos da JLR nos próximos dias. O programa de demissões voluntárias segue aberto a assalariados e gestores, e a montadora tem dois anos para atingir os £1,7 bilhão em economia. A reação dos sindicatos e o volume real de adesões ao programa devem definir se os 4.000 cortes estimados pelo The Times se confirmam.
