Keenable indexa a web para agentes de IA com US$ 26 milhões
Startup fundada por ex-Yandex e ex-Amazon constrói índice com mais de 100 bilhões de documentos
O que aconteceu
A Keenable, startup fundada por Andrey Styskin e Matthias Petri, saiu do modo stealth em 25 de agosto com US$ 26 milhões em uma rodada seed liderada pela Accel. A rodada seed da Keenable contou com participação da Conviction Partners e de investidores-anjo (TechCrunch). A companhia está construindo um índice de busca na web com mais de 100 bilhões de documentos. Esse índice de 100 bilhões de documentos é a base de uma API que, segundo a empresa, já roda em produção em vários laboratórios de IA e provedores de inferência, tanto no treinamento quanto no tempo de execução.
A startup também fechou uma parceria com a Gradium, empresa de voz com IA, para suportar a recuperação de informações em tempo real. A Gradium, que atua com voz, pode usar a API da Keenable como fonte de dados ao vivo. A Keenable não divulga quem são seus clientes de laboratórios e provedores de inferência.
Contexto
Os mecanismos de busca foram desenhados para humanos, que não conseguem ler páginas inteiras. Mas os usuários estão cada vez mais usando chatbots para pesquisar e executar tarefas. Por isso, parte da indústria defende que a infraestrutura da internet precisa ser atualizada para atender a IA, já que os bots leem e processam volumes muito maiores de informação.
Andrey Styskin, que liderou a divisão de busca, IA e nuvem do Yandex, e o cientista alemão Matthias Petri trabalharam juntos na Amazon em infraestrutura de busca para aplicações de IA como a Alexa. A Keenable, empresa fundada por Styskin e Petri, nasce dessa experiência. Styskin tem 20 anos de atuação em busca no Yandex e na Amazon.
Para Styskin, chatbots se saem melhor quando podem fundamentar respostas com documentos de origem. "Isso cria um novo flywheel, diferente do que o Google aprendeu com o comportamento humano", disse ao TechCrunch. A frase traduz a tese de que o comportamento de agentes de IA, não o de humanos, deve guiar a próxima geração de busca.
Por que importa
Empresas de IA têm poucas opções de infraestrutura de busca em escala web. O sócio da Accel Zhenya Loginov, que liderou o investimento, afirma que Google e Microsoft estão tomando medidas para fechar suas APIs de busca existentes por receio de canibalização. Em vez de manter APIs abertas, os gigantes adotam uma abordagem mais agregada e seletiva em relação a parceiros.
A Keenable quer ocupar exatamente esse espaço. Com o índice de mais de 100 bilhões de documentos, a startup pode dar a agentes de IA uma alternativa independente para buscar e acessar informações na web. Hoje, quem desenvolve esses agentes depende de poucos provedores.
Impacto
Na prática, a proposta da Keenable é reduzir o custo de servir buscas em escala web. Styskin compara a abordagem com soluções de busca empresarial, que quebram e ficam caras no volume da internet. "Se você não ajusta as estruturas de índice para uma tarefa específica, o custo de servir e escanear a internet inteira é enorme por causa do volume. É por isso que você precisa inovar na forma de reduzir o espaço de busca com base na consulta muito rapidamente. É isso que estamos trazendo", explicou.
O uso em produção durante treinamento e runtime indica que a API da Keenable já está sendo testada no mundo real, não apenas em demonstrações. A parceria com a Gradium, empresa de voz com IA, mostra uma aplicação concreta: recuperar informações em tempo real para responder perguntas de usuários que falam com um assistente.
O que muda
A entrada da Keenable dá ao mercado uma opção de infraestrutura de busca independente dos grandes mecanismos. Isso importa para startups que constroem agentes, assistentes de voz e ferramentas que precisam acessar conteúdos atualizados. A parceria com a Gradium é um exemplo de que o índice precisa ser usado em tempo real, e não só em respostas pré-treinadas.
O que vem agora
A Keenable não revela os nomes dos laboratórios de IA e provedores de inferência que usam a API. Também não há prazo público para ampliar o índice ou abrir novos produtos. A rodada de US$ 26 milhões dá recursos para a startup seguir operando, mas a empresa não detalhou planos de contratação. A aposta é que a demanda por busca feita sob medida para agentes cresça na mesma velocidade em que chatbots passam a executar tarefas, e não apenas a responder perguntas.
**Fontes:** TechCrunch
