Kuwait repele ataque iraniano; Trump prevê guerra curta
Exército kuwaitiano usa defesa aérea contra mísseis e drones; presidente americano diz que conflito com Teerã está perto do fim.
O que aconteceu
O Exército do Kuwait afirmou na quinta-feira (3) que estava enfrentando ataques hostis de mísseis e drones lançados pelo Irã. Em comunicado, as autoridades kuwaitianas confirmaram que as explosões ouvidas no país eram de sistemas de defesa aérea interceptando alvos hostis. A população foi orientada a seguir as instruções de segurança das autoridades. Segundo a agência estatal iraniana IRIB, os ataques tiveram como alvo bases americanas instaladas no Kuwait.
Os ataques iranianos contra o Kuwait, confirmados pelo Exército do país, aconteceram um dia depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dizer que a guerra com o Irã não deve durar “muito mais”. Na quarta-feira (2), Trump descreveu os ataques americanos contra o Irã, realizados na terça-feira (1º), como um “ataque muito pesado”, e disse que os EUA estão preparados para novas operações militares “a qualquer momento que quisermos”.
O Irã já havia retaliado contra outros dois aliados regionais dos EUA: Jordânia e Bahrein.
Contexto
A escalada começou na terça-feira (1º), quando os Estados Unidos lançaram ataques contra o Irã. Na avaliação de Trump, o Irã está perto do limite. “Não acho que vai durar muito mais. Não sei quanto mais eles podem aguentar”, disse o presidente a repórteres, referindo-se à capacidade iraniana de sustentar o conflito.
Nos bastidores, parte do governo americano tenta conter a guerra antes das eleições de meio de mandato de novembro. Segundo a agência Reuters, o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio pressionam para manter o conflito com o Irã relativamente “quieto” até o pleito. A reportagem citou quatro pessoas familiarizadas com as discussões. O objetivo é limitar perdas do Partido Republicano, porque a guerra se tornou impopular entre os americanos.
Uma pesquisa da Universidade de Massachusetts Amherst, realizada em agosto com 1.000 entrevistados, mostrou que mais de dois terços desaprovam a forma como Trump conduz a guerra. A desaprovação à gestão geral do presidente é quase tão alta. Os dados foram divulgados pela própria universidade.
Por que importa
O Kuwait entrou na lista de países atingidos pela retaliação iraniana aos ataques americanos. O país abriga bases militares estratégicas dos EUA, e um ataque bem-sucedido contra elas mudaria o equilíbrio de segurança no Golfo. Para os kuwaitianos, a orientação de seguir instruções de segurança e o som de interceptações aéreas mostram que o país está na linha de frente de um confronto que não começou em seu território.
A guerra com o Irã também se tornou um problema eleitoral para Trump. A dois meses das eleições legislativas, a impopularidade do conflito pressiona o Partido Republicano e pode custar cadeiras no Congresso. O presidente disse que vai ajudar o partido, que, segundo ele, “respeita o fato de que não estamos permitindo que o Irã tenha uma arma nuclear”. Trump afirmou ainda que a guerra é travada, em pelo menos 99% das razões, para ajudar o Oriente Médio, Israel e os EUA.
Impacto
No curto prazo, o Kuwait se junta a Jordânia e Bahrein como alvos da resposta iraniana. A ampliação do raio do conflito pressiona Washington a reagir e aumenta o risco de erro de cálculo. Ao mesmo tempo, o desgaste político interno pode limitar a liberdade de ação de Trump, que precisa equilibrar a promessa de impedir que o Irã tenha bomba nuclear com uma opinião pública contrária à guerra.
A pesquisa da Universidade de Massachusetts Amherst é um termômetro desse desgaste. O levantamento aponta que a paciência americana com o conflito tem limite. Qualquer nova escalada, como o ataque ao Kuwait, tende a reforçar a rejeição à estratégia da Casa Branca.
O que muda
A posição tradicional do Kuwait de se manter à margem de conflitos regionais ficou insustentável. O país agora convive com o risco de novos ataques e com a presença de sistemas de defesa aérea em operação. O Irã, por sua vez, mostrou que pode alcançar aliados centrais dos EUA fora de Israel, o que muda o cálculo estratégico de toda a região.
O que vem agora
Trump afirmou que os EUA estão prontos para novas operações militares contra o Irã a qualquer momento. Assessores do presidente, porém, tentam evitar a escalada até as eleições de novembro, para reduzir o desgaste republicano. Não há, até o momento, informações sobre novos ataques iminentes do Irã ou sobre mudanças na postura das autoridades kuwaitianas. A evolução do conflito deve continuar a ser monitorada de perto por aliados e mercados.
