Lachy Groom aposta em startup indiana que quer manter avião no ar por um ano
Alteon capta com investidor de peso e aposta em técnica dos albatrozes para vigilância marítima
O que aconteceu
A Alteon, startup fundada pelo indiano Samay Sanghvi, de 20 anos, anunciou na terça-feira (31) que levantou US$ 2,5 milhões em uma rodada pré-seed liderada pelo investidor solo Lachy Groom, com participação do fundo Together Fund. Groom decidiu investir nos primeiros 30 minutos da primeira reunião com Sanghvi, segundo o fundador disse ao TechCrunch. O objetivo da empresa é construir aeronaves autônomas que permaneçam no ar por mais de um ano.
O aporte de US$ 2,5 milhões, liderado por Lachy Groom, foi revelado em primeira mão pelo TechCrunch. Groom é um investidor conhecido no Vale do Silício por ter feito apostas iniciais em empresas como Stripe e Figma. A Alteon, por sua vez, é uma das poucas startups indianas a receber um cheque de um investidor anjo desse calibre em estágio tão inicial.
Contexto
Aeronaves convencionais precisam carregar combustível ou baterias para se manter no ar, o que limita a duração dos voos. A Alteon quer quebrar essa limitação com aeronaves de asa fixa, de pequeno porte, que extraem energia do cisalhamento do vento acima do oceano por meio da dynamic soaring, uma manobra em que a aeronave se move repetidamente entre camadas de ar que viajam em velocidades diferentes.
A dynamic soaring é a técnica que os albatrozes usam para percorrer milhares de quilômetros sobre o mar com o mínimo esforço. A startup de Bengaluru, fundada por Samay Sanghvi em 2025, é uma das primeiras a tentar aplicar o conceito em uma aeronave autônoma comercial.
"Uma vez que você construa aviões que possam ficar no ar por mais de um ano, existem milhões de coisas que você pode fazer com eles", disse Sanghvi ao TechCrunch. O primeiro uso planejado é a vigilância marítima, dando aos governos visibilidade em tempo real do que acontece em suas águas.
Por que importa
A vigilância marítima hoje depende de satélites, que têm custo alto e passagem limitada, e de embarcações ou aeronaves tripuladas, que consomem combustível e exigem equipes. Uma aeronave autônoma que fique meses voando sobre o oceano pode reduzir drasticamente o custo de monitoramento de zonas econômicas exclusivas, que se estendem até 200 milhas náuticas da costa.
Para governos, especialmente os de países com litorais extensos como o Brasil, isso significa uma nova ferramenta para combater pesca ilegal, contrabando e desastres ambientais. A Alteon ainda não demonstrou que sua aeronave consegue se sustentar em voo apenas com a energia extraída do vento, mas o teste recente mostrou avanço.
Impacto
A Alteon concluiu recentemente um teste do seu sistema de voo autônomo sobre a Baía de Bengala. A aeronave completou sete ciclos em formato de O a mais de 62 milhas por hora (cerca de 100 km/h), voando a menos de um metro da superfície da água. O resultado foi chamado de "primeiro resultado promissor" pelo Dr. Gabriel Bousquet, engenheiro aeroespacial e de robótica que pesquisou dynamic soaring durante seu doutorado no MIT.
Bousquet, que hoje atua no Vale do Silício, alertou que o desafio mais difícil será provar que a aeronave consegue extrair energia suficiente do vento para permanecer no ar com o motor desligado. O teste na Baía de Bengala, da Alteon, validou a capacidade de voo autônomo em baixa altitude, mas não a captura de energia.
O plano inicial da startup é construir uma aeronave com cerca de três metros de envergadura. Ela voará perto da superfície do oceano, subirá e fará curvas em camadas de ar mais rápidas, repetindo o ciclo para ganhar energia do vento. Depois, a Alteon pretende usar as hélices como turbinas para converter parte dessa energia em eletricidade e recarregar as baterias de bordo.
O que muda
Se a tecnologia funcionar em escala, o mercado de vigilância e comunicação por drones de longa duração pode ser transformado. Hoje, a maioria dos drones comerciais voa por horas, não por meses. A promessa da Alteon, startup indiana apoiada por Lachy Groom, é mudar essa equação usando uma energia que não custa nada: o vento.
A aeronave da Alteon, que ainda está em desenvolvimento, também pode ter aplicações em telecomunicações, monitoramento climático e inspeção de infraestrutura offshore. Nenhum desses usos foi confirmado pela empresa, mas Sanghvi afirma que a lista de possibilidades é enorme.
O que vem agora
O próximo marco da Alteon é o que Sanghvi chama de "dynamic soaring energeticamente neutra": a aeronave voando continuamente com a propulsão desligada, extraindo do vento energia suficiente para permanecer no ar. A empresa não divulgou prazo para atingir esse marco.
A avaliação de Gabriel Bousquet, pesquisador do MIT, é que o resultado da Baía de Bengala é animador, mas o caminho até a sustentação completa por energia eólica ainda é longo. A Alteon, fundada por Samay Sanghvi, terá de provar na prática que pode repetir o feito dos albatrozes com uma máquina.
A startup de Bengaluru, que completou a rodada pré-seed com Lachy Groom e Together Fund, ainda não informou quando pretende lançar o primeiro produto comercial. O foco imediato é o teste de voo contínuo.
