Mazama Energy capta US$ 135 milhões para geotermia superquente
Startup incubada na Khosla Ventures vai atrás de rocha a 400 °C em Oregon e planeja gerar energia já em 2027
O que aconteceu
A Mazama Energy levantou US$ 135 milhões em uma rodada Série B anunciada nesta quinta-feira. A captação da startup de geotermia foi oversubscribed, ou seja, teve demanda maior do que a oferta de participação. O dinheiro vai bancar o desenvolvimento de poços horizontais em rocha superquente, com capacidade de gerar até 15 megawatts de eletricidade por poço, de forma contínua, 24 horas por dia.
A rodada Série B de US$ 135 milhões da Mazama Energy foi liderada pela Centaurus Capital e pela Doerr Capital. ConocoPhillips e Shell Ventures participaram. Investidores que já estavam na empresa, como a Khosla Ventures e a Gates Frontier, voltaram a aportar. Também entraram SiteGround Capital, a H. Barton Asset Management e a Jeffrey and Marieke Rothschild Foundation. A Mazama Energy foi incubada dentro da Khosla Ventures, do investidor Vinod Khosla.
Contexto
A aposta da Mazama Energy é cavar mais fundo e buscar calor mais intenso do que os projetos geotérmicos tradicionais. A empresa já perfurou mais de 10.000 pés (cerca de 3 km) em 15 dias e mira aproximadamente 15.000 pés de profundidade, o equivalente a quase 4,5 km, ou três milhas. Nessa faixa, a Mazama Energy acessa calor de 750 °F (400 °C). Sob pressão alta, a água vira um fluido chamado de "supercrítico", que não é totalmente líquido nem totalmente gás. Esse estado permite absorver muito mais energia do que o vapor comum.
O primeiro site da Mazama Energy fica em Oregon. O estado americano, palco do primeiro site da empresa, teve sua estimativa revisada para cima. No ano passado, Vinod Khosla falava em 5 gigawatts de capacidade potencial. Agora, a Mazama Energy diz que o local pode produzir 10 gigawatts, o dobro.
Por que importa
Startups de geotermia avançada, também chamadas de enhanced geothermal, viraram o azarão na disputa para alimentar data centers de IA e outras cargas pesadas na rede elétrica. Enquanto empresas de tecnologia e desenvolvedoras de data centers colocaram seu peso por trás do gás natural, as companhias de geotermia vêm avançando rápido na tecnologia.
A diferença da Mazama Energy está na profundidade. A empresa afirma que cada poço pode produzir até 10 vezes mais energia do que as tecnologias geotérmicas tradicionais. Se o modelo funcionar, o custo por megawatt e a área ocupada caem na comparação com projetos convencionais.
Impacto
O potencial geológico é grande. Segundo a University of Twente e a Clean Air Task Force, aproveitar apenas 1% da rocha superquente do planeta poderia gerar mais de 63 terawatts de eletricidade.
A Mazama Energy já garantiu terras para um segundo empreendimento, mesmo com o trabalho no site de Oregon ainda em estágio inicial. A meta é concluir o desenvolvimento do primeiro site até 2030. Nesse ponto, a Mazama Energy diz que ele deve gerar 200 megawatts de eletricidade.
O que muda
Energia geotérmica superquente entrega uma característica que eólicas e solares não têm: produção constante, sem depender de vento ou de sol. Isso a torna atraente para cargas que não podem oscilar, como treinamento de modelos de IA e operação de data centers.
A entrada de ConocoPhillips e Shell Ventures na rodada mostra que petroleiras veem a tecnologia como parte de sua transição. O conhecimento dessas empresas em perfuração profunda é justamente o que a Mazama Energy precisa para chegar aos 15.000 pés.
O que vem agora
A Mazama Energy planeja começar a gerar eletricidade em algum momento do ano que vem. O primeiro site, em Oregon, deve ficar pronto até 2030, com os 200 megawatts previstos. Com os US$ 135 milhões da Série B e um segundo local já garantido, a empresa tem caixa e terreno para avançar em duas frentes ao mesmo tempo.
Fontes
TechCrunch. Khosla-backed Mazama Energy just raised $135M to drill deeper into super-hot-rock geothermal. https://techcrunch.com/2026/09/17/khosla-backed-mazama-energy-just-raised-135m-to-drill-deeper-into-super-hot-rock-geothermal/
