Mercado de IPOs está 'wide open', diz Goldman Sachs
Matthew McClure, da Goldman Sachs, afirma que condições estão favoráveis e capital privado acumula US$ 1,5 trilhão esperando ser investido
O que aconteceu
Matthew McClure, co-líder global de investimentos da Goldman Sachs, declarou no dia 19 de agosto de 2026 que o mercado de IPO está "wide open" — totalmente aberto — para operações. A fala ocorreu em entrevista a Dani Burger no programa Bloomberg Deals.
Segundo McClure, empresas do setor de IA responderam por mais de 50% do capital captado em ofertas públicas no ano, apesar de representarem apenas cerca de 20% do total de IPOs realizados em 2026. A concentração de recursos em poucas empresas do setor revela uma forte preferência dos investidores por negócios vinculados à inteligência artificial.
O executivo também sinalizou que a confiança no mercado de private equity está em alta, com US$ 1,5 trilhão em capital acumulado e aguardando deploy.
Contexto
O mercado de IPOs passou por um período de desaceleração nos anos anteriores, com taxas de juros elevadas e incerteza macroeconômica freando a abertura de capital de empresas. A retomada apontada pela Goldman Sachs indica uma reversão desse quadro.
A concentração de capital em empresas de IA também segue uma tendência global, onde o hype em torno de tecnologias generativas tem direcionado recursos para poucos nomes considerados estratégicos pelo mercado.
Por que importa
A frase de um executivo de primeiro escalão da Goldman Sachs tem peso específico. Como uma das maiores bancas de investimento do mundo, a Goldman Sachs participa diretamente como subescritora e colocadora de IPOs. Quando a instituição sinaliza que o mercado está aberto, isso afeta decisões de empresas que planejam abrir capital e de investidores que buscam oportunidades.
O dado sobre IA é especialmente relevante para fundos e startups brasileiras que atuam nesse segmento: mostra que o apetite existe, mas também que a concorrência por capital é alta.
Impacto
No curto prazo, a declaração pode acelerar o calendário de IPOs já planejados para o segundo semestre de 2026. Bancas de investimento tendem a usaram essas afirmações públicas para dar confiança a potenciais clientes.
No médio prazo, o US$ 1,5 trilhão em capital parado no private equity representa uma pressão sobre gestoras para realizarem investimentos. Quando esse capital começa a ser deployado, o efeito sobre valuation de startups e empresas pode ser significativo.
O que muda
A proporção mencionada por McClure — mais de 50% do capital em apenas 20% dos IPOs — reforça uma dinâmica de concentração. Não basta estar no setor de IA: é preciso ser percebido como player relevante para captar montantes significativos.
O que vem agora
O segundo semestre de 2026 deverá revelar se a confiança apontada pela Goldman Sachs se traduzirá em volume efetivo de ofertas públicas. A movimentação do capital acumulado em private equity também será um indicador-chave para avaliar a sustentabilidade dessa retomada.
